Crédito escasso faz venda de motos ter queda de até 70%

Ao contrário do mercado de carros, que já começou a sentir uma recuperação nas vendas após o anúncio de redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), a venda de motocicletas, que para algumas redes chegou a cair 70% após setembro, ainda está com dificuldades

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Depois de ter passado por um bom período de vendas, com o surgimento de novas marcas e concessionárias até o começo da turbulência internacional, no segundo semestre do ano passado, o segmento duas rodas (como motos) começa a refazer os planos de atuação e investimentos no mercado interno este ano. Ao contrário do mercado de carros, que já começou a sentir uma recuperação nas vendas após o anúncio de redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), a venda de motocicletas, que para algumas redes chegou a cair 70% após setembro, ainda está com dificuldades, provocadas principalmente pela restrição de crédito, com mais da metade dos pedidos de financiamento recusados pelas financeiras.

A Moto Traxx da Amazônia, por exemplo, que pertence ao China South Group, que afirma ser o maior fabricante de motos do mundo, está revendo todos os seus planos no Brasil. A empresa, que antes importava as motos da China, instalou uma fábrica em Manaus em dezembro de 2007 e já conta com 131 pontos-de-venda. Sua intenção era investir R$ 100 milhões esse ano, incluindo na sua fábrica, expansão, serviços e relacionamento com fornecedores , mas agora sua produção já caiu 30% e deverá aguardar até março para saber quanto ainda será possível investir.

De acordo com Rogério Scialo, diretor da Moto Traxx, apesar de desde setembro a empresa já ter sentido uma queda de cerca de 40% nas vendas, ainda fechou o ano passado com um crescimento de 33% em faturamento e 28% em volume de vendas. Comercializaram 26.898 unidades, mas esperavam que seria possível alcançar 32 mil unidades vendidas. Já em 2009, devem crescer entre 10% e 20%, no máximo. Sua expansão também já deve ser muito menor do que o previsto antes da crise, já que pretendia abrir cerca de 120 revendas até o final desse ano, chegando a 250 lojas, mas, agora, deverá abrir em torno de 50 unidades. “É como se estivéssemos correndo a toda velocidade e colocassem um paredão na nossa frente”, explica.

Para o executivo, o que está impedindo as vendas é a não aprovação de crédito por parte das financeiras. “Está acontecendo um bloqueio quase completo do financiamento de motocicletas, querem que o nosso público consumidor, que é das classes C, D e E, atenda as mesmas exigências do que a de um comprador de automóvel, o que é diferente”, afirma. O executivo ainda diz que uma financeira relatou que até agosto de 2008 recebia 95 mil fichas por mês de interessados em financiar uma moto e aprovavam 55 mil delas, porém, agora, apesar da demanda continuar praticamente a mesma, aprovam apenas 20 mil.

Hoje, a companhia possui parceria com BV Financeira, que pertence do Banco Votorantim, e diante da crise, pode procurar parcerias com outras, além de continuar ampliando o número de serviços oferecidos, como seguros contra roubos, assistência 24 horas por um ano e garantia de até dois anos. Também devem lançar novos modelos para atender nichos e necessidades dos clientes, o que pode incluir modelos mais baratos no segundo semestre, atualmente, vendem 4 modelos de motos no Brasil e lançarão mais 4.

Já a Motos Remaza, rede de com 10 concessionárias na Grande São Paulo, também afirma que no final do ano, depois que a crise estourou, viu suas vendas caírem drasticamente, em alguns meses até entre 50% e 70%, e acredita que só verá uma recuperação a partir do segundo semestre deste ano.

O grupo fechou o ano passado com cerca de 16 mil motos vendidas e um crescimento de 10% sobre 2007, em faturamento e vendas, mas, para 2009, a projeção agora é de queda de 30%. Porém, começou a sentir uma tímida recuperação nesse mês, já que até o dia 20 de janeiro vendeu o mesmo número de unidades de todo o mês de dezembro.

A rede opera com a marca Honda, a líder do mercado, e relata que a montadora também já tem reduzido sua produção e além de diminuir o repasse de motocicletas. De acordo com o supervisor da Motos Remaza, Carlos Suzuki, o grupo está com bastante estoque desde o final de 2008 e as suas margens de lucro caíram cerca de 20%, 30%, já que estão realizando mais promoções para atrair consumidores e vendendo as motos quase a preço de custo.

Para o supervisor, a principal dificuldade ainda está sendo a liberação de financiamento para os consumidores, já que 90% de suas vendas eram financiadas. “Só agora as financeiras estão voltando a acreditar um pouco mais, mas ainda é muito pouco do perto do que aprovavam antes”, diz. Ele ainda afirma que a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos financiamentos de motocicletas de 3,38% para 0,38%, medida anunciada pelo governo no mês de novembro do ano passado, também não provocou a reação necessária para o mercado se recuperar.

Dados apurados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) comprovam que mesmo nesse início de janeiro, a recuperação do mercado de duas rodas ainda está bem mais lenta, já que na primeira quinzena deste mês foram vendidas 67.231 unidades de motos, o que é 11,31% menos do que o vendido no mesmo período de 2008. Se o segmento também comparar o resultado da primeira quinzena deste mês com a primeira quinzena de dezembro, ainda terá contabilizado um declínio de 2,64% nas vendas. Já os autos e comerciais leves já registraram um crescimento de 9,15% nos primeiros 15 dias de janeiro frente a dezembro.

Carros

Já no mercado de automóveis, a BV Financeira está promovendo um evento no qual quer financiar 1 mil carros no estacionamento do Shopping Metrô Itaquera, na zona leste de São Paulo. A ação ocorrerá nesse fim de semana contará com carros seminovos de diferentes modelos e marcas. De acordo com a empresa, será oferecido financiamento em até 60 vezes, com parcelas fixas.

A meta é aproveitar o período e o fluxo do shopping. “O fato de o Shopping Metrô Itaquera trabalhar com um fluxo de 180 mil pessoas nos finais de semana significa uma grande expectativa de vendas”, disse o diretor comercial de Veículos da BV Financeira, Didimo Santana Fernandes.

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