Combustível doméstico sobe 662% desde 1994

O grupo "combustível doméstico" - que reúne gás natural encanado, gás de butijão (GLP) e carvão vegetal - acumulou uma inflação no período de 662,84%, quase três vezes a taxa do IPCA no mesmo intervalo, de 237,44%

Demanda cria fila para comprar carros
Primeiro óleo do pré-sal jorrou no Parque das Baleias, no Espírito Santo
Projeto susta resolução do Contran sobre registro de multas

A série histórica do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde julho de 1994 até dezembro de 2008, compreendendo todo o Plano Real, traz algumas curiosidades. Entre as mais de 30 categorias de produtos e serviços, chamam a atenção pelo menos dois segmentos. O grupo “TV, som e informática” durante os 14 anos e meio de levantamentos do IBGE vivenciou uma queda de 19,09% nos preços. No sentido diametralmente oposto, o grupo “combustível doméstico” – que reúne gás natural encanado, gás de butijão (GLP) e carvão vegetal – acumulou uma inflação no período de 662,84%, quase três vezes a taxa do IPCA no mesmo intervalo, de 237,44%.

“A deflação dos eletroeletrônicos e informática faz todo sentido”, comenta Mauro Arruda, sócio da Macrotempo Consultoria Econômica e ex-presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Segundo o economista, principalmente nos últimos cinco anos, o Brasil viu sua massa salarial aumentar, assim como o crédito. “Essa combinação resulta em aumento de consumo e chega-se a um aumento significativo da escala”, raciocina. No caso dos computadores, por exemplo, o Brasil quase decuplicou sua produção, que era de 1,3 milhões de unidades em 2002 e deverá fechar este ano, segundo o instituto de pesquisas IDC Brasil, com 12 milhões de unidades. “Os preços caíram, ainda, em função de incentivos fiscais concedidos”, acrescenta o especialista. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) dá conta que antes da Lei 11.196 de novembro de 2005, a alíquota cobrada sobre computadores pessoais chegava a 20,5%. Em 2007, ela chegou a 12,6%.

Valorização do Real

“Há, por fim, a questão da valorização do real”, acrescenta Arruda. A valorização do real frente ao dólar, até meados de 2008, tornou mais barata a importação de chips e demais componentes tanto de televisores como de computadores.

Na Abinee, o fenômeno é explicado, também, pela evolução tecnológica intrínseca do setor. A escala de produção expandiu-se significativamente não apenas no mercado interno, onde estão as montadoras dos produtos da categoria TV, som e informática como, ainda, globalmente nas fábricas de origem dos componentes, o que permite a queda nos seus preços, os quais tem sido incorporados pelas indústrias brasileiras.

COMMENTS