Uma política para tornar o transporte mais seguro

Os desafios para fazer com que a carga transportada chegue segura ao destino final são muitos e exigem que as seguradoras invistam em meios para proteger tanto a operação em si quanto aqueles que com ela lidam

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O segmento de transportes está entre os que mais demandam cuidados e responsabilidades por parte do mercado segurador. Os desafios para fazer com que a carga transportada chegue segura ao destino final são muitos e exigem que as seguradoras invistam em meios para proteger tanto a operação em si quanto aqueles que com ela lidam.

Os principais problemas enfrentados pelo setor no Brasil são “velhos conhecidos”: estradas precárias, acidentes e roubo de cargas. Segundo o último Boletim Estatístico da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) sobre as condições das rodovias brasileiras, divulgado em abril de 2008, 73,9% da malha rodoviária nacional (que possui mais de 87 mil quilômetros) apresenta situação regular, ruim ou péssima. Asfalto em estado crítico (54,5%), vias sem acostamento (42,5%) e trechos com ondulações ou buracos (12,1%) estão entre os obstáculos mais freqüentes.

Dos poucos trechos avaliados como bons ou ótimos pela pesquisa (26,1%), 77,6% são administrados pela iniciativa privada. O que não significa, necessariamente, mais segurança para as transportadoras. No Estado de São Paulo, por exemplo, que possui mais de 4,2 mil quilômetros de rodovias concessionadas, o número de ocorrências de roubo de carga registrado até o terceiro trimestre deste ano (1.728 casos) já é maior que a quantidade totalizada nos anos de 2007 (1.568) e 2006 (1.459), de acordo com estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Em todo o Brasil, ocorreram 11,7 mil casos de roubo de carga no ano passado, segundo dados da Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística).

Além do prejuízo financeiro (até setembro, as ocorrências de roubo de carga no Estado de São Paulo foram responsáveis pela subtração de mais de R$ 170 milhões em valores, conforme o Sindicato das Transportadoras do Estado (SETCESP), os problemas enfrentados pelo setor de transportes atingem os profissionais que trabalham com a atividade. Conforme levantamento da CNT, 165 motoristas e ajudantes foram assassinados durante ações de roubo entre 1998 e 2003. Entretanto, outro fator preocupante que precisa ser considerado pelas empresas do segmento é a saúde de seus funcionários.

Diversos estudos comprovam essa necessidade. Amostragem feita pela Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, com 1.014 caminhoneiros, apontou que 72% ingerem bebidas alcoólicas com freqüência e, destes, 31% já sofreram algum tipo de acidente devido ao seu uso excessivo. Segundo pesquisa conjunta do Ministério Público, Polícia Rodoviária e Ministério do Trabalho, feita com 122 motoristas do Estado de Mato Grosso, 61% afirmaram dormir menos de cinco horas por noite, devido a jornadas de trabalho que ultrapassam 13 horas diárias. Além disso, o pouco tempo para as refeições e a ingestão excessiva de “petiscos”, massas e carnes gordurosas favorecem o surgimento de doenças cardíacas, aumento da pressão arterial e obesidade.

Garantir proteção às pessoas que trabalham com o segmento de transportes é fundamental para que a atividade se desenvolva. Da mesma forma, se um sinistro não fosse coberto por uma apólice de seguro, geraria grandes prejuízos para as empresas embarcadoras e transportadoras. Assim, um acidente ou problema de saúde com o motorista e outros funcionários também demandam custos extras que oneram ainda mais a atividade, que já é considerada dispendiosa. Dessa maneira, os seguros de transporte assumem uma função social, constituindo-se como meios para evitar que tais ocorrências gerem mais transtornos do que normalmente costumam provocar.

O setor de transportes no Brasil movimenta anualmente mais de R$ 21,5 bilhões, envolve uma frota com cerca de 1,4 milhão de caminhões, pertencentes a cerca de 700 mil transportadores autônomos e emprega 2,5 milhões de pessoas, segundo a CNT.

Portanto, um segmento com potencial tão amplo e que é responsável por transportar itens que impulsionam diversos nichos da economia, precisa de iniciativas que promovam e proporcionem constantemente capacitação, treinamento, segurança e qualidade de vida aos profissionais que nele atuam. Adilson Neri Pereira, diretor de transportes e ramos elementares da Porto Seguro.

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