Shell avança em exploração no Brasil

Com a chegada da plataforma flutuante de produção, estocagem e transferência (FPSO) no Parque das Ostras, no Espírito Santo, em meados deste mês, a companhia amplia sua capacidade produtiva em até 100 mil barris diários

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A Shell, primeira empresa privada a produzir petróleo na bacia de Campos, se prepara para começar a alavancar suas operações na região. Com a chegada da plataforma flutuante de produção, estocagem e transferência (FPSO) no Parque das Ostras, no Espírito Santo, em meados deste mês, a companhia amplia sua capacidade produtiva em até 100 mil barris diários. “A chegada do FPSO Espírito Santo é um marco importante no desenvolvimento do Parque das Conchas. O desenvolvimento do Parque das Conchas é uma iniciativa importante para a comercialização de óleo pesado em águas profundas no Brasil”, comenta Vasco Dias, presidente da Shell Brasil.

A plataforma flutuante levou 35 dias para chegar ao País, após deixar o estaleiro Keppel Fels, em Cingapura, no continente africano. A Shell não informou o valor dos investimentos deste projeto. Na plataforma serão criados 200 postos de trabalho diretos. A venda dos barris de petróleo extraídos dos poços do Parque das Conchas, que está a 110 quilômetros da costa de Vitória, será determinada pela Shell, após análise de mercado, informou a companhia. No início de 2009, a Shell prevê concluir a instalação dos equipamentos submarinos que permitirão o início da produção, previsto para o segundo semestre do ano que vem.

O projeto do Parque das Conchas, de acordo com a Shell, será realizado em duas fases. “A primeira etapa envolve dois campos (Abalone e Ostra) e a zona de produção Argonauta B-West, com nove poços produtores e um poço injetor de gás. A segunda fase terá como foco a zona de produção Argonauta O-North”, informa a petroleira.

Queda no preço do barril – Questionado sobre se a crise financeira e a queda no preço do barril do petróleo podem atrapalhar os investimentos da empresa nesta plataforma, Vasco Dias afirma, em comunicado, que “o projeto não trabalha com cenário de curto prazo e, portanto, o preço do petróleo de hoje não interfere nas decisões da empresa para curto, médio e longo prazo”.

A Shell ressalta, por meio de nota, que o projeto em águas capixabas “apresenta uma série de desafios tecnológicos, em virtude de sua localização em águas profundas” (cerca de 2 mil metros), “reservatórios geologicamente complexos e com baixa pressão, além da predominância de óleo pesado”. “A chegada do FPSO Espírito Santo é um marco importante no desenvolvimento do Parque das Conchas. O desenvolvimento do Parque das Conchas é uma iniciativa importante para a comercialização de óleo pesado em águas profundas no Brasil”, comenta o presidente da Shell no Brasil. A petroleira esclarece ainda que “devido à baixa pressão natural dos reservatórios, o projeto utilizará um sistema de elevação artificial submarina com bombas elétricas de alta pressão para ajudar a impulsionar o óleo para o FPSO”, diz em comunicado.

Ainda segundo a nota, a Shell investiu, nos últimos 10 anos, US$ 2,3 bilhões somente em produção e extração de petróleo e gás natural no Brasil.

O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, considera que os investimentos da Shell no estado chegam em um bom momento. “Em meio a uma crise internacional, com reflexos negativos para o Brasil e para o Espírito Santo, estamos recebendo mais uma boa notícia, que abre novas possibilidades para os capixabas”, diz Hartung, que está em seu segundo mandato.

Estado promissor – O Espírito Santo, estado com pouco mais de 45 mil quilômetros quadrado, é hoje o segundo estado com maior volume de produção de petróleo no País, perdendo apenas para o Rio de Janeiro. E a perspectiva do governo federal é de dar ainda mais visibilidade ao setor no estado capixaba com as descobertas da camada pré-sal.

A nova reserva encontrada em águas ultraprofundas no Espírito Santo soma cerca de 2 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) e está localizada no Parque das Baleias. O campo já produz 13 mil barris por dia e é o primeiro da camada pré-sal a retirar petróleo. A estimativa da Petrobras para este campo é produzir 20 milhões de metros cúbicos de gás natural em 2010 e até 500 mil barris por dia de petróleo em 2015.

O secretário do estado capixaba, Guilherme Dias, destaca que a entrada em produção de mais uma plataforma em águas capixabas consolida o Espírito Santo como o segundo produtor nacional de petróleo. “Além da forte presença da Petrobras como operadora de blocos, temos agora a participação de uma das grandes empresas petrolíferas do mundo operando no nosso litoral”, comenta, para completar: “Num momento de retração de investimentos em todo o mundo, o dinamismo do setor de petróleo e gás natural no Estado tem sido decisivo para manter investimentos e empregos, atraindo fornecedores e prestadores de serviços”.

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