Políticos esquentam debate sobre pacote de ajuda às montadoras

Alguns parlamentares democratas, no entanto, advertiram que a votação poderia ser adiada a qualquer momento

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A Câmara dos Representantes dos EUA deu início ao debate sobre o controverso pacote de resgate financeiro das montadoras que envolve US$ 15 bilhões.

Alguns parlamentares democratas, no entanto, advertiram que a votação poderia ser adiada a qualquer momento. Charles Rangell, deputado democrata do estado de Nova York e um dos parlamentares mais importantes da Câmara, disse a jornalistas que seria difícil concluir a votação ontem. No entanto, é possível que o pacote seja votado pelo Senado ainda nesta semana.

Mesmo que o pacote seja aprovado na Câmara, ainda não está claro se haverá apoio suficiente no Senado. “O trabalho duro bipartidário deu resultados”, disse o senador democrata Carl Levin, de Michigan, região das três grandes montadoras – General Motors, Ford Motor e Chrysler. “Entendo que um acordo foi alcançado”, acrescentou Levin.

Diversos senadores republicanos, porem, já se mostraram contra a aprovação e pelo menos um democrata também afirmou que se opõe ao projeto de lei. Um acordo foi alcançado na última terça-feira entre congressistas democratas e a administração Bush para o socorro financeiro da indústria automotiva. Entretanto, este acordo não conta com o apoio da maioria dos 49 senadores republicanos.

Sob a nova legislação, o governo federal liberaria empréstimos-ponte emergenciais para duas das três maiores montadoras norte-americanas: a General Motors e a Chrysler. A Ford não está solicitando um empréstimo, mas apóia as outras.

Em troca destes recursos, as empresas estariam obrigadas a apresentar amplo plano de reestruturação até o fim de março do próximo ano.O projeto de lei prevê a criação de um “czar dos carros” que será responsável pela supervisão do processo de reestruturação das montadoras. Esta pessoa também terá autoridade para intervir caso as montadoras não entrem em acordo com os sindicatos, fornecedores de autopeças, revendedoras, investidores e portadores da dívida. Se a votação acontecer de fato, espera-se que o projeto passe devido ao tamanho da maioria democrata. Os republicanos da Câmara foram relutantes em admitir a aprovação do pacote. “Nós reconhecemos que o projeto passará”, afirmou David Drier, deputado republicano da Califórnia..

Após encontro de senadores republicanos na tarde de ontem, inúmeros parlamentares republicanos disseram ser contra o projeto de lei da maneira como está e levantaram dúvidas quanto ao apoio da maioria de seus colegas.O vice-presidente Dick Cheney e Josh Bolten, chefe de gabinete da Casa Branca, participaram desta reunião. Foi a primeira vez em que muitos tiveram a chance de conhecer detalhes do pacote.

Líderes republicanos no Senado afirmaram, depois da reunião, que ainda era cedo para determinar o tamanho do apoio entre os senadores republicanos.

Um grupo liderado pelos senadores Bob Corker, republicano do Tennessee, e Richard Shelby, republicano do Alabama, deixou claro ser totalmente contra o pacote de ajuda. Eles defenderam que a indústria deve antes se reestruturar antes para que, então, seja liberado o dinheiro dos contribuintes. Corker está trabalhando na elaboração de versão alternativa do projeto.

O chairman de finanças do Senado, Max Baucus, democrata

de Montana, o chairman democrata do Comitê de Finanças do Senado, anunciou sua oposição ao projeto de salvamento financeiro porque inclui um dispositivo que ele acredita ajudar as agências que tratam do trânsito público a continuarem a se isentar dos pagamentos de impostos.

O senador Charles Grassley, republicano de Iowa, também disse que era contra o mecanismo de economia fiscal e tem outras preocupações quanto ao pacote de salvamento, mas não disse que se opõe ao projeto de socorro. Se a Câmara realmente aprovar projeto de lei de assistência financeira com a bênção da Casa Branca, ela vai colocar pressão considerável sobre o líder da maioria no Senado, Harry Reid, democrataa, e o líder da minoria no Senado, Mitch McConnell, republicano, para que formem super maioria no Senado.

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