Mesmo sem fila, Scania está otimista para 2009

"É difícil ter uma previsão segura para 2009 neste momento de indefinições no mundo, mas o segmento brasileiro de caminhões ainda tem perspectiva de crescer no próximo ano porque os empresários vão precisar renovar a frota de caminhões para reduzir custos", disse Christopher Podgorski, diretor geral da Scania no Brasil

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Apesar das incertezas sobre o tamanho do mercado automotivo no próximo ano, mesmo assim a Scania está confiante na manutenção do ritmo de produção e do nível de emprego na sua fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. “É difícil ter uma previsão segura para 2009 neste momento de indefinições no mundo, mas o segmento brasileiro de caminhões ainda tem perspectiva de crescer no próximo ano porque os empresários vão precisar renovar a frota de caminhões para reduzir custos”, disse Christopher Podgorski, diretor geral da Scania no Brasil. Hoje a idade média da frota da caminhões no País está entre 15 a 16 anos.

Podgorski disse que a Scania não vai se desesperar com a crise mundial e nem tomar atitudes precipitadas com relação a demissões de funcionários no País. “Vamos aproveitar ao máximo a nossa força de trabalho que já está treinada”, afirmou o executivo. Mundialmente, a Scania trabalha com 20% da sua força de trabalho flexível, mantendo em suas fábricas empregados contratados, estudantes e profissionais temporários.

No Brasil a montadora sueca mais que quadruplicou a produção de veículos comerciais nos últimos seis anos – passou de 4.880 unidades em 2002 para 21 mil unidades em 2008 – e, para atender a surpreendente demanda que se manteve forte no País até setembro, teve de implantar o terceiro turno na linha de usinagem. Expediente, que segundo Podgorski, deverá ser mantido em 2009.

Para garantir o bom desempenho das vendas de caminhões e ônibus no País em 2009, a Scania vai colocar em operação no primeiro trimestre o seu próprio banco – Banco Scania – para complementar os serviços de financiamentos que são feitas atualmente pelo Bradesco, ABN Amro, Unibanco e Banco do Brasil. A intenção da empresa, segundo Podgorski, é que o banco da empresa chegue a 20% de participação nos financiamentos de veículos da marca. “Vamos continuar operando com a linha Finame, que financia 80% do valor do veículo em até 60 meses”, disse o diretor da Scania.

Apesar da forte retração dos negócios no mercado brasileiro a partir de outubro, por causa da crise financeira global, a Scania conseguiu bons resultados em 2008. Até novembro a empresa vendeu 7.447 caminhões no País, o melhor resultado desde que a montadora se instalou no País há 51 anos. Em outubro a montadora teve seu primeiro recorde histórico mensal mundial, com a venda de 1.083 caminhões pesados, volume 35% maior que outubro de 2007 e 54% acima de setembro deste ano. Em 2008, a estimativa é de 8 mil caminhões veículos, volume 23% a mais que em 2007 (6.505 unidades)

Podgorski afirmou que, com a retração da demanda, a empresa conseguiu normalizar a fila de espera no Brasil. O prazo de entrega do caminhão 6×4 e 8×4 – modelos mais caros que são destinados para o mercado canavieiro, de mineração e construção civil – a fila era de 180 dias. Já para o modelo 4×2 o tempo de entrega chegou no primeiro semestre a 90 dias.

Para 2009, a Scania tem encomendas bastante consistentes, segundo Podgorski. “Apenas uma empresa postergou seus pedidos por três meses, mas isso não causou problemas para empresa porque os produtos ainda não foram colocados em produção”, disse o diretor.

A Scania vai dar férias coletivas aos seus empregados no período de 15 de dezembro a 18 de janeiro. “Com a parada a empresa fará manutenção nas máquinas, ajustará banco de horas e adequará a produção à demanda do mercado”.

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