GM demorou a reconhecer erros e o declínio, afirma especialista

"A GM está num processo de declínio há 30 anos e, no entanto, não abandonava sua postura de arrogância", disse Ferro, para quem o destino da montadora norte-americana ainda é incerto

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“A autocrítica e o pedido da General Motors chega muito tarde.” A opinião é do professor José Roberto Ferro, presidente do Lean Institute Brasil, organismo que tenta disseminar os métodos de produção da Toyota entre industriais no Brasil. “A GM está num processo de declínio há 30 anos e, no entanto, não abandonava sua postura de arrogância”, disse Ferro, para quem o destino da montadora norte-americana ainda é incerto. “A empresa precisa rever todo o seu conceito, desde o relacionamento com o fornecedor ao cliente, para conseguir sobreviver em um mundo que mudou e a GM não se deu conta”, disse.

A GM emitiu um comunicado ontem com uma franqueza incomum, admitindo ter “decepcionado” e às vezes até “traído” os consumidores norte-americanos em meio ao lobby para garantir a ajuda federal que precisa para se manter ativa no próximo mês. Até sexta-feira, o Congresso dos EUA pode aprovar a liberação de verbas. “Ainda que continuemos sendo a líder de vendas nos Estados Unidos, reconhecemos ter desapontado vocês”, diz o anúncio. “Às vezes quebramos a confiança de vocês ao deixar nossa qualidade cair abaixo dos padrões do setor, e nossos designs se tornaram sem brilho.” A carta aberta, “Compromisso da GM com o povo norte-americano”, foi publicada no jornal Automotive News.

A mensagem vem também no momento em que Rick Wagoner, presidente-executivo da empresa desde 2000, enfrenta cada vez mais pressão para deixar a companhia, que pede até US$ 18 bilhões em ajuda federal.

Para Ferro, a GM tem a tradição de ser dirigida por homens de finanças, como Wagoner, que já presidiu a GM do Brasil. Diante dos fracassos do executivo em tentar reerguer a empresa e não dispor de um plano estratégico, Ferro acredita que dificilmente Wagoner se manterá no cargo. “Homens de finanças tendem a se apegar a resultados e não dão importância a uma estratégia global para a sobrevivência do negócio”, afirmou Ferro.

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