Exportações e importações têm forte desaceleração

Os números da balança em novembro ficaram abaixo das expectativas do governo. A comparação com o desempenho de outubro mostrou quedas de 12,3% nas exportações e de 16,5% nas importações

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A valorização do dólar, a queda do preço do petróleo, a diminuição dos embarques de minério de ferro e os prejuízos causados pelas enchentes em Santa Catarina contaminaram os números da balança comercial em novembro e fizeram o governo admitir a possibilidade de não alcançar a meta de US$ 202 bilhões para as exportações em 2008. Esses fatores, somados à redução da demanda provocada pela crise internacional, também deram um tom pessimista às perspectivas do comércio exterior no primeiro semestre de 2009.

Os números da balança em novembro ficaram abaixo das expectativas do governo. A comparação com o desempenho de outubro mostrou quedas de 12,3% nas exportações e de 16,5% nas importações. Isso ocorreu justamente num mês em que, tradicionalmente, as importações sobem. Segundo o secretário, esse é o efeito da valorização do dólar. A queda no preços das commodities também influenciou. De 23 commodities acompanhadas pela Secex, 17 registraram recuo de preços de exportação entre outubro e novembro. O preço da soja em grão caiu 13%, o da gasolina, 47%, e semimanufaturados de aço, 24%. O volume também recuou, na mesma comparação, em 13 dos itens, mas em alguns casos esse movimento é sazonal. O mês passado teve saldo de US$ 1,61 bilhão, resultado de exportações de US$ 14,75 bilhões e importações de US$ 13,14 bilhões.

Além da queda em relação a outubro, o resultado do comércio exterior em novembro mostrou forte desaceleração em relação ao movimento no acumulado do ano. No ano, as exportações acumulam alta de 25,2% pelo conceito de média diária, ritmo que ficou em apenas 5% em novembro em relação a igual mês de 2007. Nas importações, a alta de 46% no acumulado do ano cedeu para um crescimento de apenas 9,2% no mês.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, avaliou que, em 2008, as exportações chegarão, certamente, a US$ 200 bilhões, mas não garantiu o cumprimento da meta de US$ 202 bilhões. Para ele, a redução de demanda em alguns produtos importantes como laminados de aço pode afetar a balança comercial no próximo ano. “Ainda é cedo para dizer que as exportações em 2009 serão menores que as deste ano. Isso vai depender do segundo semestre. O primeiro semestre deve ser muito difícil. Esperamos, com o processo de maior liberalização comercial, que o segundo semestre seja melhor. Provavelmente, o primeiro semestre do ano que vem será pior que o mesmo período deste ano”, disse.

As vendas de novembro foram prejudicadas, segundo ele, por três fatores: queda de 35% no preço do petróleo, redução de 26% nas quantidades de minério de ferro embarcadas – disputa contratual entre a Vale e a China – e a paralisação dos portos de Santa Catarina. O governo esperava que novembro tivesse exportações de US$ 16,49 bilhões, mas contabilizou US$ 1,74 bilhão a menos. O cálculo do governo considera que a queda de 35% na cotação do petróleo subtraiu US$ 600 milhões das vendas. A redução dos embarques de minério de ferro foi responsável por uma redução de US$ 490 milhões nas exportações do mês passado. Na calamidade que atingiu Santa Catarina, as perdas da balança foram de US$ 370 milhões.

A expectativa oficial de importar US$ 17,3 bilhões em novembro também foi frustrada em US$ 4,16 bilhões. O governo atribuiu à valorização do dólar a queda de 39% nas compras de matérias-primas e intermediários, avaliadas em US$ 1,63 bilhão. Houve redução de 36% no preço e na quantidade importada de petróleo, estimada em US$ 1,49 bilhão. Também foram computadas quedas de 17% na importação de bens de capital (US$ 695 milhões) e de 8% nas de bens de consumo (US$ 285 milhões), sempre na comparação com outubro. A paralisação dos portos em Santa Catarina afetou as importações em US$ 170 milhões.

Barral disse que o aumento do dólar compensou, em parte, as quedas de cotações de commodities, com exceção de petróleo e minério de ferro. “A tendência de queda nas cotações das commodities não estancou, tem relação direta com a crise. As commodities agrícolas tendem a uma queda mais suave e mais prolongada”, afirmou. Por outro lado, a excessiva volatilidade do câmbio, a partir de setembro, vem atrapalhando o fechamento de contratos de exportação e importação.

Além da crise internacional que trará dificuldades em 2009, Barral afirmou que as exportações do agronegócio preocupam. As enchentes em Santa Catarina paralisaram o Porto de Itajaí, considerado importante para as exportações. Rodovias foram destruídas, há mais de 3 mil caminhões parados e um gasoduto foi interrompido.

O governo já liberou R$ 350 milhões e acredita que, em um mês, o Porto de Itajaí deverá operar com metade da capacidade. Esse porto responde por 4% das exportações do país, sendo que passam por ele 60% das vendas externas de maçãs, 32% das exportações de compressores, 30% dos embarques de carnes, 26% das vendas de móveis, 22% de fumo e 21% de cerâmicos.

O secretário calcula que, em dezembro, a queda da cotação do petróleo vai tirar entre US$ 600 milhões e US$ 1 bilhão da balança comercial. “O governo está preocupado e adotando medidas para aumentar o crédito, o que é importante para a exportação de commodities. Em segundo lugar, precisa resolver questões logísticas, principalmente no Sul. O terceiro ponto é abrir novos mercados porque os tradicionais serão mais difíceis no ano que vem”, disse.

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