Crise faz despencar consumo de diesel

A venda de óleo diesel voltada para a indústria exportadora despencou, mas o consumo de álcool continua crescendo, de acordo com o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom)

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O consumo de combustíveis no fim deste ano evidenciou o descompasso entre a economia brasileira e o resto do mundo. A venda de óleo diesel voltada para a indústria exportadora despencou, mas o consumo de álcool continua crescendo, de acordo com o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom).

Cerca de um bilhão de litros de diesel deixaram de ser consumidos em novembro, em relação ao mesmo mês do ano passado. A queda, de 3,3%, ocorre no momento em que as vendas mensais cresciam num ritmo médio de 7%. “Temos informações de uma forte diminuição do consumo de diesel nas rotas de exportação. Nas ferrovias, a redução é fortíssima”, afirmou o vice-presidente-executivo do Sindicom, Alísio Vaz.

De acordo com as distribuidoras, as vendas do derivado despencaram nas principais rodovias que levam aos portos, como a Via Dutra, a estradas nas redondezas dos portos de Santos e Paranaguá.

Sozinha, a venda de gasolina caiu 2,8% em novembro, enquanto a venda de etanol cresceu 17,7%. Juntas, as vendas de gasolina e álcool cresceram 2,7% no mesmo período. “Não se percebeu ainda queda nas vendas do mercado doméstico”, afirmou Vaz. O presidente do Sindicom, Leonardo Gadotti, disse que as previsões para 2009 são de manutenção das vendas. “Vamos depender do desempenho da economia”, completou.

As projeções do Sindicom indicam vendas de 76,3 bilhões de litros de combustíveis em 2008 entre as distribuidoras que representam 80% do mercado. É o maior volume desde 1997. Se o restante do mercado seguir os mesmo passo das grandes revendedoras, o consumo total de derivados no País ultrapassará 96 bilhões de litros neste ano. O crescimento de 8,8% do mercado de combustíveis como um todo é recorde.

Além do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a obrigatoriedade de nota fiscal eletrônica e outras medidas de combate às fraudes no setor contribuíram para as estatísticas do segmento de derivados de petróleo, de acordo com os representantes das distribuidoras.

As recentes fusões e aquisições no setor de combustíveis ainda não causaram mudanças significativas no market share. A compra da Ipiranga pelo Grupo Ultra e Petrobras reforçou a participação da BR Distribuidora, que passou de uma participação de 33,6% das vendas em 2007 para 36,1% em 2008. A parcela da maior empresa do setor deve passar de 38% do mercado, mas só no próximo ano, quando completar um ano de aquisição. A Ipiranga, que foi repartida entre a BR e o grupo Ultra, deve passar dos atuais 14% de participação para 12% no próximo ano. Em 1997, a parcela no setor era de 16,6%. Já a Shell manteve a presença de 12,8% nas vendas, na frente da Texaco (7,5% de market share) e Esso (7,5%).

Outras distribuidoras, que não compõem o Sindicom, já possuem 20,2% do mercado. São empresas, na maioria dos casos, impulsionadas pelas vendas de etanol. O combustível continua ganhando mercado da gasolina: as vendas dispararam cerca de 50% neste ano. O volume é comparável ao início dos anos 90, quando o governo incentivou a produção dos usineiros. De acordo com as distribuidoras, 91% dos automóveis vendidos atualmente são bicombustíveis – do tipo flex fuel.

Já o consumo de gás natural veicular (GNV) recuou 5,2% no mercado brasileiro, pressionado pela política de aumento de preços da Petrobras. A escassez da matéria-prima forçou a companhia a equilibrar a demanda.

O consumo de óleo diesel cresceu 6,4% em 2008, de acordo com projeções do Sindicom. Vinte e oito bilhões de litros devem ser consumidos até o final do ano, volume que representa mais de 48% de toda a venda de derivados. A Vale do Rio Doce é o maior consumidor de diesel do País.

A entrada dos bicombustíveis no mercado ainda é tímida e responde por 1,3% de todo o consumo brasileiro. Representantes do setor temem que a venda de bicombustível pela Petrobras não esteja sendo misturada no diesel, mas sim indo parar nas usinas novamente para a revenda mais cara à estatal. “É o que ouvimos por aí, não temos provas disso”, disse Vaz.(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 1)(Sabrina Lorenzi)

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