Construir veículos é negócio de alto risco

Há um grande debate nos EUA sobre se vale a pena socorrer os fabricantes sediados em Detroit. A Ford está mais capitalizada, mas como admitiu, seria arrastada no caso de derrocada dos vizinhos

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O empréstimo do governo americano e também do canadense à GM e à Chrysler trouxe alento não apenas aos consumidores locais. A crise se ampliou para todos os países. Há um grande debate nos EUA sobre se vale a pena socorrer os fabricantes sediados em Detroit. A Ford está mais capitalizada, mas como admitiu, seria arrastada no caso de derrocada dos vizinhos.

Do ponto de vista racional trata-se de uma conta de chegar, segundo analistas. Negar o apoio custaria quatro vezes mais caro aos contribuintes pelos reflexos em cadeia no nível de atividades e de empregos. Em toda a história centenária da indústria, apenas a Chrysler recebeu fundos do governo há cerca de 30 anos Safou-se e pagou o que devia antes do prazo.

Por trás desse imbróglio está briga política entre senadores evidenciada pelo Edmunds, um dos maiores grupos da internet no ramo automobilístico dos EUA. Destacou que estados contrários à ajuda injetaram bilhões dos impostos para atrair fabricantes estrangeiros, sem representação sindical. Acrescentou: consultorias condenam apoio à indústria, mas são as mesmas que davam indicações sobre a boa saúde dos bancos. E fulminou, afirmando que escritórios de advocacia só aconselham a concordata de olho nos fabulosos honorários.Sem dúvida, os três grandes cometeram inúmeros erros. A própria GM publicou um manifesto de humildade admitindo que negligenciou a qualidade e o estilo dos seus carros, apostou demais em picapes e utilitários, além de possuir marcas e concessionárias em excesso. Cortará benefícios e pagará os empréstimos até 2011. O problema será convencer os sindicatos de que não poderá continuar a pagar sozinha todos os salários nas fábricas fechadas, planos de pensões e de saúde. Aliás, teoricamente, obrigações em parte de responsabilidade do governo, que economizou por décadas…

Fato inegável é a interdependência dos mercados e dos fabricantes. Nenhuma marca escapará de sofrer prejuízos. Construir veículos é um negócio de alto risco porque o consumidor muda de idéia mais rápido do que a capacidade de reação. Agora mesmo, o badalado híbrido Toyota Prius entrou em parafuso porque, além da conjuntura, o preço da gasolina caiu tanto nos EUA que inviabiliza seu custo/km rodado. Não há compradores ecológicos suficientes para manter a demanda.

A Toyota desmentiu a notícia de que havia suspendido o investimento para a fábrica nova no Brasil. O grupo pode ter cogitado, mas o tirocínio oriental falou mais alto.

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