Chrysler contrata escritório de concordatas

O escritório foi contratado há semanas para ajudar a montadora deficitária a se preparar para um possível pedido de proteção do Chapter 11 da legislação norte-americana

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A Chrysler contratou o proeminente escritório de advocacia de Jones Day para aconselhá-la quanto a um processo de pedido de concordata, de acordo com várias fontes familiarizadas com a questão, apurou o The Wall Street Journal.

O escritório foi contratado há semanas para ajudar a montadora deficitária a se preparar para um possível pedido de proteção do Chapter 11 da legislação norte-americana.

A medida da Chrysler sugere que a montadora está se preparando para um colapso financeiro iminente caso seus esforços para persuadir o Congresso a liberar dinheiro dos fundos de resgate federal não atinja o alvo. A Chrysler, cuja proprietária majoritária é companhia de investimentos em private equity Cerberus Capital Management, diz que precisa de uma injeção de capital de US$ 7 bilhões antes do final do ano.

Corinne Ball, co-diretora de reestruturação do Jones Day está tratando do caso, disseram essas fontes. Ela tem trabalhado em outros casos de concordata da indústria automotiva como aquela da fornecedora de autopeças Dana e em muitos casos envolvendo o United Auto Workers (UAW), sindicato dos trabalhadores. Ela representou a General Motors na aquisição da montadora coreana Daewoo.

A Chrysler teve discussão preliminar com a GM para uma fusão, mas as conversações foram colocadas em espera, visto que a recessão piorou e a situação financeira ficou calamitosa. Em depoimento no Senado, o principal executivo da Chrysler, Robert Nardelli, disse que aceitaria fusão forçada com a GM como condição para resgate financeiro federal. Autoridades céticas em fornecer fundos de resgate perguntaram a Nardelli por que a Cerberus não injeta mais recursos.

Votação no Congresso

Senadores e deputados do Partido Democrata disseram que esperam trazer o tema a debate nesta semana. Contudo, a aprovação do pacote pelo Senado permanece uma dúvida, segundo alguns parlamentares. O republicano Jeff Sessions disse que tem “dúvidas se irá passar, mas está muito mais perto do que estava” quando as montadoras pediam US$ 34 bilhões.

O senador Richard Shelby apóia a votação de um filibuster, tática que interrompe o processo normal do Parlamento para permitir debates sem prazo para terminar. São necessários 60 votos para terminar um filibuster.

“Acho que precisamos debater e é isso o que os filibusters permitem, e esta seria uma boa semana para um”, disse Shelby, que ontem chamou o socorro às montadoras de “empréstimo-ponte para lugar nenhum”.

O presidente do Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos, Chris Dodd, um dos que está articulando o texto do pacote, alertou que um filibuster “pode ser o fim” dos esforços para ajudar as montadoras antes da próxima sessão do Congresso, em janeiro.”Mesmo que as pessoas não gostem da idéia, nenhum de nós quer acordar no dia 1º de janeiro e descobrir que não temos uma indústria para salvar”, disse Dodd.

“A última coisa que queremos ver é a indústria automobilística desaparecer”, disse Barack Obama, em entrevista na televisão. Contudo, ele acrescentou que qualquer empréstimo ou ajuda deve ser atrelada à reestruturação das companhias.

Pode-se argumentar que,. mesmo vivendo tempos de fortes desafios, GM e Ford souberam espalhar operações ao longo do mundo, condição que a Chrysler tentou mas não persistiu.

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