Autopeças venderão no exterior para compensar a queda interna

Com volume de encomendas 35% menor para o primeiro mês de 2009, em comparação a janeiro deste ano, a Dyna já começa prospectar novos negócios no mercado europeu, mais especificamente na Bélgica e na Alemanha

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A Eletromecânica Dyna, fabricante brasileira de limpadores de pára-brisa, e a TMD Friction, produtora alemã de pastilhas e lonas de freios, planejam aumentar suas vendas no exterior no próximo ano, para compensar a retração do mercado brasileiro.

Com volume de encomendas 35% menor para o primeiro mês de 2009, em comparação a janeiro deste ano, a Dyna já começa prospectar novos negócios no mercado europeu, mais especificamente na Bélgica e na Alemanha. “Vamos aproveitar o vácuo deixado pelas grandes empresas que estão quebrando ou se fundindo na Europa e passar a fornecer os produtos brasileiros para as montadoras de caminhões, segmento ainda pouco explorado pelos chine-ses”, disse Celso Liberal, diretor comercial da empresa. A estimativa da Dyna é atender quatro montadoras de caminhão no exterior até o final de 2009.

A fabricante brasileira de limpadores de pára-brisa já tem sua marca reconhecida no mercado europeu, para onde exporta desde 1983. Neste ano a empresa realiza seu quarto fornecimento para um só cliente naquele mercado, a Aldi, maior distribuidor de peças na Alemanha. Serão enviados neste mês 1 milhão de peças de uma só vez. “Vamos tentar desviar 10% da nossa produção para a exportação no próximo ano”, disse o diretor da Dyna.

Novas decisões

Até outubro a Dyna vinha trabalhando num ritmo intenso para atender o grande volume de pedidos das montadoras. Na sua fábrica de Guarulhos (SP), em alguns momentos, a empresa teve que recorrer ao terceiro turno para dar conta da forte demanda. Só para abastecer as montadoras produzia de 50 mil a 55 mil peças por dia. É um volume que a empresa fazia há quatro anos para atender todo o mercado brasileiro (que inclui reposição e as concessionárias) e as exportações. Hoje a Dyna utiliza dois turnos e meio de trabalho. Já dispensou os funcionários temporários e aguarda com expectativa a reação do mercado automotivo no próximo ano para tomar novas decisões. “O cenário atual ainda está muito incerto”, diz Liberal.

Planos de exportação

A TMD Friction também está revendo as estratégias da unidade brasileira para 2009. “Estamos observando como vai se comportar o mercado mundial para decidir as novas estratégias de exportação”, disse Feres Macul Neto, diretor-presidente da empresa no Brasil.

Apesar das dúvidas sobre o futuro do setor automotivo mundial, a companhia alemã ainda acha que a crise terá menor intensidade no Brasil em comparação aos demais países. “A empresa já está colocando em prática muitas ações para reduzir custos e manter a competitividade da fábrica brasileira”, disse Macul Neto.

A fábrica da TMD Friction, que está localizada em Indaiatuba, no interior de São Paulo, destina 40% da sua produção para exportação, o que inclui vendas diretas para as montadoras de automóveis e caminhões, vendas intercompany e mercado de reposição. Dos 60% que ficam no mercado brasileiro, 25% vão para as montadoras e 35% para reposição. No Brasil, o principal concorrente da empresa é a Fras-le, fabricante de pastilhas de freio do grupo Randon.

Assim como a Dyna, a TMD Friction, também ajustou a produção da sua fábrica de Indaiatuba à nova demanda do mercado. “Já estamos com número suficiente de empregados para atender à nova realidade do setor. Desde junho não renovamos os contratos temporários, as demissões não foram repostas e as horas extras foram canceladas”, disse o diretor-presidente da empresa.

Ao contrário do ano passado, quando os empregados da produção trabalharam na véspera de Natal e Ano Novo, neste ano a TMD entrou em férias coletivas do dia 23 deste mês até 5 de janeiro, exceto para os funcionários da linha de reposição, que está com demanda forte em toda a América do Sul. “A retração de 10% nas encomendas para o início de 2009 está sendo compensada pelo aumento da demanda do mercado de aftermarket em toda a América do Sul”, disse o executivo da TMD.

Para a TMD, o primeiro semestre de 2009 será bastante difícil. “Estamos nos preparando para viver esta dificuldade”, disse Neto. Sua previsão é que o setor automotivo volte a crescer em 2010.

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