Por que o avião não pousou?

Arremetidas ou vôos alternados são mais heróis do que vilões

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Não existe algo mais frustrante para o usuário do transporte aéreo do que uma arremetida, principalmente quando o seu vôo acaba pousando em um aeroporto alternativo. Fatos como estes geram desde contratempos até a revolta dos usuários. Afinal, por que o avião não pousou? O que é um “aeroporto fechado”? Para entender os incontáveis fatores que impossibilitam uma aproximação precisamos, primeiramente, conhecer os procedimentos e infra-estrutura necessários para ela.

Basicamente, para uma aeronave efetuar um procedimento de aproximação e pouso é necessário que a tripulação, a aeronave e o aeroporto sejam homologados para tal operação e as condições meteorológicas estejam dentro dos mínimos determinados. Caso falte um destes itens, aquele procedimento não poderá ser iniciado ou, caso as condições mudem ao longo da aproximação, uma arremetida deverá ser realizada.

Os procedimentos de aproximação vão desde a aproximação visual, primeira forma que um piloto aprende em suas lições de vôo, até aproximações baseadas em instrumentos (o que requer treinamentos especiais). As empresas aéreas comerciais operam preferencialmente aproximações por instrumentos, por se tratarem de um método mais preciso. Existem vários procedimentos distintos de aproximações por instrumentos, mas podemos dividi-las em dois grandes grupos: as de precisão e as de não-precisão.

Aproximações de não-precisão são procedimentos que necessitam de valores de mínimos meteorológicos maiores de teto (altura da base da camada de nuvens) e visibilidade, se comparados aos mínimos meteorológicos das aproximações de precisão. As aproximações de não-precisão mais comuns são baseadas em estações de rádio-navegação no solo (antenas tipo NDB ou VOR) ou em receptores GPS. Esta última categoria traz grandes vantagens para a navegação aérea: além de uma maior acuracidade, os procedimentos GPS de não-precisão não necessitam de nenhum auxílio de terra (o que barateia sua implementação e manutenção) e geralmente tem mínimos meteorológicos mais baixos do que os procedimentos NDB ou VOR.

As aproximações de precisão mais comuns são os chamados ILS (Instrument Landing System – Sistema de Aterrissagem por Instrumento). São antenas de rádio-navegação que guiam as aeronaves nos planos horizontal e vertical. Existem diferentes categorias de ILS, dependendo da precisão do equipamento. No Brasil, os mais comuns são os ILS de categoria I, porém alguns poucos aeroportos são equipados com o equipamento categoria II. Neste caso, a aeronave e a empresa aérea deverão estar homologadas, os seus tripulantes treinados para esta operação e os equipamentos de solo funcionando com precisão.

Todo procedimento de aproximação por instrumentos tem uma altitude de decisão, na qual o piloto deverá avistar a pista. Caso isto não seja possível, uma arremetida é mandatória, pois a aproximação não poderá ser efetuada com segurança a partir daquele ponto sem referências visuais com o solo. Portanto, apesar de como é tratada pela mídia e entendida pelo publico em geral, a arremetida é um procedimento normal e, no entendimento do piloto, a ação mais segura a ser tomada.

Toda vez que um ou mais requisitos para uma aproximação estão abaixo dos mínimos requeridos, costuma-se dizer que o aeroporto está fechado. Vale lembrar que, quando existe uma degradação dos equipamentos (de solo ou das aeronaves), elevam-se os valores de mínimos meteorológicos, dificultando as operações. Isto acaba causando arremetidas, vôos alternados e atrasos.

Apesar dos problemas trazidos aos usuários, vôos alternados ou procedimentos de arremetida visam, primeiramente, a segurança das operações. Os atrasos encarados por muitos como incompetência e/ou descaso das empresas aéreas, muitas vezes foram causados por se primar pela segurança, acima do lucro ou da pontualidade.

Dan Guzzo, Piloto Comercial desde 1998
danguzzo@transportabrasil.com.br

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