Agronegócio e montadoras vão frear economia do PR

A crise internacional e a queda dos preços das commodities agrícolas devem afetar o Produto Interno Bruto (PIB) do estado no próximo ano

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Depois de um período de forte crescimento, acima inclusive do desempenho nacional, a economia do Paraná vai enfrentar tempos difíceis em 2009. A crise internacional e a queda dos preços das commodities agrícolas devem afetar o Produto Interno Bruto (PIB) do estado no próximo ano. Para 2008, mesmo com os reflexos do choque global, a previsão do Ipardes é de um incremento de 5,8%, contra uma projeção de 5,2% para o Brasil. ‘Em 2009 não vamos crescer nessa mesma proporção’, adianta Julio Suzuki, pesquisador do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

O instituto não faz estimativas para o próximo ano, mas alguns analistas acreditam que o crescimento do PIB do Paraná possa cair de 5,8% para níveis próximos de 3% no ano que vem. ‘Não existe país nem estado blindado contra a crise’, acrescenta Suzuki. O Paraná encerrou 2007 com um PIB – a soma de todas as riquezas produzidas em um ano – de R$ 145,6 bilhões.

Para o economista Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do departamento de ciências econômicas da Unifae, o cenário é ainda pior. ‘Em 2009, o Paraná vai crescer menos do que o Brasil’, prevê. A crise prejudica setores-chave para a economia do estado, como agricultura, construção civil e indústria automobilística. A queda no preço das commodities agrícolas reduz a renda do campo, com reflexo no comércio e no setor de serviços no interior do estado. Nos últimos anos, graças aos recordes de preços de commodities, o poder de consumo dobrou de tamanho nos municípios com economias atreladas ao agronegócio.

Segundo Carlos Augusto Albuquerque, assessor da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o dólar forte não será suficiente para compensar a baixa cotação dos produtos no mercado internacional. ‘Além disso, temos estoques elevados. No caso do milho, por exemplo, há 6 milhões de toneladas dessa safra que estão nos armazéns. E não sabemos como será a demanda para 2009.’

As indústrias automobilística e de eletrodomésticos, cujas vendas dependem principalmente de financiamentos, já vêm tombando com a escassez de crédito no mercado. A fabricante de caminhões Volvo demitiu 430 pessoas na fábrica de Curitiba na semana passada. As montadoras Volkswagen e Renault, com fábricas em São José dos Pinhais, região metropolitana da capital, já concederam férias coletivas. A Electrolux, que faz eletrodomésticos de linha branca em Curitiba, demitiu 50 pessoas. ‘Esses setores já começaram a sentir os efeitos da crise neste ano, que deverão se manter em 2009’, diz Roberto Zurcher, economista do departamento econômico da Fiep.

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