Real desvalorizado afeta setor aéreo, dizem analistas

Mesmo com recomendação de compra para os papéis da TAM e Gol, a Tov Corretora prevê que ambos os resultados venham ruins. A projeção é que a primeira registre lucro de R$ 70 milhões, mas com efeito do câmbio esse número pode chegar a R$ 10 milhões

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Se por um lado, o recuo nos preços do petróleo no mercado internacional poderia elevar os resultados trimestrais, por outro, a desvalorização do real frente ao dólar poderá fazer com que os resultados das empresas do setor de aviação não venham positivos. A afirmação é de André Melo, analista da Tov Corretora.

Mesmo com recomendação de compra para os papéis da TAM e Gol, a Tov Corretora prevê que ambos os resultados venham ruins. A projeção é que a primeira registre lucro de R$ 70 milhões, mas com efeito do câmbio esse número pode chegar a R$ 10 milhões. Já a estimativa para o balanço da segunda é que fique negativo em R$ 130 milhões. Com efeito do câmbio, o prejuízo da Gol pode chegar a R$ 180 milhões.

“A crise contribui nas perspectivas ruins para os balanços do setor, em função do efeito cambial, já que o leasing dos aviões de ambas as companhias aéreas é pago em dólar. Além disso, a dívida delas é na moeda estrangeira”, diz André Melo.

Já na visão de Clodoir Vieira, economista-chefe da Corretora Souza Barros, os resultados da TAM e da Gol deverão apresentar uma melhora em função do recuo nos preços da matéria-prima. Por outro lado, a aérea será pouco afetada em relação a alta do dólar. “A expectativa é que os resultados trimestrais melhorem ligeiramente em função da queda do petróleo”, diz.

De acordo com a projeção da Corretora Souza Barros – feita em agosto- a Gol deverá encerrar este ano com prejuízo líquido de aproximadamente R$ 493 milhões. Já a TAM poderá fechar o ano de 2008 com lucro em torno de R$ 91 milhões.

“Acredito que a crise não afete ainda os dados do terceiro trimestre, porque as turbulências se intensificaram no mês passado. No primeiro momento teve um agravamento financeiro e agora está na economia doméstica. Os impactos maiores serão sentidos nos resultados do quarto trimestre”, ressalta Clodoir Vieira.

O analista da Tov Corretora compartilha a mesma opinião de que o impacto maior dos efeitos da crise será entre setembro e dezembro. “Para este trimestre, os dados também serão negativos com certeza”, destaca. (Déborah Costa – InvestNews)

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