Oscilações de mercado dificultam o ajuste da produção à demanda

De acordo com a Anfavea, montadoras e revendas de veículos tinham em estoque no final de outubro 297,7 mil veículos novos - volume superior à produção total do mês, de 296,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus

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A Fiat começou a utilizar uma pista de avião em Oliveira, distante 150 quilômetros de Belo Horizonte, para estocar carros. Oficialmente, a montadora informa que tomou a decisão em razão de obras na fábrica de Betim, que ficou com espaço reduzido. Cerca de 2 mil unidades ficarão no ocioso aeroporto da cidade até o Natal. Oliveira fica pertinho da rodovia Fernão Dias, que liga a capital mineira a São Paulo, servindo como um entreposto.

Desde que a crise se acentuou no Brasil, a partir de setembro, as montadoras se empenham na equação para adequar a produção à demanda decadente. Como afirmou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, nenhum fabricante quer produzir para deixar “carro na prateleira”.

De acordo com a Anfavea, montadoras e revendas de veículos tinham em estoque no final de outubro 297,7 mil veículos novos – volume superior à produção total do mês, de 296,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Émbalada por sucessivos recordes, o dado de outubro foi um dos mais preocupantes por representar um dos mais altos estoques do setor nos últimos quatro anos.

O acumulado no pátio das montadoras e revendas chegou em outubro a 38 dias de vendas. Nos últimos meses, a média mantida nos pátios das fábricas e das lojas não passava de 25 dias.

Em alguns meses o estoque, chegou a ficar em 15 dias (veja gráfico). Produção alta e vendas em queda resultam num combinação complicada para a indústria, que vinha de sucessivos recordes. Para isso, contratou mais funcionários, investiu em equipamentos, melhorou processos produtivos e fez mais encomendas a parceiros e fornecedores.

Até que o mercado volte a se recuperar, a saída tem sido as férias coletivas. A Volkswagen anunciou que vai ampliar o período de férias coletivos – começa dia 8 de dezembro e vai até 5 de janeiro de 2009 (antes, iria de 22 de dezembro a 4 de janeiro).

A PSA Peugeot Citroën também anunciou férias a partir da segunda semana de dezembro para controlar seus estoques. Fiat, General Motors e Renault também vão para em dezembro para ajustar a produção à realidade do mercado.

Bônus da Ford

Antes de a crise derrubar vendas de carros no Brasil, presidentes de montadoras já apostavam numa maior competitividade no final deste ano – já como reflexos da crise que se avizinhava no exterior. A restrição de crédito em outubro derrubou em 11% as vendas em relação a setembro. Na primeira quinzena de novembro, a diminuição já chega a 20%.

Esta competição deverá se intensificar a partir de dezembro caso os créditos de R$ 8 bilhões anunciados pelo governo não estimulem as vendas. “Com um mercado menor, haverá uma disputa mais intensa pelo consumidor, que pode sair ganhando com isso”, previa em setembro, durante o Salão Internacional do Automóvel em Paris, Jean Louis Orphelan, presidente da Citroën no Brasil. “A competição acirrada vai obrigar os fabricantes a ampliar a eficiência e se valerem de bons produtos”, afirmou.

Neste cenário, o espaço para reajustes de preços fica limitado. Até em produtos novos, como o EcoSport, como motor 2.0 flex, já surgem bônus e descontos diretos do fabricantes. No caso do comercial leve da Ford, o bônus pode chegar a R$ 2 mil, além de um desconto que o consumidor pode conseguir com o revendedor.

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