Nova licitação movimentará cargas em trilhos

Com o cenário, a previsão é de que sejam aplicados no segmento mais de R$ 30 bilhões, até 2015, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF)

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Apesar da turbulência econômica internacional, o transporte ferroviário de cargas crescerá em 2009, com índices menores, mas dará vazão às licitações por parte do poder público. Com o cenário, a previsão é de que sejam aplicados no segmento mais de R$ 30 bilhões, até 2015, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF). “Vínhamos crescendo acima do Produto Interno Bruto [PIB], na casa dos dois dígitos, e, ainda que haja retração no volume movimentado, as taxas de avanço devem ser superiores a 6% ou 7%, em 2009”, projetou Rodrigo Vilaça, diretor executivo da ANTF.

Para Vilaça, o aquecimento na demanda nos últimos meses, que em alguns casos estava no limite da capacidade do sistema ferroviário, deve segurar a performance do setor, onde continuam os investimentos programados. “Para o próximo ano, mantemos a expectativa de aportes de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões”, garantiu o diretor, durante a feira ” Negócios nos Trilhos”, que acontece até amanhã, em São Paulo, no Expo Center Norte. Em 2008, a perspectiva é de que os operadores apliquem R$ 2,5 bilhões na área.

O representante da ANTF admitiu que o segmento está atento ao panorama da crise, especialmente porque o ferroviário é parcialmente condicionado ao escoamento das commodities. “Estamos com um olhar de lupa sobre o setor, especialmente sobre o aspecto das commodities agrícolas e do minério”, discorreu ele sobre a crise, tema que as empresas do setor têm evitado comentar. Fontes do mercado crêem em uma retração no último trimestre deste ano, mas vêem a possibilidade recuperação dos negócios até o próximo ano.

O executivo da Associação ressaltou, ainda, que há um movimento para que se transportem mais tipos de carga, uma vez que o mercado exige diversificação maior do ferroviário. Ontem, reportagem do DCI apontou o aumento do transporte de itens industrializados na América Latina Logística (ALL), e o de contêineres, na MRS Logística, que vem avançando aos poucos.

Concessões

A continuidade dos aportes no setor depende diretamente da ampliação da malha ferroviária, para que concessionárias e operadores logísticos possam dar prosseguimento aos planos de expansão. A intenção do governo federal, conforme apurou o DCI, é de em dois anos licitar ao menos seis mil quilômetros de ferrovias, como disse Bernardo Figueiredo, presidente da ANTT, recentemente.

Para Paulo Sérgio Passos, secretário executivo do Ministério dos Transportes, há a intenção do Executivo de licitar, ainda este ano, parte da Ferrovia Norte-Sul (FNS), que está sendo construída em várias frentes. Com, isso a União pretende recolher R$ 3, 5 bilhões, com objetivo de que, até 2010, o projeto chegue a Anápolis (GO). A Ferrovia Norte-Sul tem hoje 226 quilômetros e também atende às cidades maranhenses de Estreito e Açailândia, onde se conecta à Estrada de Ferro Carajás (EFC), permitindo o acesso ao Porto de Itaqui, em São Luís. Segundo Passos, em breve será feita a licitação de concessão do trecho que vai de Palmas (TO) a Estrela d’Oeste (SP).

Outro projeto que deve viabilizar concorrência em 2009 é o da Ferrovia Oeste-Leste, entre Figueirópolis (TO) e Ilhéus (BA), com licitação prevista para o primeiro semestre de 2009 e orçamento na casa dos R$ 3 bilhões, que devem contribuir para a conclusão do primeiro trecho da linha, até Caetité (BA), no segundo semestre de 2010. A Oeste-Leste terá 1,5 mil quilômetros e deve custar até R$ 6 bilhões. Como em Ilhéus não há estrutura portuária, a Secretaria Especial de Portos sinalizou que se mobiliza para criar um terminal na região. Outro foco da União é a expansão da Transnordestina.

Gargalos

“Nos consideramos uma parceria público-privada e vemos que, se o governo contribuir com a resolução dos gargalos, o setor vai viabilizar os investimentos”, crê Rodrigo Vilaça, da ANTF.

A entidade é uma das mais importantes da área de transporte de cargas do País, e representa as maiores concessionárias do setor (95% da malha brasileira), entre elas Vale (EFC), Estrada de Ferro Vitória a Minas, Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), Ferrovia Teresa Cristina e Transnordestina Logística (antiga CFN). O executivo complementou ainda que “O governo avançou o Plano Nacional de Logística de Transportes (PNLT)”, como disse.

Ontem, a ANTF divulgou que a movimentação de cargas no 1º semestre de 2008 teve incremento de 10,2%, sobre 2007, com transporte de 229 milhões de toneladas úteis (TU).

Para o acumulado do ano, o crescimento deve saltar para 11%, em relação a 2007, em um total de quase 500 milhões de TUs (toneladas úteis). (Fabíola BinasMilton Paes)

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