Montadoras mais otimistas com crédito de R$ 1 bi do BB

Esses recursos fazem parte de um pacote de R$ 4 bilhões negociado pelo setor com o governo e que, de acordo com Schneider, deve ajudar a restaurar o fluxo de crédito para o segmento

Porto de Paranaguá terá dois novos terminais para fertilizantes e veículos
Pão de Açúcar antecipa em 40 dias compras para Ponto Frio
Duplicação de trecho da Rio-Santos fica pronta este ano, diz secretário

A injeção de R$ 1 bilhão do Banco do Brasil (BB) aos bancos das montadoras de veículos trará mais tranqüilidade e melhores perspectivas para a indústria automobilística, afirmou ontem o presidente da Associação Nacional dos Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.

Esses recursos fazem parte de um pacote de R$ 4 bilhões negociado pelo setor com o governo e que, de acordo com Schneider, deve ajudar a restaurar o fluxo de crédito para o segmento. O setor, que verificou queda de 11% dos licenciamentos no mês de outubro ante setembro – retração que não ocorre desde 2003 – , espera que o consumidor volte às concessionárias após o anúncio da volta do crédito.

“Isso já demonstra a rapidez desse processo para regularizar o crédito. Tenho a clara percepção de que isso já será percebido nos próximos dias e de que afastará a retração”, afirmou o presidente da Anfavea. Segundo Schneider, o setor ainda aguarda outra remessa de dinheiro do banco Nossa Caixa, conforme já foi negociado com o governador de São Paulo, José Serra.

Além disso, o executivo afirmou que os bancos privados já sinalizaram voltar a fazer empréstimos aos bancos das montadoras por meio de linhas de crédito interbancárias. “Já houve uma volta nos últimos dias em alguma dimensão e isso tem potencial para se normalizar”, disse Schneider. Segundo a entidade, o mês de setembro contou com R$ 138,6 milhões em volume de crédito. Já outubro encerrou com um número 41% mais baixo e chegou a R$ 98,3 milhões.

Mesmo diante desse cenário, a Anfavea não alterou sua projeção para o fechamento do ano. De acordo com a entidade, o ano fechará, ainda, com 3,060 milhões de veículos produzidos, o que representa uma alta de 24,2% na comparação com 2007. “Se houver revisão será apenas no mês que vêm. E voltando o fluxo de crédito teremos condições de manter crescimento em 2009”, disse Schneider.

Números em baixa

A escassez de crédito para a compra de veículos também foi refletida na queda de automóveis financiados durante o mês de outubro. A média, que antes chegava a 65%, caiu para 59% dos veículos negociados. A queda ocorreu semanalmente. Na última semana do mês passado, o número estava em 56%.

Ao mesmo tempo em que os números de veículos financiados caíram durante o mês passado, os estoques da indústria e concessionárias ampliaram. A média de setembro ficou em sete dias. Durante o mês de outubro, a média de dias subiu para 13. Somando a média do tempo de estoque da indústria e das concessionárias no mês passado, a média total chegou a 38 dias.

De acordo com o presidente da Anfavea, os números justificam as medidas de férias coletivas que foram anunciadas por ao menos quatro montadoras instaladas no Brasil. O último foi feito pela Ford, que vai ampliar em dez dias as férias coletivas de fim de ano, além de ter antecipado o período de descanso. As outras foram a Fiat, General Motors (GM) e também a Volkswagen.

Uma das preocupações do setor, no entanto, serão as exportações. Em outubro a queda total foi de 22,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Esse mercado não depende apenas das medidas brasileiras e por isso pode ter algum reflexo em nossa produção”, afirmou Schneider. No entanto, de acordo com o presidente da Anfavea, essa resposta virá de cada empresa e não do setor.

Questionado sobre a abertura de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) da GM na unidade de São José dos Campos, em São Paulo, na quarta-feira, Jackson Schneider afirmou que essa é uma ação comum entre as montadoras para “rejuvenescer” a equipe. (Fernanda guimarãesBloomberg-DCI)

Link para a matéria

COMMENTS