Ford vende participação de 20% na japonesa Mazda

No início do mês, a Ford anunciou um amplo programa de corte de custos. A participação será vendida para a Mazda e para um grupo de parceiros estratégicos da montadora

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Para fazer caixa, a Ford Motor segue passo semelhante da General Motors e anuncia a venda de 20% de sua participação na japonesa Mazda Motor Corp, por US$ 540 milhões. Como resultado, a participação da montadora norte-americana na Mazda irá cair de 33,4% para 13%. No início do mês, a Ford anunciou um amplo programa de corte de custos. A participação será vendida para a Mazda e para um grupo de parceiros estratégicos da montadora.

“Este acerto permite à Ford levantar capital que ajudará a financiar nossa transformação e possibilita que a Ford e Mazda continuem seu relacionamento estratégico no melhor interesse das companhias”, disse o executivo-chefe da Ford, Alan Mulally. Em um momento em que os presidentes executivos da General Motors, da Ford e da Chrysler tentam convencer os parlamentares norte-americanos a duplicarem a ajuda concedida ao setor automobilístico, depois da liberação, em setembro, de uma verba de US$ 25 bilhões, Mulally afirma que o fabricante automotivo norte-americano que recorrer à lei de concordatas acabará virando objeto de uma liquidação em função da queda acentuadas nas vendas dos grupos.

“Ao proceder com este tipo de reestruturação, as vendas cairiam tão rápido que jamais haveria oportunidade de recuperação do lado dos custos”, indicou o executivo-chefe da Ford. A GM advertiu que poderá se ver na necessidade de declarar concordata nos primeiros meses de 2009.

Na segunda-feira, a General Motors anunciou a venda de 3% da Suzuki – a totalidade de sua participação – para aumentar sua liquidez, em uma operação avaliada em US$ 230 milhões.

Oposição alemã – Depois de a União Européia (UE) afirmar, na semana passada, que entrará com ação na Organização Mundial do Comércio (OMC) caso a ajuda norte-americana às montadoras locais seja irregular, ontem foi a vez da chanceler Angela Merkel criticar o apoio federal ao setor.

Merkel afirmou, depois de se reunir com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, que as medidas a serem tomadas pelo novo governo dos Estados Unidos para o setor automotivo podem representar um problema para as empresas européias.

Merkel, que se reuniu com Berlusconi em Trieste, no norte da Itália, disse que a Alemanha pediu à Comissão Européia (CE, órgão Executivo da União Européia) que estude como os EUA apoiarão a indústria automobilística para que a Europa não sofra danos. “Nós também podemos ajudar o setor”, disse Merkel, em referência a uma possível intervenção da União Européia (UE) frente à crise no setor.

Em relação ao anunciado plano do governo alemão para apoiar a Opel, divisão da GM na Europa, Merkel explicou que tem como objetivo dar garantias, mas não um aumento de capital. “Trata-se de dar uma garantia caso a Opel se encontre sem fundos por parte de sua casa matriz”, disse.

A Opel pediu uma garantia estatal de 1 bilhão de euros para fazer frente à crise gerada pelos problemas que a GM atravessa.

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