Cadeia logística só escapa de um apagão com R$ 280 bilhões

E investir pesado significa, pelo menos nas contas da entidade, não menos do que R$ 280 bilhões nos modais ferroviário, rodoviário, hidroviário, portuário e aeroportuário

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Para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), o Brasil só conseguirá escapar de um apagão logístico nos próximos anos se investir pesado em melhorias no setor de transportes. E investir pesado significa, pelo menos nas contas da entidade, não menos do que R$ 280 bilhões nos modais ferroviário, rodoviário, hidroviário, portuário e aeroportuário. O diretor-executivo da CNT, Bruno Martins, esteve semana passada na Codesp para explicar as principais propostas do órgão.

“Nós estudamos com cuidado cada estado brasileiro e, por isso, alcançamos o valor de R$ 280 bilhões. O problema é que o Governo Federal prevê investimentos de somente R$ 58 bilhões até 2010 para os transportes, por meio do PAC”, reclamou, de forma incisiva, o diretor-executivo da Confederação. “Isso é muito baixo, ainda mais agora, quando vivemos um momento de readequação de investimentos e novos cortes em obras podem ser anunciados pelo Executivo. O Brasil precisa de mais investimentos em logística”.

O quadro abaixo mostra o quanto a Confederação acha necessário ser investido nos principais modais brasileiros. Por ser um País historicamente rodoviário, o Brasil necessita de R$ 126 bilhões para colocar suas estradas em ordem, pois muitas delas foram abertas e jamais receberam os cuidados e remodelações necessárias. Mas, outro destaque é o setor ferroviário, carente de investimentos até 10 anos atrás e que corre contra o tempo para se recuperar.

Investimentos por modal:

Aeroportuário – R$ 8 bilhões
Ferroviário – R$ 102 bilhões
Hidroviário – R$ 27,6 bilhões
Intermodal – R$ 11,9 bilhões
Portuário – R$ 4,5 bilhões
Rodoviário – R$ 126 bilhões
Total – R$ 280 bilhões

“Vale frisar que, quando dizemos que os portos precisam de R$ 4,5 bilhões, não é porque os consideramos com menos necessidades do que outros modais. Investir em portos pode ser feito por meio de obras ferroviárias ou rodoviárias, por exemplo. Melhorar os acessos aos terminais é uma necessidade urgente do País. Em Santos, por exemplo, o porto movimenta 30% do que o Brasil exporta, mas sofre até hoje com os acessos rodoviários”, explicou Bruno Martins.

Só para o Porto de Santos ficar livre de qualquer ameaça de apagão, a CNT estima que R$ 17,5 bilhões são suficientes. O número deixou as pessoas presentes ao Comitê de Logística da Codesp surpresas e serviu de gancho para o diretor de Infra-estrutura e Serviços da Docas de Santos, Paulino Moreira Vicente, fazer um desabafo.

“Enxergamos com preocupação a crise econômica, pois a ALL (concessionária ferroviária cujos trilhos cruzam o cais santista), por exemplo, já anunciou que vai reduzir de R$ 700 milhões para R$ 600 milhões os seus investimentos no Porto de Santos em 2009. E a CNT mostra que todos os modais precisam é de mais dinheiro, não de corte de gastos. Isso nos preocupa, e muito”.

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