Sem crédito, venda de veículo cai na quinzena

Dados divulgados ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) aponta queda na comercialização de carros (-7,48%), comerciais leves (-2,73%), caminhões (-1,50%), ônibus (-8,94%) e motos (-15,80%) nos primeiros 15 dias do mês

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A retração do crédito em razão da crise financeira global já se reflete nas vendas de veículos no mercado brasileiro na primeira quinzena de outubro. Dados divulgados ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) aponta queda na comercialização de carros (-7,48%), comerciais leves (-2,73%), caminhões (-1,50%), ônibus (-8,94%) e motos (-15,80%) nos primeiros 15 dias do mês se comparados com a primeira quinzena de setembro.

Os número são melhores se a comparação se der entre a primeira quinzena de outubro contra mesmo período de 2007. Carros e comerciais leves subiram 1,78% e caminhões e ônibus 24,31%. Motos tiveram queda de 7,42%.

Se o ritmo de vendas persistir, a Fenabrave projeta um mercado de 251.050 unidades em outubro. O mercado de motos poderá encerrar outubro (no atual ritmo de vendas) com 170.806 unidades, conforme projeção da Fenabrave, que reúne revendedores de várias marcas em todo o Brasil.

Os números das primeira quinzena mostram uma desaceleração, que dirigentes da indústria não esperavam. Nem as promoções, que incluem redução de preços, juros, colocação de acessórios e desconto do IPVA, fizeram com que o setor animasse o consumidor a manter o ritmo de vendas verificados até setembro, quando a crise ainda não tinha contaminado todo o noticiário.

Ritmo lento no Rio

As vendas nas concessionárias de carros caíram entre 15% e 40% no Rio de Janeiro, apesar de as montadoras terem colocado à disposição de seus revendedores linhas de crédito com juros subsidiados, que chegam a 0,49% ao mês. Empresas como o Grupo Unik, Américas Barra Rio e a Bolsa de Automóveis têm lançado mão de diversos expedientes para trazer de volta ao consumidor assustado: de aumentar as verbas de publicidade a sacrifício da margem de lucro. Ainda assim, não ousam em repensar o número de encomendas às montadoras, de olho no aquecimento sazonal dos meses de dezembro e janeiro.

“Estamos com vendas entre 30% e 40% abaixo da nossa média tradicional”, afirma Fernando Lopes, gerente de vendas da Américas Barra Rio, uma revendedora GM e Fiat, com um estoque de 400 veículos novos e outros 140 seminovos. Para ele, o consumidor está assustado com o que lê na mídia, mesmo diante da oferta da taxa de juro subsidiada pela GM, de 1,32%, no varejo geral, e de 0,99% nas promoções.

“A taxa que oferecemos hoje é muito menor que a do início do mês, de 1,45%. Também já abrimos mão das taxas associadas à abertura de crédito e das taxas de retorno, mas o mercado ainda não reagiu”.

Nem por isso Lopes pretende rever junto às duas montadoras o total de cerca de 380 carros encomendados mensalmente. “Vamos nos manter estocados, pois, tradicionalmente dezembro e janeiro são nossos melhores meses e nessas épocas sempre falta carro no mercado”, comenta o executivo. De acordo com ele, a empresa lançou mão de pelo menos duas ações para convencer o consumidor a voltar à loja.

De outro lado, quase dobrou seus investimentos em propaganda, panfletos e encartes em jornais. “Gastávamos quase R$ 25 mil por mês e este mês vamos investir R$ 40 mil na mídia”, informa. “Não podemos perder market share”, justifica.

No Grupo Unik, Roberto Batissaco, diretor comercial, afirma que as vendas de cerca de 250 carros Peugeot e Ford por mês caíram perto de 15% este mês. “Mesmo a Peugeot praticando taxas a 0,49% e a Ford a 0,99%, muito melhores que há um mês, quando variavam entre 1,6% e 1,7% ao mês, há uma retração forte”, comenta. O executivo conta que tem feito sacrifícios nas margens. “Dou ao consumidor o que ele quer; às vezes é um acessório a mais, às vezes é um desconto.”

O mercado de carros seminovos também tem se retraído. O fenômeno foi sentido na Bolsa de Automóveis, tradicional agência de segunda mão com cerca de 400 carros em estoque no Centro do Rio. ” “É um tsunami”, compara. Em vez dos 15 automóveis vendidos por mês, até ontem havia registrado três vendas. (Wagner Oliveira e Ana Cecília Americano – Gazeta Mercantil)

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