LLX reavalia estratégia e suspende Porto Brasil

a idéia da empresa é concentrar esforços na viabilização dos empreendimentos Porto do Açu e Porto Sudeste, bem mais adiantados. A viabilização dos três projetos custaria perto de R$ 10 bilhões

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A LLX Logística, do empresário Eike Batista, surpreendeu o mercado ao frear seu projeto mais audacioso, o do Porto Brasil, projetado para ser construído na cidade Peruíbe, em São Paulo, e que consumiria aportes na casa dos R$ 6 bilhões. Agora, a idéia da empresa é concentrar esforços na viabilização dos empreendimentos Porto do Açu e Porto Sudeste, bem mais adiantados. A viabilização dos três projetos custaria perto de R$ 10 bilhões, e, em tempos de crise financeira mundial, a LLX achou mais prudente pôr o pé no freio.

“Essa decisão foi tomada devido ao nosso conservadorismo financeiro, garantindo investimentos de recursos em projetos sólidos, uma vez que todos estão cientes do atual mercado financeiro e há pouca disponibilidade de crédito atual”, justificou Ricardo Antunes, presidente LLX e responsável pela área de Relações com Investidores da companhia.

Antunes fez questão de enfatizar que se trata apenas de uma suspensão, “já que a LLX não pretende abandonar o projeto”, comentou o presidente, durante uma reunião com investidores convocada para esclarecer o novo posicionamento.

O Porto do Brasil, além de ser o projeto mais caro do pacote LLX , também passava por problemas com a obtenção de licenças ambientais, uma vez que área do empreendimento está localizada junto a reserva indígena, ao contrário do Açú, que já está em andamento, com início de operações previsto para 2010, o que pode ter pesado na decisão da empresa.

De acordo com estimativas da LLX, apontadas em fato relevante divulgado na Comissão de Valores Imobiliários (CVM), a medida vai propiciar à empresa, uma queda na demanda por investimentos, de US$ 3,9 bilhões para R$ 2 bilhões, ou seja, só o Brasil consumiria 50% da necessidade de aportes para os três portos.

O Porto Brasil foi planejado para ser o maior porto para contêineres do País, com capacidade para manusear quatro milhões de TEU (unidade que corresponde à capacidade de um contêiner de 20 pés). Ele teria ainda capacidade para movimentar mais de 20 milhões de toneladas de minério de ferro, quase 30 milhões de toneladas de produtos agrícolas e 10 milhões de granéis líquidos.

Solidez

Parece que a menina-dos-olhos da LLX passa a ser o Açu, projeto em andamento, com entrega prevista para 2010. “Tenho pena dos outros projetos que vão tentar implementar, porque se isso virar referência, vai ser difícil acompanhar tamanha dedicação”, comentou recentemente Eike Batista, sobre o porto.

O projeto do Porto do Açu já conta com linha de crédito de cerca de R$ 1,3 bilhão a ser desembolsado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em negociações adiantadas sobre prazos, segundo informações do presidente da LLX.

Chamado pelos executivos de “Super Porto do Açu”, ele tem o objetivo de escoar cargas como minério, siderúgicos, granéis líquidos, carga geral e até contêineres, atendendo principalmente os Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Localizado em São João da Barra (RJ), o Açu deve ter potencial para exportar mais de 26 milhões de toneladas de minério de ferro.O complexo abrigará também uma área industrial e projetos para ganhar duas siderúrgicas, que devem atingir a capacidade de processar 10 milhões de toneladas de minério para a construção de tubos, sendo do grupo ítalo-argentino Techint.

Sudeste

O projeto do Porto Sudeste está em processo de conseguir as licenças ambientais necessárias para seja autorizada sua construção, mas a LLX admite conversas adiantadas com o BNDES, para obter crédito em condições parecidas e erguer suas instalações.

Com entrega prevista para 2011, o Posto Sudeste foi planejado para receber navios graneleiros, em Itaguaí, na Bacia de Sepetiba (RJ). Estima-se que sua área de retroporto terá capacidade até 1,5 milhão de toneladas, além de possuir ligação com a malha ferroviária da MRS Logística.

A LLX também divulgou que fará a elevação de seu capital, sem data fechada, mas auxiliar na viabilização de parte da infra-estrutura dos dois projetos que escolheu para tocar neste momento.

Público

Na tentativa de otimizar a gestão do maior porto público do País, bem como de viabilizar seu projeto de duplicação, o ministro Pedro Brito visitou mais uma vez o Porto de Santos. O objetivo da visita foi sobrevoar, para avaliação, a área prevista para o projeto de expansão, denominado Barnabé Bagres. O ministro disse que trabalha em um modelo que permita aos portos fazerem investimentos em projetos de desenvolvimento com recursos próprios. “É preciso que haja auto-suficiência financeira nas administrações portuárias”, disse.

A LLX Logística, de Eike Batista, surpreendeu o mercado ao frear o projeto do Porto Brasil. Agora, a empresa vai focar os portos do Açu e o Sudeste. Com isso, ela reduz em 50% a necessidade de aportes. (Fabíola Binas -repórter DCI)

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