Alta da demanda de biodiesel retém óleo de soja no Brasil

A indústria do setor que em 2007 exportou 2,5 milhões de toneladas da matéria prima, este ano deve embarcar um volume 12% menor, ou 2,2 milhões de toneladas, é o que revela os dados e projeções da Associação Brasileira da Indústria de Óleo Vegetal (Abiove)

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Após três meses de o governo decidir aumentar a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, os efeitos nas indústrias de insumos que abastecem o setor já podem ser sentidos. Com 1% a mais na mistura – que corresponde à adição de 3% de biocombustível ao diesel (B3) -, é expressivo o impacto no volume de óleo de soja brasileiro que alcança o mercado externo.

A indústria do setor que em 2007 exportou 2,5 milhões de toneladas da matéria prima, este ano deve embarcar um volume 12% menor, ou 2,2 milhões de toneladas, é o que revela os dados e projeções da Associação Brasileira da Indústria de Óleo Vegetal (Abiove). “A projeção de exportação para a próxima safra é ainda um pouco menor”, afirma Daniel Amaral, economista da Associação Brasileira de Indústria de Óleos Vegetais (Abiove). Até agora o País exportou 1,8 milhão de toneladas de óleo de soja, de uma produção que deve chegar a 6,2 milhões de toneladas.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques de óleo de soja referentes a agosto – mês seguinte à alteração da lei – ficaram em 210 mil toneladas, 107 mil a menos que as toneladas exportadas em julho. Essa significativa queda de 33%, reflete pelo menos parte do aumento da demanda interna pelo produto por parte das usinas produtoras de biocombustível. “É fato que o consumo interno de óleo de soja subiu de patamar e nós só estamos começando a sentir o impacto”, analisa Miguel Biegai, da Safras & Mercado. Existe uma expectativa do setor de que até o final do próximo ano esse mesmo índice que já recuou o volume de óleo de soja exportado pelo País suba para 5%, o que poderia gerar um impacto ainda maior nas balança comercial do produto.

O crescimento da produção de biodiesel, estimulado pelo governo, pode impulsionar as importações de óleo de palma, matéria-prima que não alimenta nem 3% da produção nacional de biodiesel. De acordo com a publicação Oil World, entre janeiro e agosto a produção do combustível cresceu mais de três vezes na comparação anual, e atingiu 580 mil toneladas. No acumulado do ano pode chegar a 980 mil toneladas, ante as 353 mil toneladas de 2007. Mas Biegai, não aposta na opção pela importação de óleo de palma para sustentar essa alta. Em 2007, foi importado 148 mil toneladas do óleo, volume pequeno para o comércio mundial de 32,8 milhões de toneladas.

O diretor-executivo da União Brasileira do Biodiesel, Sérgio Beltrão, não acredita que a oscilação verificada no volume de óleo de soja embarcado seja conseqüência do aumento da demanda das usinas de biocombustíveis. Segundo ele, esse aumento “é facilmente atendido pela atual capacidade das indústrias brasileiras de esmagamento de grão e extração de óleo”, e o perfil de exportação do País não seria em nada alterado. A capacidade instalada das indústrias produtoras de biodiesel é de três milhões de metros cúbicos ao ano. O B3 vai fazer circular no mercado brasileiro 1,3 bilhão de litros de biodiesel, 80% produzido a partir do óleo de soja.

Para a indústria de óleo, o fato de o produto permanecer no mercado interno não incomoda mais que as tarifárias elevadas. “Desde 97, o Brasil já perdeu US$ 19 bilhões de market share e agora vai perder ainda mais, calcula César Borges de Sousa, vice-presidente da Caramuru, companhia produtora de óleo de soja e de biodiesel.

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