Você precisa de um sistema ou de um culpado?

Acredito que já virou rotina nas empresas a famosa cena em que o Diretor chama o responsável por T.I. para uma reunião que iniciara há mais de 2 horas para pedir explicações sobre alguns números que não batem

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Olha eu aí de novo defendendo o sistema.

Acredito que já virou rotina nas empresas a famosa cena em que o Diretor chama o responsável por T.I. para uma reunião que iniciara há mais de 2 horas para pedir explicações sobre alguns números que não batem.

Ao entrar na sala, neste momento já definido como “o culpado”, o responsável por T.I. é olhado por todos. Alguns realmente se sentem constrangidos pelo clima que se instala, outros se sentem felizes por dentro ou até eufóricos. Alguns pensam “… quero ver como é que ele vai se sair dessa agora …” ou “… vamos ver se ele é tão bom mesmo quanto se diz por aí …”.

Após receber algumas explicações do que se passa, juntamente com alguns palpites “de onde está o erro”, o pobre culpado pede um tempo para analisar, pois ele não pode responder nada sem antes verificar o sistema e os processos que envolvem aqueles números. Neste momento, os eufóricos por uma resposta, lembram que o assunto é urgente e precisam dar uma resposta “ainda hoje”.

Já em sua mesa, com aquele monte de números, planilhas, relatórios e rabiscos, o analista tenta se concentrar e entender o que está se passando. De repente, um dos presentes na reunião abre a porta e interrompe o trabalho com alguns comentários que não foram solicitados e não levam a lugar algum. Na verdade ele quer apenas se desculpar pelo constrangimento causado, pois ele sabe que o sistema não tem culpa, mas acredita que tenha algo errado em algum lugar e não sabe onde nem qual o número e nem o que pode ter causado a diferença. Depois de educadamente dispensar o colega, o analista leva mais 15 minutos para voltar ao mesmo raciocínio que estava quando foi interrompido e tenta continuar a partir dali.

Entre idas e vindas, cálculos e recálculos, sistemas abertos, vários e-mails circulando na sua frente sobre o assunto, finalmente parece haver alguma saída. O analista faz uma comparação dos dados com o mesmo período do ano anterior e percebe que realmente há uma diferença na forma de apuração. Então começa a caça ao tesouro, ou melhor, aos documentos que sempre guardou com as solicitações dos usuários. Logo encontra um pedido via e-mail de um dos colegas solicitando a mudança de um dos indicadores no final do semestre anterior. A mensagem é longa e mostra até a resistência do analista em fazer tal alteração, pois poderia gerar alguma confusão futura. Mas o solicitante usou de força maior e teve até o aval da Diretoria.

Louco por uma resposta, o analista faz várias simulações e percebe que além daquele índicador, outro fator está influenciando nos resultados. Alguns minutos depois encontra alguns e-mails e lembra que meses atrás ocorreu uma brusca mudança no cálculo dos impostos (antes era por conta do cliente e depois passou a ser por conta da sua empresa) e isso influencia consideravelmente no processo. Eureca !!! Se somar as diferenças os valores batem perfeitamente. Nossa, como é bom ser analista de sistemas !!!

Em um novo encontro com o Diretor, ele explica tudo que pode apurar e mostra como os números ficam corretos se levarem em consideração as mudanças. A reação do Diretor agora é chamar os outros colegas para discutirem a questão. Ao tomar o choque com a primeira notícia, o mesmo gerente que solicitou a alteração nega que tenha feito tal pedido, aliás “… é um absurdo tal alteração, não posso ter pedido isso …”. Depois de algumas discussões, o gerente-amigo-da-onça diz: “… ahhh, me lembrei, mas não é assim que este cálculo funciona, este indicador deve ser calculado assim …” e expõe o método correto.

Atônito, o analista diz que não recebeu metade daquelas instruções e só agora conhecia a forma correta de alteração do indicador. Então, o gerente-amigo-da-onça torna-se o culpado e o analista de sistemas torna-se o condenado, pois agora será dele a tarefa de reprocessar todo o movimento retroativo para acertar o tal indicador. O analista se sente totalmente frustrado por ter perdido tanto tempo em busca de uma informação e quando achou que tinha encontrado o problema, na verdade foi criado outro.

Quando o Diretor entende como resolvido este ponto e pede para o analista falar sobre o outro caso, de sobressalto o colega que cuida dos impostos diz logo:

– “ahhh, na verdade eu já encontrei o erro, ou melhor não há erro, foi uma mudança de legislação e agora estamos embutindo o imposto no nosso preço, por isso a diferença”.

– “e você só descobriu isso agora ?”, pergunta o Diretor

– “na verdade eu desconfiava disso, mas não tinha certeza, por isso não falei nada”, responde o tributarista

– “tudo bem. Vamos fazer o seguinte. Preciso de um relatório que simule o antes e o depois para tomarmos a melhor decisão.”, diz o diretor e continua …

– “você pode fazer isso pra mim ?”, pergunta o Diretor olhando para o condenado nas duas instâncias

A estória termina aqui, pois todos já entenderam que na empresa representada acima, o responsável por T.I. será também o responsável por todos os outros problemas que envolverem o sistema, mesmo que tudo tenha sido feito conforme foi solicitado e estabelecido.

E na sua empresa, você usa a T.I. para gerar e sustentar o negócio ou para encontrar um culpado?

Anírio Neto é gerente de TI do Rápido 900
neto@transportabrasil.com.br

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