Um desafio para os gestores de TI

Será que os profissionais de TI só sabem falar de TI? Será que realmente são raros os profissionais de TI que sabem aliar a tecnologia ao negócio?

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A publicação do meu livro intitulado “Tecnologia aplicada ao transporte de carga”, teve ótima recepção do mercado. Vários foram os comentários que recebi (e ainda recebo) com elogios, críticas, sugestões e tudo isso está gerando um grande debate. Pelo jeito consegui atingir um dos meus objetivos com a obra, e isso é tudo que um autor quer.

Contudo, há um tipo de reação muito interessante e que me motivou a escrever este artigo. A maioria das pessoas não acreditam que escrevi um livro que trata de negócios!

Até que comecem a ler, 90% do público que fica sabendo da obra, tem absoluta certeza de que o livro trata de informática. Muitos, ao receberem o livro, disseram: “… que bom, agora vou poder atualizar meus conhecimentos de informática …”, e em seguida eu desapontava dizendo que o livro falava mais de transportes rodoviários de cargas que de informática.

Porque será que as pessoas pensam assim? Será que os profissionais de TI só sabem falar de TI? Será que realmente são raros os profissionais de TI que sabem aliar a tecnologia ao negócio? Responderei a esta última pergunta com outra pergunta: para que uma empresa quer tecnologia se não for para sustentar seu negócio?

Não estamos mais no tempo onde o “C.P.D.” existia somente para consertar uma impressora ou para dar suporte no Excel quando o usuário tinha dúvidas. Estes conceitos são ultrapassados. Até os termos evoluíram. Não é a toa que hoje falamos “TI”, que significa Tecnologia da Informação, ou seja, aplicar tecnologias para gerar informação (ou melhor ainda, conhecimento) com qualidade, rapidez e confiabilidade.

Não acho que seria produtivo ou colaboraria muito se escrevesse um livro com dicas sobre informática. Em qualquer banca de jornal ou livrarias encontramos milhares de publicações especializadas e coletâneas interessantíssimas que desvendam todos os mistérios dos principais softwares usados no mercado. Do tradicional Office (e todos seus componentes) aos rebeldes do mundo Open (e todos seus componentes). Nem eu, nem qualquer profissional de TI sozinho chegaria aos pés destas publicações que usam recursos de multimídia e conceitos de e-Learning sensacionais, pelos quais todos podemos nos atualizar por um valor baixíssimo.

Um dos objetivos do livro comentado acima é provocar o profissional de TI para que ele repense seu papel na empresa. Da mesma forma que serviços rotineiros e fora do foco de negócios da empresa devem ser terceirizados, entendo que se a TI não se inserir no processo estratégico da empresa, também deva passar para terceiros. Não há vantagem alguma para empresa manter um monte de técnicos para consertar impressoras ou micros. O departamento de TI da empresa deve existir para dar suporte aos negócios e criar processos estratégicos que gerem outros negócios.

Reduzir custos, melhorar processos, estar antenado nas novidades, treinar usuários, dar suporte técnico e outras, ainda são tarefas do departamento de TI, mas se ficar só nisso, logo o a Diretoria vai pensar se não seria melhor terceirizar. Meu lema é: TI tem que gerar negócios!

Em nenhum momento disse que isso é fácil ou se aprende na escola. Claro que não. Mas não há outro jeito, a tal da comodotização está por aí.

As empresas também devem pensar da mesma forma. Se o sua TI só serve para abrir chamados e aumentar o “back log” sem gerar sustentabilidade para o negócio, ela está totalmente fora de foco. Talvez ela sirva para informar sobre as novidades de computadores ou softwares, ou para mostrar para Diretoria os últimos lançamentos de celulares. Este é o negócio de sua empresa ?

Desde quando iniciei minha carreira (sempre aplicando tecnologia ao TRC) me preocupei com questões como estas. Claro que já cometi erros ou tive projetos que não tiveram o êxito esperado, mas sempre estive olhando para a TI com o mesmo pensamento que o empresário deve olhar: onde e como é que a tecnologia vai me ajudar nos meus negócios.

Será que a tecnologia em sua empresa está realmente gerando alguma vantagem competitiva? Se a resposta for negativa, procure identificar os motivos e mudar o foco.

É disso que trata o livro que comentei acima, e é disso que provavelmente tratará os outros livros ou artigos que pretendo escrever. É com isso que o profissional de TI, independente do segmento da economia que atue, deve se preocupar.

Anírio Neto é gerente de TI do Rápido 900
neto@transportabrasil.com.br

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