Mercado pujante já soma 15 fabricantes de motocicletas

Nas médias cidades, com aplicação de mototáxi, é o meio que carrega na garupa o passageiro equipado de capacete

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Nas metrópoles, dominadas por motoboys, é o meio de transporte que dribla carros em intenso ziguezague a levar na garupa desde simples envelope até desajeitado botijão de gás. Nas médias cidades, com aplicação de mototáxi, é o meio que carrega na garupa o passageiro equipado de capacete disposto a chegar rápido e a pagar tarifa intermediária entre o táxi e o ônibus.

Nos interiores do Brasil, ela conduz o peão, o retireiro, o pequeno agricultor a substituir o cavalo, o jegue nas lidas do campo.

A motocicleta está mudando o jeito do Brasil se movimentar. Reflexo disso é o vivo interesse de novos fabricantes por um mercado que não pára de crescer.

Nessa direção, quatro novos fabricantes de motocicletas – a FYM Motos, Amazonas Motocicletas Especiais (Ame), MTD e a Miza – preparam a instalação de suas fábricas no pólo industrial de Manaus. Com essas novatas, o setor de duas rodas, que por muito tempo foi dominado pelas japonesas Honda e Yamaha, reunirá um total de 15 fabricantes de motos, chegando próximo do limite deste mercado, que teria capacidade para 20 empresas.

A Nova Trade, importadora que há 18 meses traz da China sete modelos de motocicletas da marca FYM, vai inaugurar em março de 2009 sua unidade industrial em Manaus com investimento de US$ 5 milhões. O valor é proveniente de capital próprio de seis investidores brasileiros que atuavam em vários setores industriais. Joacyr Drummont, um dos participantes no empreendimento, por exemplo, trabalhava no setor de pós-venda de automóveis da Volkswagen do Brasil.

A FYM Motos, considerada uma das grandes fabricantes de motos do mundo, vai fabricar 200 motos por dia. Com tecnologia chinesa, os modelos de 100 a 200 cilindradas terão 20% de índice de nacionalização e o preço vai variar de R$ 3.700 a R$ 9.400. A unidade inicia as atividades com 75 empregados na produção. A rede de concessionárias começará com 56 revendas. “Fecharemos 2009 com 120 lojas no País”, disse Drummont.

Para acompanhar a dinâmica deste mercado e enfrentar a chegada dos concorrentes, as veteranas também investem no aumento de capacidade. A Honda, maior fabricante de motos do País, com 77% de participação nas vendas totais, vai ampliar a capacidade da sua fábrica de Manaus, de 1,5 milhão para 2 milhões de unidades por ano. O valor do investimento, a empresa não revela. Segundo Roberto Akiyama, diretor comercial da empresa, as obras estão em andamento e deverão ser concluídas em meados de 2009.
“Além da demanda do mercado brasileiro, os investimentos são para atender também a lei de emissões – o Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares (Promot 3) – que entra em vigor no País a partir de janeiro de 2009”, diz Akiyama.

A estimativa da Honda, segundo Akiyama, é vender 1,5 milhão de motocicletas no País, este ano, 15% mais em 2007.

“Ano após ano, desde 1994, a Honda só tem expandido suas instalações industriais”, comenta Akiyama. Em Manaus a Honda emprega 9,3 mil funcionários.

Já a Yamaha, dona de 26% de participação, inaugurou em julho a segunda linha de montagem no pólo industrial de Manaus, com investimentos de R$ 207 milhões. A meta da empresa, segundo Fernando Sasaoka, gerente de marketing, é ampliar a capacidade de 360 mil para 700 mil unidades até 2010, quando conclui o investimento total de R$ 600 milhões até 2010.. “Em resposta ao mercado, a Yamaha vem ampliando bastante a capacidade de sua fábrica, mas mesmo assim trabalha no limite há alguns anos, porque não esperávamos que o mercado ficasse aquecido por muito tempo nesta proporção”, comentou Sasaoka.Com 4.500 funcionários que cumprem jornada de trabalho em dois turnos, a Yamaha vem aumentando em mais de 40% o seu quadro de funcionários nos últimos oito meses, segundo Sasaoka.

Expansão em Manaus

Segundo José Lopo, coordenador geral de análise de projetos industriais da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o pólo industrial de Manaus abriga hoje 11 fabricantes de motocicletas. Ao lado das tradicionais japonesas Honda e Yamaha estão as brasileiras Kasinski, Brasil & Movimento (que faz motos da marca Sundown), Moto Traxx, Jota Toledo da Amazônia (que produz a moto Suzuki), Bramont (que faz motos das marcas Triumph, Husqvarna e Malaguti e quadriciclos da Malaguti), a Dafra (do grupo Itavema, que faz motos com peças e tecnologias adquiridas da China ), Harley Davidson, Garinni e a chinesa Haobao.

Para instalar uma linha de montagem no pólo industrial de Manaus, as empresas têm que atender ao Plano Produtivo Básico (PPB) determinado pela Suframa. “São regras que as empresas têm que cumprir para obter aprovação dos projetos de produção”, explica Lopo. “Para fabricar até 20 mil motos por ano só é permitido importar prontos os quadros (chassis das motos) numa quantidade equivalente ao volume que irá fabricar no País”, diz o coordenador geral de análise de projetos industriais da Suframa.

“Se a produção for superior a 20 mil unidades as empresas têm que fazer investimentos em equipamentos e mão-de-obra e não podem mais trazer o quadro pronto de outros países. Só têm autorização de importar peças e insumos básicos para a produção do quadro no País”, afirma Lopo.

A análise do projeto feita pela Suframa inclui capacidade produtiva e financeira da empresa, além da tecnologia disponível.

Segundo a Suframa o setor de duas rodas é atualmente o primeiro em faturamento na Zona Franca de Manaus, com um total de US$ 4,290 bilhões apurados até junho de 2008 e 28,51% de participação entre as atividades da região. O eletroeletrônico, que sempre liderou o ranking dos setores produtivos, é o segundo maior, com US$ 4,105 bilhões e 27,28% de participação. O terceiro é o de bens de informática, com US$ 2,121 bilhões e 14,10% de participação. C2(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 1)(Sonia Moraes)

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