Investimentos de R$ 5 bi

Ferrovia vai cortar quatro municípios mato-grossenses e abrirá um novo canal de escoamento da produção: Itaqui

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Projetada para promover a integração nacional, minimizando custos de transporte de longa distância e interligando as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, a ferrovia Leste-Oeste – que prevê a inclusão de pelo menos quatro municípios mato-grossenses à malha – tem um custo estimado de R$ 5 bilhões e ficaria pronta no final de 2014, mesmo ano em que a ferrovia Senador Vuolo, vindo de São Paulo, chegaria a Cuiabá.

A hipótese da Leste-Oeste ficar pronta primeiro que a Senador Vuolo é descartada pelo deputado federal e presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Homero Pereira. “Não há esta possibilidade, pois a ferrovia que vem de São Paulo já está com recursos alocados para a sua construção até Rondonópolis, a pouco mais de 200 quilômetros de Cuiabá. Já a Leste-Oeste ficará pronta um pouco depois, pois ainda estamos na fase de formação de parcerias, pesquisas e depois daremos início aos estudos ambientais e elaboração do projeto executivo, que demanda mais tempo”, explica Pereira.

A Leste-Oeste, que será construída pela Valec Engenharia, integrará as regiões de Cocalinho, Água Boa, Lucas do Rio Verde e Campos de Júlio à rede ferroviária que levará a produção mato-grossense até ao porto de Itaqui, em Vilhena (RO). O traçado da ferrovia vai de Ilhéus (BA) a Vilhena (RO), passando por Iguaçu, em Goiás. Só no trecho Iguaçu-Vilhena são 1,5 mil quilômetros de extensão.

Através de conexões com trilhos privados, a ferrovia poderá incorporar-se aos trilhos da Senador Vicente Vuolo, que está em Alto Araguaia (430 Km a Sul de Cuiabá) e deverá chegar a Rondonópolis dentro de dois anos.

A Valec Engenharia, Construções e Ferrovias – Sociedade Anônima controlada pelo governo federal e supervisionada pelo Ministério dos Transportes – é a detentora da concessão para construção e operação da Leste-Oeste.

A extensão da Ferrovia Leste-Oeste a Mato Grosso depende de autorização do Ministério dos Transportes e de uma subconcessão para a construção do trecho.

Com a ferrovia, os produtores de Mato Grosso passarão a ter mais uma opção de escoamento da produção por ferrovia. “Poderemos chegar ao porto de Santos (SP) ou subir para o porto de Itaqui, no Maranhão, integrando a nossa malha com o Nordeste e Sudeste”, assinala o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira.

“Saindo pelo porto do Maranhão, estaremos mais próximos da Europa, pois a distância é mais curta. O país tem que pensar na logística de transporte e Mato Grosso encontra-se em uma posição geográfica privilegiada”, frisa Silveira.

PARCERIA – Enquanto a Valec se prepara para realizar os estudos aerofotogramétricos visando à definição do melhor traçado da Leste-Oeste, a Aprosoja, em parceria com a Famato e a Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa), estuda sua participação no processo de subconcessão para a implantação e operação da ferrovia.

“A Valec tem grande interesse em construir a ferrovia e fará a licitação de operação (concessão) para a iniciativa privada. Os produtores, por sua vez, já têm experiência na área de consórcio e acredito que esta será a grande saída para colocarmos o projeto em andamento”, afirma Homero Pereira. A expectativa, segundo ele, é iniciar a obra em 2010 e concluí-la em um prazo de quatro anos (2014). (MARCONDES MACIELE – Da Reportagem)

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