Infra-estrutura impulsiona investimento em não-tecidos

Mas um segmento específico já desponta na liderança. São os chamados geotêxteis, que por sua alta resistência são muito utilizados na área de infra-estrutura

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O não-tecido não lembra em nada a palha de aço. Mas bem que poderia ser comparado a ela por ter mil e uma utilidades. Com um uso que vai desde a cobertura de fralda de bebê e absorventes femininos até bancos de carros e contenção de encostas, sua produção cresce cerca de 10% ao ano, pegando carona na expansão de consumo dos diversos mercados em que atua. Mas um segmento específico já desponta na liderança. São os chamados geotêxteis, que por sua alta resistência são muito utilizados na área de infra-estrutura. Do total de investimentos feitos nos últimos cinco anos pelos fabricantes – em torno de US$ 200 milhões – cerca de 60% foram destinados a máquinas que confeccionam este tipo de não-tecido. E até 2010 devem ser aplicados pelo setor mais US$ 140 milhões para suportar o crescimento médio projetado também em 10%, seguindo as mesmas proporções.

“Graças à expansão de obras de infra-estrutura em todo o Brasil, proporcionada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e pelos projetos de preservação ambiental, os geotêxteis estão ganhando mais espaço”, explica o secretário executivo da Associação Brasileira de Não-Tecidos e Tecidos Técnicos (Abint), Jorge Saito. Os dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) só confirmam a tendência. Conforme a instituição, entre 2008 e 2011 os investimentos em infra-estrutura devem somar R$ 304,6 bilhões, o que representa um aumento de 15% ao ano nos desembolsos destinados a um dos setores considerados pelo banco como mais dinâmicos.

Confeccionado de uma forma diferente dos tecidos tradicionais, que são feitos através da fiação comum, mesmo sendo sintéticos, os não-tecidos se formam com a colocação das fibras sintéticas em uma esteira e, por um processo de aglutinação ou outro sistema mais moderno como, por exemplo, jatos de água de alta pressão (conhecido como Sunlace), vão dando origem a um material que se assemelha a um tecido. O exemplo mais clássico do produto são os panos de limpeza multiuso com furinhos muito utilizados pelas donas-de-casa.

Segundo Saito, os não-tecidos ficaram conhecidos também pelo uso higiênico, em fraldas, absorventes e lencinhos umedecidos. Mas hoje são largamente utilizados também pela área médica, em hospitais e clínicas, na hora de cirurgias e outros procedimentos, evitando contaminações antes mais difíceis de controlar quando aventais, máscaras e toucas eram feitos de pano comum e precisavam ser lavados.
A possibilidade de ser elaborado em diferentes gramaturas (8 a 10 gramas por metro quadrado para fraldas e absorventes ou 200 a 400 gramas por metro quadrado no caso dos protetores de encostas), conferiu ao não-tecido uma flexibilidade única. Prova disto são os diversos usos encontrados hoje pela indústria automobilística – que só este ano deve crescer mais de 20% puxando com ela o setor.

“Em um carro, o não tecido reveste toda as lateral das portas, painel, os bancos e serve até como carpete”, diz o gerente de desenvolvimento de mercados da Ober S.A, Laerte Maroni. A empresa já investiu US$ 50 milhões desde 2000, chegando a 15 linhas de produção em sua fábrica, em Nova Odessa, no interior de São Paulo. Boa parte da produção é destinada à infra-estrutura e ao setor automotivo, informa Maroni, que confirma o aumento de pedidos com a implementação do PAC. “Como somos fortes nessa área, fornecemos geotêxteis para drenagem, sustentação em pavimentação, impermeabilização de terrenos e rodovias, entre outras aplicações”, afirma.

Segundo Saito, quando se faz uma estrada em um terreno mole – que antes precisava ser reforçado com mais terra e, mesmo assim, poderia sofrer com a acomodação normal dos materiais, provocando rachaduras no asfalto – pode-se utilizar o geotêxtil antes da aplicação do asfalto. “Como ele é flexível, isso amplia em até 20 anos a sobrevida de uma estrada”. No Rio Tietê, durante a ampliação da calha, também foram usados geotêxteis para contenção das margens. As questões ambientais são tão importantes que o produto é hoje amplamente utilizado na forração de terrenos, por exemplo, de aterros sanitários evitando contaminações do solo.

“Devemos crescer agora na área agrícola, com o cultivo protegido”, diz Saito. Os não-tecidos podem ser usados para ensacamento de frutos, evitando assim a contaminação e os problemas com intempéries.
Apesar da diversificação, o potencial de crescimento no Brasil O potencial de crescimento no Brasil ainda é grande de acordo com os executivos o consumo per capita aqui é de 0,91 quilos enquanto que nos EUA chega a 4 quilos. (Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 5)(Anna Lúcia França)

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