Crise nos EUA pode afetar aviação mundial

A alta do petróleo - o preço recuou , mas chegou a US$ 147 o barril em julho - somada à crise hipotecária nos Estados Unidos, podem deixar para trás a estimativa de US$ 5,2 bilhões de prejuízo para a aviação comercial este ano

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As turbulências econômicas internacionais podem trazer perdas maiores para as companhias aéreas. A alta do petróleo – o preço recuou , mas chegou a US$ 147 o barril em julho – somada à crise hipotecária nos Estados Unidos, podem deixar para trás a estimativa de US$ 5,2 bilhões de prejuízo para a aviação comercial este ano, segundo o consultor Assad Kotaite, que por 30 anos foi presidente da Organização Internacional da Aviação Civil (Icao), órgão criado em 1944 pelas Nações Unidas.

Atualmente, 190 países-membros fazem parte da agência, que desenvolve um trabalho de assistência técnica, procurando organizar e dar maior eficiência aos serviços de infra-estrutura aeronáutica, principalmente nos países em desenvolvimento.

“As previsões foram feitas antes dessa nova situação econômica. Não sabemos como tudo isso irá afetar a economia mundial e por conseqüência o transporte aéreo”, disse Kotaite em visita a São Paulo na última semana. Pelas previsões, no próximo ano, as perdas das companhias serão de US$ 4,1 bilhões. “Mas tudo dependerá de como as empresas vão suportar neste novo cenário, porque com certeza, vai afetar o crédito e as pessoas vão voar menos. É um grande desafio”, ressaltou o analista.

No ano passado, segundo Kotaite, 2,2 bilhões de pessoas voaram em todo mundo. Com o crescimento vertiginoso de alguns mercados, principalmente a Ásia, América Latina e Índia, a previsão é de que as empresas aéreas transportem 4,5 bilhões de passageiros em 2025.

“Nos próximos 17 anos vamos praticamente dobrar o volume transportado. Mas isso traz como conseqüência, além do aumento nos faturamentos das empresas, um aumento de emissões. Por isso, temos que focar em tecnologia e melhor gestão do tráfego aéreo para termos bons resultados na redução de emissões de poluentes”, afirmou Kotaite. “Esse é o papel dos governos. Hoje, as fabricantes já produzem aviões 70% mais econômicos que os jatos antigos. Isso é um avanço, mas as companhias aéreas são ainda as grandes vilãs na questão ambiental”, ressaltou o analista.

No rastro dessa crise, a Argentina, que tem a sua maior companhia em dificuldades, a Aerolineas Argentinas, ver surgir uma nova empresa. A Aerochaco, pertencente ao governo da província de Chaco, começará a voar em outubro com rotas para o Brasil e Chile.

Defensor de regulamentos

Graduado em direito, em Beirute, com doutorados em Paris e em Haia, Kotaite assumiu em 1953 posição de chefia no departamento libanês de aviação civil, mesmo ano que ingressou na Icao e construiu sua carreira ao longo de 53 anos de trabalho na agência, passando por diversos setores e cargos. Em 1976 alcançou o posto de presidente, cargo que ocupou até 2006, quando solicitou sua aposentadoria.

Nesse meio século no setor, Kotaite viu grandes companhias internacionais desaparecerem, como a Panair, e governos injetando milhões para salvar suas empresas aéreas, como depois do 11 de setembro, quando os EUA liberaram cerca de US$ 20 bilhões. Ele no entanto, defende, a participação maior dos governos. “Num mercado livre como o atual, com acordos de ‘Céus Abertos’ e grandes companhias tendo a maior parte do tráfego aéreo, é importante o papel regulador do estado. Os governos têm que regular a atual desregulamentação”. (Ana Paula Machado – Gazeta Mercantil)

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