CMA CGM cria rota rodofluvial para escoar carga do Centro-Oeste

O gerente de operações multimodais da empresa, André Tavares, explicou que no primeiro momento os contêineres estão carregados de madeira industrializada para exportação

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Os exportadores da região Centro-Oeste têm agora uma nova opção de logística. A armadora francesa CMA CGM iniciou em agosto um serviço de transporte de contêineres por barcaças ligando Porto Velho a Manaus.

O gerente de operações multimodais da empresa, André Tavares, explicou que no primeiro momento os contêineres estão carregados de madeira industrializada para exportação, mas há estudos para iniciar o transporte de carnes e algodão por esta rota.

“Já temos expertise em transporte por barcaças. Na Europa temos uma subsidiária que movimenta contêineres pelos rios europeus”, disse Tavares. Segundo ele, no primeiro mês de operação foram movimentados 200 contêineres, e a meta é chegar a 500 contêineres mensais no primeiro ano de atuação.

A empresa usará o novo serviço barcaças com saídas diárias para Manaus, via Rio Madeira. Em Manaus, os contêineres serão transferidos para navios porta-contêineres de uma das linhas transoceânicas da armadora, seguindo para o exterior, pelo Rio Amazonas até o Porto de Belém. Tavares explicou que, diferentemente da operação na Europa, a CMA CGM contratou os serviços da operadora de barcaças, JC Oliveira, para realizar o transporte até o porto de Manaus.

O executivo disse, ainda, que a empresa já estuda o transporte de carnes e algodão pelo Rio Madeira. “Para movimentar carne temos que realizar alguns investimentos tanto no terminal em Porto Velho como em Manaus, mas é um projeto que já está bem adiantado”, ressaltou.

Custo menor

Segundo ele, para as cargas frigorificadas, a empresa deverá comprar geradores para instalar nas barcaças e construir subestações nos terminais para alimentar os contêineres refrigerados. “Tudo vai depender da resposta do mercado, mas acredito que será uma opção mais barata para os produtores, já que as únicas saídas hoje para a carne de Rondônia são pelos os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR)”, ressaltou Tavares acrescentou que somente com o pagamento de pedágio se gasta R$ 600 para Santos e R$ 450 para Paranaguá. “Sem contar os problemas de infra-estrutura portuária que os transportadores enfrentam nesses portos”.

Tavares acrescentou que a segunda parte do projeto da armadora prevê a movimentação de algodão para exportação. “Também entramos como uma alternativa viável”.

O estudo prevê que a empresa também deve exportar, via Porto Velho, a produção de algodão da região Centro-Oeste. O algodão sairá de carreta do município de Sapezal (MT) e seguirá por rodovia até a capital de Rondônia, onde embarcará nas barcaças.

“Ainda não definimos se faremos o porta-a-porta ou se só assumiremos o transporte a partir do porto de Rondônia. Também nesse caso , é uma alternativa viável, pois, foge dos gargalos logísticos dos grandes portos”, disse Tavares.

Cargas para importação

Tavares acrescentou que o fluxo de importação também poderá crescer em função do ‘boom’ de desenvolvimento de Rondônia com a construção das hidrelétricas do Rio Madeira.

“A expectativa é que o transporte de equipamentos e matéria-prima será realizado por essa rota, já que não existe ligação rodoviária na localidade. Há muito o que crescer”.

Calcula-se que até 2010, R$ 571 milhões serão investidos no setor industrial de Rondônia, o que criará nova demanda por infra-estrutura logística e de transportes. “Rondônia, que já cresce acima do PIB nacional, também experimenta um novo ciclo de expansão imobiliária, o que também aumenta a demanda por transportes de carga”. (Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 2)(Ana Paula Machado)

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