Caminhão pesado puxa alta das vendas das montadoras

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas dos veículos pesados entre janeiro e agosto deste ano chegaram a 27.405 unidades

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O mercado brasileiro de caminhões está cada vez mais otimista. Com crescimento acima de 30%, as montadoras comemoram bons resultados. Mesmo com o aumento da demanda por caminhões leves devido à necessidade nos maiores centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, os caminhões pesados não estão, nem de longe, ameaçados. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas dos veículos pesados entre janeiro e agosto deste ano chegaram a 27.405 unidades, volume quase 50% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

Da mesma forma que o segmento automóveis, que em agosto teve as vendas reduzidas em 16,3% e os estoques aumentados em 30%, os fabricantes de pesados esperam por uma retração da demanda, que é encarada pela Anfavea como uma adequação do mercado que estava reprimido desde 1997, melhor ano da indústria automobilística até 2006. A expansão do crédito e o aquecimento da economia nacional liderados pela indústria e pela produção agrícola são os fatores que mais influenciaram na corrida às concessionárias e que podem ajudar o mercado a fechar o ano com um aumento de 25%.

“Acreditamos na redução do crescimento do mercado de caminhões, mas da mesma forma vemos que ele será sustentável. Trabalhamos 2009 com uma estimativa de algo em torno de 15% a mais do que 2008”, afirma Marco Saltini, vice-presidente de assuntos governamentais da Volkswagen Caminhões e vice-presidente da Anfavea.

Para ele, essa expectativa ainda é positiva, pois nos oito primeiros meses do ano, a indústria produziu, somente no segmento de pesados, 38,3 mil unidades. Se confirmadas as projeções do executivo, esse número poderá chegar a mais de 44 mil unidades no mesmo período, somados os outros segmentos de caminhões – semileves, leves, médios e semipesados – a produção pode chegar a mais de 125 mil unidades.

Expansão

Com esse horizonte, as fabricantes desse segmento de veículos estão se preparando para a demanda. A Iveco, pertencente ao Grupo Fiat, verificou, nos últimos meses, crescimento da demanda em 60% de uma de suas linhas de furgões. No entanto, apesar da tendência de maior circulação de veículos de menor porte em grandes centros urbanos, a empresa continua a apostar em veículos pesados e semipesados. “A demanda está acompanhando nosso crescimento de produção, temos muito sucesso em caminhões pesados”, afirma o presidente da companhia na América Latina, Marco Mazzu.

Hoje, a empresa mantém uma média de 7,5% de participação no mercado brasileiro, e espera chegar em 2010 com 10%. Para isso, a Iveco já anunciou investimento de R$ 80 milhões para nova unidade em Sete Lagoas, Minas Gerais, que dobrará a capacidade de veículos da planta, para 12 mil unidades por ano. De acordo com Mazzu, esse será um dos gargalos da companhia que será solucionado, já que nesse tipo de produção a Iveco já operava em quase 100% de sua capacidade produtiva. Já na produção de veículos leves, a empresa está trabalhando em 80%.

A posição da Volkswagen Caminhões, empresa que disputa com a Mercedes-Benz a liderança do mercado de semipesados e pesados, também aposta na produção de veículos de carga maiores. Marcos Saltini afirma que a demanda por vans e utilitários não irá reduzir a vendas de caminhões, pois diversos tipos de carga só podem ser transportados por veículos de grande porte. “Essa necessidade é localizada e as restrições levam as empresas a planejar melhor sua escala de entregas, isso pode dificultar um pouco a logística e até mesmo inflacionar o frete, mas não é um impeditivo para a venda de caminhões”, afirma.

A empresa aposta no bom desempenho da economia do Brasil e por isso iniciará o que chama de terceiro ciclo de investimentos no valor de R$ 1 bilhão para aumentar sua capacidade de produção, com a inauguração do terceiro turno na fábrica de caminhões e ônibus de Resende (RJ) e na linha de produtos para os próximos cinco anos, além da contratação de mais 1,3 mil pessoas. (Fernanda GuimarãesMaurício Godoi – DCI)

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