IOSA – Um salto qualitativo na gestão da qualidade

A IATA (International Air Transport Association) buscou as melhores práticas e padrões internacionais entre seus mais de 200 membros para a criação do programa IOSA

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O ano de 2008 será lembrado na aviação comercial brasileira como um marco em termos de sistema de gestão da qualidade. A presidente ANAC, Solange Vieira, através da Resolução nº 18, determinou que todas as empresas de transporte aéreo regular de passageiros e carga que operam vôos internacionais devem estar incluídas no programa IOSA (Auditoria de Segurança Operacional da IATA) a partir de 1º de janeiro de 2009. Aquelas que operam apenas vôos domésticos receberam apenas uma recomendação. As empresas que não se adequarem à nova norma terão negados os pedidos de novas freqüências internacionais. No ano de 2009 será a vez da própria ANAC ser auditada dentro dos requisitos IOSA.

A IATA (International Air Transport Association) buscou as melhores práticas e padrões internacionais entre seus mais de 200 membros para a criação do programa IOSA. Este pode ser considerado a ISO 9000 da aviação comercial, mas ao contrário da tão conhecida norma, não admite não-conformidades em nenhum de seus 928 itens para certificar determinado operador. Ou seja, as empresas aéreas nacionais devem cumprir todos os itens requeridos, sem exceção.

Outra diferença em relação à norma ISO é o escopo da auditoria IOSA. Os auditores não se preocupam com o foco no cliente e sim com a segurança operacional da empresa auditada. Para isso, a auditoria verifica os processos e procedimentos em oito áreas operacionais: Operações de vôo, Segurança operacional (Safety), Segurança patrimonial (Security), Logística de rampa (Ground Handling), Transporte de Cargas, Manutenção, Despacho operacional e a própria Organização como um todo.

Muitos requisitos cobrados para a certificação IOSA já são seguidos pelas empresas nacionais, até por serem cobrados pela própria ANAC para sua homologação como operador de transporte aéreo. Muitas vezes a nossa autoridade é mais restritiva que a própria IATA. Porém, a grande mudança não se encontra apenas nos requisitos obrigatórios para a certificação mas sim na mudança da cultura operacional das empresas de transporte aéreo. A filosofia por trás da certificação é a definição, documentação e registro de processos dentro da organização.

Este é o grande paradigma a ser quebrado: despersonificar e dessetorizar a empresa. Hoje muitos setores se comportam de forma isolada (“pequenas empresas” dentro da empresa) e dependem do conhecimento de um ou mais colaboradores específicos. Quando um destes se aposenta ou deixa a organização, leva consigo seu know-how. A documentação dos processos internos retém este “capital intelectual”, além de deixar mais claro a interação entre os diversos setores da empresa. Este salto qualitativo é a grande vantagem do programa e, como toda mudança cultura, deve partir da alta direção. Cabe àqueles que dirigem as nossas empresas aéreas apoiar estas mudanças.

Dan Guzzo, Piloto Comercial desde 1998
danguzzo@transportabrasil.com.br

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