Andar de moto em SP é mais barato do que pegar ônibus

O custo de cada um em uma viagem de sete quilômetros na capital paulista, um motociclista gasta, em média, R$ 1,43, valor 38% menor do que os R$ 2,30 da tarifa de ônibus

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Nesta segunda-feira foi comemorado o Dia Mundial Sem Carro, para estimular o uso de meios de transporte coletivos ou menos poluentes, porém, uma constatação alarmante: andar de ônibus atualmente em São Paulo é mais caro do que utilizar e manter uma motocicleta, um dos tipos de veículo mais individualizados.

Enquanto os ônibus novos da cidade acomodam 40 passageiros sentados, uma moto leva no máximo duas pessoas.

O custo de cada um em uma viagem de sete quilômetros na capital paulista, um motociclista gasta, em média, R$ 1,43, valor 38% menor do que os R$ 2,30 da tarifa de ônibus. É o que mostra levantamento da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) realizado em julho em São Paulo e em outras 42 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes.

Segundo o sociólogo e engenheiro da ANTP Eduardo Vasconcelos, andar de moto é mais barato porque ela usa menos combustível. Em média, a moto é quatro vezes mais econômica do que um carro movido a gasolina. “Além disso, não é preciso deixá-la em estacionamentos e a sua manutenção é barata”, diz Vasconcelos.

No entanto, ele acredita que o ônibus é o melhor meio de locomoção. “Trata-se da forma de transporte mais adequada para a sociedade, pois provoca menos acidentes, consome menos energia e polui menos”, diz.

Os automóveis abastecidos a gasolina são os mais caros, consumindo R$ 6,26 no percurso de 7 km. Já os carros a álcool gastam um pouco menos na viagem: R$ 5,39.

O trajeto equivale a uma viagem da avenida Pompéia, na altura da avenida Prof. Alfonso Bovero, na zona oeste, à estação Brigadeiro do Metrô, na avenida Paulista, pela rua Heitor Penteado e a avenida Dr. Arnaldo. Para a ANTP, essa é a distância média de uma viagem urbana.

Vasconcelos afirma que o preço elevado das tarifas inibe o uso dos coletivos. “Quando a tarifa é muito superior ao custo dos meios de transporte concorrentes, ela pode desestimular o uso do ônibus.” Colaborou Matheus Fierro

Valor é mais baixo em todo o país

O levantamento da ANTP analisou os custos de deslocamento em 43 cidades do país. Em todas, a utilização da moto é mais barata do que o preço da tarifa de ônibus. A localidade com a maior diferença de preços é Florianópolis (SC): a tarifa de ônibus custa R$ 2,50 e a viagem de 7 km para uma moto equivale a R$ 1,49, cerca de 60% do preço do bilhete. No Sudeste, em média, pagam-se R$ 2,11 pela viagem de ônibus. Já o preço para se deslocar de moto fica em R$ 1,45, cerca de 69% do custo de uma passagem de coletivo.

Em corrida no trânsito, “magrela” é mais rápida Hoje, às 18 horas, ciclistas prometem levar mil bicicletas para pedalar na avenida Paulista. Eles querem mostrar que a bike é uma solução saudável para o caos do trânsito na cidade.

O resultado do desafio intermodal – uma corrida entre diferentes meios de transporte realizada na quinta-feira – apontou a bicicleta como o veículo mais rápido. O trajeto entre a praça General Gentil Falcão, no Brooklin, e o viaduto do Chá, no Centro, foi feito em 36 minutos por homens pedalando por vias tranqüilas. Até a quarta posição, todos os competidores utilizaram bicicleta: em segundo, bikes conduzidas por homem e por mulher em vias rápidas (42’); a ciclista pedalando pelas vias tranqüilas (49’); e em quarto, aqueles que utilizaram a “magrela” e o ônibus (59’).

A moto ficou em quinto. O motociclista fez o percurso em 1 hora e 4 minutos, respeitando as normas de segurança, sem utilizar o corredor entre os carros. O trajeto de trem e metrô durou 1 hora e 41 minutos. O competidor que foi de ônibus e o motorista de carro chegaram juntos, em 1 hora e 51 minutos. Quem foi a pé não ficou tão atrás dos motorizados: cumpriu o desafio em 2 horas e 13 minutos, antes de quem utilizou bicicleta e metrô (2h21’) e ônibus e metrô (2h40’).

Utilização do transporte coletivo cresce na Grande SP O paulistano reclama que o aperto em ônibus, metrô e trem é cada vez maior. Ele sente, no dia-a-dia, o que mostram os números: pela primeira vez em quatro décadas, houve aumento na participação dos deslocamentos em transporte coletivo no total de viagens motorizadas na região metropolitana, segundo a pesquisa Origem e Destino do Metrô. Por dia, 13,8 milhões (55%) de viagens são feitas em transporte coletivo, contra 11,2 milhões (45%) em transporte individual.

Em 1997, os percentuais eram 51,2% e 48,8%, respectivamente. Número de viagens de bicicleta dobra em uma década Apesar do pouco espaço para elas, as bicicletas se tornam cada vez mais uma opção para fugir dos congestionamentos e dos custos de ter um carro. Na capital, há apenas 4,5 km de ciclovias fora dos parques, mas o número de viagens pedaladas quase dobrou em dez anos. Segundo a pesquisa Origem e Destino do Metrô, em 1997, eram realizadas 160 mil viagens diárias de bike na Região Metropolitana.

No ano passado, esse tipo de deslocamento saltou para 300 mil viagens por dia. Ainda assim, as bicicletas não têm nem 1% de participação como meio de transporte na Grande São Paulo. No total de viagens realizadas, incluindo os trajetos a pé, apenas 0,78% foram feitas de bike em 2007. Em 1997, esse índice era de 0,52%. Pedalar em São Paulo requer alguns cuidados: a cada cinco dias, um ciclista morre na capital. Veja na página seguinte dicas para carros e bicicletas conviverem pacificamente nas ruas da cidade.

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