São Paulo ganha quase 900 caminhões por mês

O ritmo de crescimento dessa frota pesada está acelerado

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Quem quiser sentir os benefícios da restrição ao transporte de cargas no trânsito de São Paulo tem que correr a cada dia serão menos perceptíveis.

Enquanto transportadores, motoristas e moradores discutiam nas últimas semanas as vantagens e as desvantagens de limitar as entregas na região central das 5h às 21h, bandeira do prefeito Gilberto Kassab (DEM), a capital paulista ganhava 29 caminhões por dia.

A cada mês, quase 900, o suficiente para lotar duas faixas de tráfego em toda a extensão de uma avenida como a Paulista.

O ritmo de crescimento dessa frota pesada está acelerado e não há expectativa que seja inibido no curto prazo.

Nos meses de junho e julho, período em que a prefeitura debatia e implantava as restrições aos caminhões, ele foi 74% superior à média de 2007 quando a cidade de São Paulo emplacava menos de 17 por dia.

As explicações do fenômeno estão na rotina da Expresso Mirassol, que faz, dentre outras, entregas de peças para a indústria automobilística no Estado.

Nos últimos meses, a empresa decidiu elevar a frota em 15% ao adquirir mais 60 caminhões.

Parte em razão do fechamento de novos contratos, ligados ao aquecimento econômico do setor no país. Parte por conta da nova restrição paulistana. “Do total, 20% está sendo comprado devido ao rodízio nas marginais”, afirma Dalton Rodrigues Salgueiro, diretor de operações da empresa.

Sinal amarelo

O crescimento acelerado da frota de caminhões na cidade de São Paulo, que já supera 163 mil, acendeu um novo sinal amarelo nas perspectivas futuras dos engarrafamentos.

“O benefício se esvai pelo tempo. Se ficar só nessa restrição, daqui a pouco não valerá de nada”, diz Jaime Waisman, engenheiro e professor da USP.

Embora defensor do limite aos caminhões adotado por Kassab, ele prega a importância de montar centros de distribuição para organizar as cargas.

Assim como Waisman, outros técnicos avaliam que a maior parte da explosão da frota dos veículos pesados está ligada à economia, mas admitem a influência do “efeito rodízio” ou da restrição de São Paulo.

A evolução da frota dos veículos pesados emplacados pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) nos últimos dois meses trouxe duas peculiaridades em relação à tendência verificada nos últimos anos.

Primeira: ela foi muito maior na cidade do que no restante do Estado, cujo ritmo de crescimento esteve 36% superior ao do ano passado. Segunda: a alta de 0,56% em um mês se igualou, proporcionalmente, ao aumento da frota de automóveis.

Um balanço parcial feito pela Folha apontou que os engarrafamentos aferidos pela CET durante a manhã tiveram queda de 32% em julho e de 17% neste mês em relação a 2007.

Mas, no período da tarde e da noite, a redução se limitou a 7% no mês passado e, em agosto, a lentidão subiu 5% –agravada provavelmente pela chuva.

O especialista Horácio Augusto Figueira avalia que, diante do crescimento da frota (não só de caminhões), em novembro a capital já terá de volta seu patamar de engarrafamento pré-restrição às cargas.

“Construir viaduto, tirar caminhão, isso tudo é coisa que dura alguns meses e não resolve nada”, avalia Figueira.

Para Flávio Benatti, presidente NTC & Logística (associação do transporte de cargas), a alta acelerada da frota de caminhões é resultado de um fenômeno que já se esperava.

“É uma tendência de adaptação e substituição da frota. Os efeitos da restrição e do rodízio não são duradouros”, afirma.

“Houve correria em cima dos veículos menores e para igualar a quantidade de placas”, avalia Francisco Pelucio, do Setcesp (sindicato dos transportadores), em referência ao fato de a restrição na área central permitir, das 10h às 16h, caminhões pequenos com placas de final par em dias pares e de final ímpar em dias ímpares.

Para Alcides Cavalcanti, diretor da Iveco, as vendas aumentaram tanto no setor de caminhões de grande porte, usados no transporte de grandes cargas industriais, como no de camionetes, que ficam de fora das restrições na capital e fazem as entregas urbanas.

“As empresas estão renovando a frota e preferindo tecnologias mais modernas para baixar os custos operacionais, já que a manutenção é mais barata para caminhões novos”, declara. (ALENCAR IZIDORO
RICARDO SANGIOVANNI – da Folha de S.Paulo)

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