Canhedo tenta salvar seu grupo da falência da Vasp

Os pedidos de recuperação judicial chegaram ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal nos dias 13 e 14 deste mês

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SÃO PAULO, 27 de agosto de 2008 – Com a iminência da decretação da falência da Vasp pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, o empresário Wagner Canhedo, dono da companhia aérea, entrou com pedido de recuperação judicial para outras três empresas de sua propriedade: a Fazenda Agropecuária Vale do Araguaia, a transportadora Wadel e a Viplan, empresa de ônibus urbano de Brasília.

Os pedidos de recuperação judicial chegaram ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal nos dias 13 e 14 deste mês. Na segunda-feira, o tribunal concedeu prazo de 10 dias para que as empresas apresentem toda a documentação exigida pela Lei de Recuperação Judicial, como demonstrações contábeis e relação de credores. Nos processos abertos com o pedido de recuperação, os ativos da fazenda Vale do Araguaia estão estimados em R$ 40,6 milhões, os da Viplan foram estimados em R$ 28,3 milhões e os da Wadel, em R$ 11,8 milhões.

O interventor judicial da Vasp, Roberto de Castro, que representa Canhedo, explica que a intenção do empresário é proteger os três negócios de “contaminação” com o processo da Vasp. “Pelo que ele (Canhedo) me explicou, o pedido de recuperação deve-se ao fato de que as companhias estão perdendo receita por conseqüência do processo da Vasp. As empresas estão enfrentando problemas financeiros, de falta de crédito.” Além disso, diz Castro, os bens e receitas das três empresas são alvo constante de pedidos de penhora por parte de advogados trabalhistas de credores da Vasp. “Ainda não houve nenhuma execução, mas os pedidos são constantes.”

Para os trabalhadores, os pedidos de recuperação judicial das três empresas de Canhedo representam “mais uma manobra do proprietário da Vasp para impedir uma possibilidade, que não está afastada, de decretação da falência de todo o grupo econômico”, afirma a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Graziella Baggio.

A possibilidade de falência da Vasp surgiu com a decisão dos próprios credores da companhia. Em assembléia no dia 17 de julho, os credores votaram a favor da conversão da recuperação judicial em falência. Quando e como essa conversão será feita dependerá do entendimento do juiz da 1ª Vara de Falência e Recuperação de Empresas, Alexandre Lazzarini. Neste momento, o juiz está ouvindo a manifestação das partes envolvidas. Mas o juiz já expediu ordem à Polícia Federal impedindo Canhedo de deixar o País.

O juiz também requereu a relação atualizada dos bens da empresa. Quando entrou em recuperação judicial, a Vasp possuía 450 imóveis, avaliados em R$ 200 milhões.

O Tribunal determinou ainda a devolução, para a Infraero, de todas as áreas da Vasp nos aeroportos. Na segunda-feira, porém, Lazzarini acolheu pedido da empresa e determinou que a Infraero encontre uma área para acomodar o patrimônio que estava nos hangares, como aviões, máquinas, motores e peças. “O dano que o patrimônio estava sofrendo era muito grande”, diz Castro, que atribui o fracasso da recuperação judicial à ordem de devolução das áreas da Infraero. “Ficou mais difícil atrair investidores.”

Os trabalhadores foram voto vencido na assembléia em que se decidiu pela falência. A favor estavam a Infraero, o fundo de pensão Aeros e alguns advogados trabalhistas independentes. “Ainda não conseguimos estimar o tempo que levará para os trabalhadores receberem seus créditos em caso de falência”, avalia Graziella. Para ela, uma eventual decretação de falência de todo o Grupo Canhedo pode não interessar aos credores da Vasp. “Uma falência ampla deixaria os trabalhadores da Viplan e das outras empresas desamparados. Além disso, você aumenta o patrimônio da massa falida, mas também aumenta o número de credores.”

Para ela, a falta de credibilidade de Canhedo “atrapalhou” a recuperação judicial. “A Vasp tinha muito mais bens do que a Varig. Chegou a ter 30% dos slots em Congonhas. Mas nenhum credor acumulou confiança ao longo do processo.” (O Estado de S. Paulo)

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