BNDES libera R$ 700 mi

Os recursos serão liberados por meio da SPE ( Sociedade de Propósitos Específicos), formada para viabilizar a construção da ferrovia

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Logística esbarra em gargalos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá liberar ainda este ano recursos da ordem de R$ 700 milhões para a retomada das obras da Ferrovia Senador Vuolo – trecho entre Alto Araguaia a Rondonópolis, a antiga Ferronorte – cuja concessão pertence à América Latina Logística (ALL). As informações foram passadas ontem pelo coordenador do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo.

Segundo ele, os recursos serão liberados por meio da SPE (Sociedade de Propósitos Específicos), formada para viabilizar a construção da ferrovia, e a entrega da ordem de serviço será dada em Cuiabá pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. As obras estão paralisadas em Alto Araguaia (415 quilômetros ao sul de Cuiabá) desde 2003 e deverão estar concluída até 2010.

Vuolo revelou que os recursos prevêem também a realização do Estudo/Impacto do Meio Ambiente (Eia-Rima) e a definição do traçado do trecho entre Mineirinho e Cuiabá, de aproximadamente 260 quilômetros.

“O Pagot (Luiz Antônio Pagot, diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre/Dnit) me informou que a ferrovia deverá chegar a Cuiabá dentro de quatro anos – até 2012 – devendo ter seu terminal construído no Distrito Industrial”.

Outra informação passada por Vuolo é que, chegando a Cuiabá, a ferrovia já começa a ter o seu traçado definido até Santarém, conforme prevê o projeto original da ferrovia. “A nossa projeção é estar com a ferrovia em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) em 2010, depois em 2012 em Cuiabá e, em 2014, em Diamantino, já no caminho para Santarém”.

Nos 500 quilômetros de trilhos desde a divisa com o estado de São Paulo (Aparecida do Taboado) até Alto Araguaia, foram investidos cerca de R$ 1,5 bilhão. Para a ferrovia chegar a Cuiabá são necessários mais R$ 1,5 bilhão em investimentos – R$ 700 milhões no trecho Alto Araguaia-Rondonópolis e R$ 800 milhões no trecho Rondonópolis-Cuiabá.

Vuolo informou que, enquanto se constrói a ferrovia até Rondonópolis, o fórum trabalhará uma “engenharia financeira” para que os trilhos avancem até à Capital e, a partir daí, sigam em dois ramais: um para Santarém, no Pará, e outro para Porto Velho (RO). “Ao chegar a Cuiabá a ferrovia cumprirá uma nova etapa, cumprindo o trajeto dentro do projeto original que é de cinco mil quilômetros e assegurando a interligação com os portos do rio Madeira (RO) e Itacoatiara (AM)”, frisou Vuolo.

Integração

Na avaliação de Francisco Vuolo, a extensão dos trilhos da ferrovia até a região amazônica será muito importante, pois além de dar mais uma opção de transporte, promoverá a integração ferroviária das regiões brasileiras. “Esta integração será o grande agente uniformizador do crescimento auto-sustentável do país, na medida em que possibilitará a ocupação econômica e social do cerrado brasileiro – com uma área de aproximadamente 1,8 milhão de quilômetros quadrados, correspondendo a 21,84% da área territorial do país, onde vivem 15,51% da população brasileira – ao oferecer uma logística adequada à concretização do potencial de desenvolvimento dessa região, fortalecendo a infra-estrutura de transporte necessária ao escoamento da sua produção agropecuária e agro-industrial”, destaca.

Lembrou que inúmeros benefícios sociais estão surgindo com a ferrovia. Segundo ele, a articulação de diferentes ramos de negócios proporcionada por sua implantação está contribuindo para o aumento da renda interna e para o aproveitamento e melhor distribuição da riqueza nacional, a geração de divisas e abertura de novas frentes de trabalho, permitindo a diminuição de desequilíbrio econômico e social. (Diário de Cuiabá)

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