TomTom, gigante do GPS, chega ao país

O endereço da TomTom será em São Paulo e deve ser definido até o fim do ano. Gigante mundial dos navegadores, empresa busca mercados no Brasil

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Benoit Simeray nunca imaginou, durante as três vezes em que viajou a passeio para o Rio, que um dia viria a São Paulo para trabalhar. Mas o executivo tampouco imaginou que a companhia que o contratou no início de 2003 cresceria 321 vezes em cinco anos – entre 2002 e 2007 – tornando-se o que ele diz ser a empresa de crescimento mais acelerado na história da Holanda. “Nunca sabemos o que nos espera. É a vida”, diz, em tom de brincadeira.

Vice-presidente de vendas para Europa e América Latina da TomTom, a maior fabricante de aparelhos de navegação para automóveis no mundo, Simeray abriu os escritórios do grupo em países como Itália, Espanha e Portugal. Seu objetivo, agora, é fazer o mesmo na América Latina, começando pelo Brasil.

O endereço da TomTom será em São Paulo e deve ser definido até o fim do ano. “Estamos recrutando um executivo [para a operação]”, conta. No início de 2009, o plano é abrir escritórios na Argentina e no Chile.

Fundada em 1991, em Amsterdã, a TomTom apresentou um crescimento meteórico nos últimos anos. Em 2002, a receita da empresa era de US$ 7,4 milhões, com lucro de US$ 1,28 milhão. Em 2007, os números eram bem diferentes: o faturamento chegou a US$ 2,4 bilhões e os ganhos somaram US$ 434 milhões. Em cinco anos, o quadro de funcionários pulou de 75 para 1.078.

A companhia nasceu como uma desenvolvedora de software de mapas para computadores de mão. Foram necessários, porém, 13 anos para que descobrisse sua verdadeira vocação: os aparelhos portáteis com o sistema de navegação GPS (sigla em inglês para “serviço de posicionamento por satélite”) para automóveis e bicicletas.

Simeray diz que, no início da década, os equipamentos GPS existentes eram grandes e, por isso, geralmente vinham acoplados ao carro. Além disso, eram caros. Custavam, no mínimo, 2 mil euros. Com o tempo, os dispositivos ficaram bem menores e passaram a ser vendidos no formato de aparelhos portáteis. Foi justamente esse o momento da virada da TomTom: a companhia conseguiu unir sua experiência em software à mobilidade do GPS, entregando um dispositivo por cerca de 700 euros.

Só neste ano, a TomTom estima vendar 15 milhões de aparelhos de navegação. O equipamento não tem botões. Tudo é feito com o toque do dedo na tela. Além disso, o dispositivo possui comando de voz. Outra facilidade é a possibilidade de atualização dos mapas – o aparelho é conectado ao computador e, pela internet, o usuário participa de uma comunidade onde é possível consultar dicas de trânsito ou mudanças de direção de ruas. Até restaurantes novos podem ser incluídos nos mapas.

No Brasil, o produto custará entre R$ 1 mil e R$ 2 mil. As primeiras peças começaram a chegar ao mercado em dezembro do ano passado, quando a TomTom fechou um acordo oficial – porém, não exclusivo – de importação e distribuição com a E-motion, seu primeiro acordo na América Latina. O país é considerado o principal mercado no bloco do Bric. Na primeira fase, o foco de Simeray será enfrentar as “barreiras” do país. “O custo de importação e de logística no Brasil são diferentes”, diz.

Hoje, é possível encontrar os produtos da empresa em varejistas como Fnac, Wal-Mart, Submarino e Carrefour.

Já os mapas da TeleAtlas – antiga fornecedora da TomTom que foi adquirida pela companhia neste ano, por 2,9 bilhões de euros – são comprados no portal da TomTom. O download dos mapas dos Estados Unidos e Canadá, por exemplo, custam 39,90 euros.

Segundo o executivo, a TomTom preferiu entrar em outros mercados antes de chegar à América Latina – único continente que faltava dentro do grupo -, porque os mapas dos países da região precisavam ser aprimorados.

Para aterrissar no Brasil, a TomTom, por meio da TeleAtlas, fechou um acordo com uma empresa brasileira, a Digibase, para melhorar a imagem das ruas e avenidas do país. “É um trabalho muito complexo. Os funcionários dirigem em estradas com grandes vans que têm sensores e câmeras”, diz. “Por isso, não é fácil encontrar boas companhias de mapa e apenas duas dominam o mercado, a TeleAtlas e a Navteq. É um segmento que demanda muito investimento.” A Navteq foi adquirida pela Nokia, por US$ 8,1 bilhões, em uma operação completada neste mês.

No setor de aparelhos portáteis, a concentração é semelhante. A TomTom e a Garmin, segundo Simeray, dominam 80% do mercado. Ele estima que serão vendidos, no mundo, entre 45 milhões e 50 milhões de aparelhos neste ano, o equivalente a 11 bilhões de euros. “As pessoas precisam economizar tempo dentro das cidades e querem informações atualizadas”, afirma.

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