Greve dos petroleiros pode afetar produção brasileira

Paralisação poderá influenciar nos preços do petróleo no mercado mundial

Passageiros poderão ser dispensados do pagamento de taxas para transportar instrumentos de trabalho e lazer
Tarifa portuária pode subir no Ceará
Grupo de logística DSV é novo “Global Partner” da Lufthansa Cargo

O Brasil poderá deixar de produzir 1,5 milhão de barris de petróleo e 22 milhões de metros cúbicos de gás por dia caso a greve dos petroleiros prevista para começar hoje tenha a adesão das 42 plataformas que operam na região da Bacia de Campos, responsável por 80% da produção brasileira.

O diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Marcos Breda, reconhece que a paralisação pode influenciar nos preços do petróleo no mercado mundial, mas diz que a Petrobras foi avisada sobre a intenção dos trabalhadores. “A Petrobras não foi surpreendida por essa nossa reação, ela foi avisada o tempo todo de que poderíamos chegar a esse momento se não avançássemos nas negociações”, diz.

A principal reivindicação dos petroleiros é que o dia do desembarque das plataformas seja considerado como dia trabalhado, e não como folga, como é atualmente. Pelas regras, a cada 14 dias trabalhados, os funcionários têm direito a 21 dias de folga.

A previsão é que a greve dure cinco dias, mas Breda diz que, se a Petrobras oferecer um acordo que agrade aos trabalhadores, as atividades podem voltar ao normal antes do prazo. A última greve do setor foi em 2001, quando os petroleiros pararam suas atividades por cinco dias.
Na sexta-feira, o sindicato dos petroleiros anunciou que iniciaria a greve hoje mesmo que a Petrobras apresentasse antes à categoria uma proposta para atender as reivindicações feitas pelos trabalhadores. “Foi tomada a decisão de só negociar com a greve acontecendo”, disse José Genivaldo Silva, diretor da Federação Única dos Petroleiros. “A Petrobras pode fazer uma outra oferta antes disso, mas vamos manter a greve. As plataformas só vão operar para manter a segurança”, disse uma autoridade do sindicato dos petroleiros.

Gabrielli: “Estamos abertos”

Em evento sexta-feira em São Paulo, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse que a empresa está preparando um plano de contingência e que permanece aberta a negociações. “Estamos negociando, estamos abertos, e somos da natureza de evitar a greve para que não afete a produção”, disse Gabrielli. “A produção vai continuar. Vamos, se necessário, implementar um plano de contingência para manter a quantidade mínima de funcionários para continuar produzindo”, acrescentou o executivo.

Segundo Gabrielli, “os temas principais em discussão são a forma de distribuição da participação dos lucros e resultados da companhia (PLR) e como medir a jornada de trabalho do petroleiro embarcado”. “Isso envolve cerca de 6,5 mil petroleiros, no total de 70 mil. Estamos negociando e abertos. Vamos negociar e esperamos que nada aconteça. Não vou antecipar o que vai acontecer”, disse o presidente da Petrobras, após participar, sexta-feira, de reunião com 60 empresários da Associação das Indústrias de Infra-estrutura de Base (Abdib).

“A Petrobras nos diz todo dia que está aberta a negociações, eles nos recebem bem e tudo, mas aí dizem que já fizeram sua oferta final”, disse Silva.

COMMENTS