Entreposto vai agilizar entrega de mercadorias

Formalidade para instalação do centro em Uberlândia será assinada hoje à tarde

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A implantação do entreposto da Zona Franca de Manaus em Uberlândia permitirá uma redução no prazo de entrega de mercadorias no Sudeste e Sul do País em, no mínimo, 12 dias. Os produtos faturados no Estado do Amazonas demoram de 15 a 20 dias para chegar ao varejo destas regiões e a tendência é que este prazo chegue a três dias. A assinatura do protocolo de intenções para a instalação do Centro de Distribuição (CD) na cidade será hoje, às 16h, no auditório da Prefeitura. Participam da solenidade os governadores dos estados de Minas Gerais, Aécio Neves, e do Amazonas, Eduardo Braga.

De acordo com o diretor-geral de uma empresa de consultoria em logística da cidade, Marley Ribeiro, o principal benefício da instalação do entreposto é a oferta e a disponibilidade dos produtos. A mudança na logística das empresas resultará na redução de custos, como pagamento de fretes e estocagem de produtos, e isso pode se transformar em benefícios para o consumidor. “É difícil calcular qual seria a redução em valores dos produtos, porque depende de cada setor”, disse.
O presidente da Associação Brasileira dos Atacadistas (Abad), Geraldo Caixeta, disse que a redução nos preços dos produtos pode variar entre 5% e 8%, baseado na diminuição dos gastos com logística.

Ele reforçou que o entreposto trará simplificação dos processos. “O CD vai atrair mais empresas do setor de transportes e gerar empregos. Isso movimenta a economia e traz desenvolvimento”, disse. Alguns representantes do setor varejista afirmaram que ainda é cedo para fazer qualquer previsão sobre preços finais de produtos. 

Armazém

Com o entreposto, Uberlândia passará a receber remessas de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus para depósito em um armazém geral, destinados à comercialização em qualquer ponto do território nacional ou mesmo para exportação. Entre os produtos estão televisores, aparelhos de som, DVD, MP3, moto e bicicletas de todas as marcas que são produzidas em Manaus. O local do centro de distribuição ainda não foi definido, porque a escolha da empresa é feita por meio de licitação.

A localização estratégica de Uberlândia permite o acesso aos grandes mercados consumidores e, em um raio de 600 quilômetros, atinge cerca de 78 milhões de habitantes. Marley Ribeiro disse que o entreposto poderá contar com a malha de distribuição e ainda com a força dos atacadistas, que são os maiores do País.

Após a assinatura do protocolo de intenções para instalação do entreposto em Uberlândia, será gerado o protocolo de ICMS entre os estados de Minas Gerais e do Amazonas. Nesta etapa é definida a parte técnica da parceria, que deverá ter a aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Mesmo com todos esses trâmites burocráticos, o diretor da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), Wilder Cunha, acredita que as operações no entreposto começam ainda neste ano.

Centro de distribuição vai gerar impostos

A instalação de um entreposto da Zona Franca de Manaus (ZFM) em Uberlândia vai aumentar a receita tributária de Minas Gerais e também do Município, a partir da arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) e do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), do setor de transporte. Ainda não é possível calcular o impacto que os impostos terá nos cofres públicos.

O modelo tributário deverá ser o mesmo adotado no entreposto de Resende (RJ), criado há nove anos. A mercadoria sai de Manaus sem o recolhimento do ICMS, cuja alíquota no Estado é de 12%. O tributo será cobrado quando o produto for vendido e sair do entreposto para ser enviado ao comprador. Com isso, o Estado do Amazonas não terá nenhum impacto na arrecadação do imposto. De acordo com a Assessoria de Comunicação da Secretaria da Fazenda do Amazonas, o valor arrecadado é revertido para o Estado. Minas Gerais fica com o ICMS sobre o transporte de mercadoria e com o imposto dos empregos gerados.

O Pólo Industrial de Manaus abriga cerca de 500 empresas, que juntas faturaram US$ 25,6 bilhões em 2007. O valor foi 12,3% maior que o registrado em 2006.

O diretor da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), Wilder Cunha, autor do projeto de criação de um entreposto no município e presidente do Núcleo Integrado de Logística da Aciub (NIL), disse que a instalação do Centro de Distribuição na cidade vai movimentar a economia local, regional e do Estado, especialmente os setores de transporte, autopeças, hoteleiro, os atacadistas e operadores logísticos.

A presidente da Aciub, Rosalina Vilela, disse que o Centro de Distribuição deve funcionar no mesmo nível do instalado em Resende (RJ), que movimenta anualmente R$ 1 bilhão em cargas e emprega cerca de 300 pessoas. 

Concorrência

O Estado do Amazonas recebeu demandas para a instalação de armazém da Zona Franca de Manaus de vários estados, entre eles Pernambuco (Recife e Petrolina), Goiás (Anápolis), Minas Gerais (Uberlândia, Varginha e Juiz de Fora). O diretor da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), Wilder Cunha, disse que a posição geográfica estratégica e a infra-estrutura logística da cidade foram elementos decisivos para a escolha do município. “Os maiores atacadistas do País estão na cidade, além das grandes redes de magazines e supermercados. Isso faz com que a cidade se torne rota natural para os produtos de Manaus”, afirmou.

A Assessoria de Comunicação da Secretaria de Fazenda do Amazonas afirmou que as vantagens do entreposto em Uberlândia para as indústrias da Zona Franca são de natureza logística. Segundo a assessoria, a distância do Amazonas em relação aos grandes pólos de consumo muitas vezes inviabiliza o fechamento de negócios pela demora na entrega. Com a implantação do entreposto em Uberlândia, os produtos ficarão próximos dos centros consumidores.

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