EXCLUSIVA: ATB entrevista Marco Borba e Ricardo Barion, da Iveco

EXCLUSIVA: ATB entrevista Marco Borba e Ricardo Barion, da Iveco

Dois dos principais executivos da marca no Brasil em um bate-bola inédito, em dose dupla, sem filtros e de olho no mercado, nos produtos e nas inovações da Iveco para a América Latina

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Marco Borba é vice-presidente da Iveco América Latina desde 2013. Contudo, a experiência de Borba no grupo começou bem antes como diretor comercial e de marketing da New Holland Construction, que assim como a Iveco, é uma das marcas que pertencem ao grupo CNH. Antes de ingressar ao grupo, Borba atuou em outras empresas do setor automotivo. O executivo é formado em administração pela Fundação Getúlio Vargas e pós-graduado com especialização em marketing pela mesma instituição.

Ricardo Barion é diretor de vendas e marketing da Iveco América Latina, desde 2015, cargo que assumiu depois de ampla experiência à frente de outras empresas do setor como a VWCO. O executivo, além de responder por marketing operacional, é responsável por eventos, inteligência de mercado, relacionamento com clientes, treinamento etc. Barion é graduado em engenharia mecânica e pós-graduado em marketing pela Universidade Mackenzie. Possui MBA em gestão estratégica e econômica de mercado pela Fundação Getúlio Vargas.

Nessa entrevista exclusiva, os executivos revelam suas expectativas com relação a nova política e o crescimento de mercado, estratégias para o Mercosul onde a marca tem forte presença, lançamento de novos produtos, com destaque para a nova linha de médios que já está a caminho, e expectativa para a Fenatran. Confira!

Agência Transporta BrasilA Iveco tem forte presença no Mercosul e isso é muito interessante. Quais as estratégias da empresa para os países vizinhos, sobretudo no Paraguai, que é um mercado aberto a produtos importados de segunda mão, e a Iveco trabalha o oposto com produtos Premium com concessionária?

Marco Borba – O Paraguai é uma operação emblemática, e temos investidores que detectaram naquele país uma oportunidade de atuar com veículos comerciais da Iveco, como no segmento de máquinas de construção e de motores com a FPT. Temos três casas lá e a previsão é de abrir uma quarta casa como um ponto de assistência. Percebo o Paraguai um mercado relativamente pequeno quando se compara a outros da região em termos de volume, mas que tem a necessidade de uma marca posicionada como Premium. E existe clientes para esse mercado. O setor de ônibus tem crescido muito e estamos com uma boa fatia de mercado por lá. Conseguimos crescer e fortalecer muito a nossa presença. O agronegócio é algo forte na região e nossos produtos para atender esse segmento tem se destacado, assim como a construção civil.

ATBAinda falando sobre o mercado externo, como que está a presença da Iveco na Argentina em meio à crise naquele país?

Borba – Nós temos uma presença muito forte por lá e para nós é um ano triste e isso acontece justamente no aniversário de 50 anos de operação da nossa fábrica em Córdoba, quando a gente vê o mercado tendo uma retração forte. Realmente se a gente olhar o passado, o mercado da Argentina tem certa estabilidade, flutua entre 24 e 25 mil unidades ao ano, e este ano está bem abaixo disso. Mas independentemente do que está acontecendo, temos uma visão de longo prazo na Argentina e somos reconhecidos como produtor nacional, com uma rede fortalecida e que está há anos conosco e isso não vai parar, ao contrário, dentro desse mercado retraído, conseguimos crescer e somos líderes no segmento acima de 16 t de PBT pelo nono ano consecutivo e queremos chegar assim ao décimo ano e como um player forte.

Ricardo Barion – Inclusive o lançamento dos médios que deve acontecer em breve é para América Latina e isso reitera a nossa aposta na recuperação do mercado Argentino.

ATBO Hi-Road já foi lançado há cerca de seis meses, conhecemos o produto e ele é bastante competitivo. Como está a aceitação de mercado?

Barion – É um produto que está indo super bem e não o vendemos mais porque partimos de uma produção pequena frente à oportunidade de mercado. Hoje temos em torno de 400 unidades vendidas já em campo. Mas ele abriu um espaço que é estar posicionado abaixo do Hi-Way que é Premium, porém, superior em relação aos modelos de seu segmento. E a gente precisava fazer um produto assim: adequado à operação do cliente, sem a necessidade de tantos requintes do Hi-Way, mas que entregasse conforto sem a necessidade de uma cabine tão grande e que fosse competitivo. Por tudo isso, o Hi-Road encaixou direitinho, tanto é que já temos clientes que compraram, aprovaram e estão comprando o segundo. E como a parte mecânica dele é a do Hi-Way então já é consistente, além do fato de ele ser o mais leve da categoria, portanto, leva mais carga. Na região Sul o Hi-Road já tem 15% de participação de mercado.

ATBVocê percebeu alguma mudança de comportamento dos clientes com a chegada do Hi-Road?

Barion – Há clientes a quem apresentamos esse caminhão e que basicamente a frota era padronizada com veículos da concorrência, e com o Hi-Road tivemos a oportunidade de conquistar esses clientes.

O novo caminhão da Iveco foi lançado no final do ano passado e já vendeu 400 unidades

ATBO mercado comenta sobre os médios que já devem estar saindo do forno, pois algumas unidades foram emplacadas. O que você pode adiantar sobre essa nova linha?

Borba – Vocês viram esse carro lá na Fenatran de 2017. E posso adiantar que ele melhorou muito de lá para cá. Claro que tínhamos vontade de lançá-lo um pouco antes, mas fizemos muitos ajustes e melhorias e posso adiantar que esse carro vai nos fazer voltar ao segmento que ficamos de fora por um tempo. Nossa expectativa é muito positiva e temos carros rodando em clientes que estão satisfeitos.

Barion – Essa nova linha vai trazer vários diferenciais para esse segmento. A gente entendeu que para voltar para ele, a gente tinha de ter o melhor carro da categoria. E dentro desse objetivo de ser o melhor do segmento, a gente teve de trabalhar um pouco mais na parte técnica e posso afirmar que os resultados desses carros emplacados que estão no campo são excelentes. É para reafirmar que vamos apresentar um produto competitivo. A cabine é um diferencial em conforto e tamanho. De 2017 pra cá mudamos motor, transmissão e o eixo traseiro, ou seja, mudamos muita coisa para deixá-lo competitivo.

ATBCom a saída da linha F, o que vocês vislumbram para a Daily? Porque no passado, na virada para a Euro 5, a Ford por não ter apresentado a F com a atual tecnologia, naturalmente o mercado migrou para Daily.

Borba – São carros diferentes com peculiaridades diferentes. Mas a Ford vai deixar um espaço que podemos preencher, pois temos versões capazes de atender às necessidades do cliente e o Daily é um produto maduro, que o consumidor conhece.

ATBA indústria como um todo estava com uma super expectativa com relação ao mercado este ano com a mudança de governo. Como vocês avaliam o mercado este ano, em especial por ser um ano de Fenatran? E vai ser possível crescer?

Borba – Do lado do ambiente político, eu entendo que se criou expectativas de mudança e de melhorias que estão demorando para acontecer, especialmente levando-se em conta a demora da reforma da previdência. E quanto mais isso atrasa mais influencia o humor do mercado como um todo, e a gente acaba percebendo alguns segmentos perdendo as expectativas. Mas a verdade é uma só, passamos por um período de turbulência bem grande e entre 2013 e 2014 tivemos um mercado mais forte em relação aos últimos anos e não foi por causa da queda expressiva que tivemos na sequencia que deixamos de fazer o que tinha de ser feito. Mas sabemos que o potencial do mercado brasileiro é maior do que a gente está vendendo hoje. Temos um programa de investimentos que está sendo feito nos últimos anos, e na Fenatran vocês verão muita coisa que comprova isso. Nossa expectativa é ter um ambiente de negócios com política comercial e industrial claras e que nos permita a traçar planos de longo prazo e que conduza ao patamar de 200 mil unidades que já chegamos perto um dia. O Brasil tem potencial para isso.

ATBÉ possível falar em números?

Barion – Com relação ao mercado começamos o ano com otimismo e quando vemos o primeiro trimestre, crescemos 50% se comparar ao mesmo período do ano passado, o que é interessante. Contudo, depois disso, passamos a olhar o mercado de modo mais conservador porque os números estão em linha com o que foi o ano passado, que não foi um ano ruim, começou baixo, mas depois subiu. Como começamos melhor este ano, entendemos que pode haver uma estabilidade em relação ao ano passado para o segundo semestre. Mesmo assim é natural que haja um crescimento mais para o final do ano, se a reforma se concretizar. Estamos em compasso de espera.

Borba – Mas quando você olha que estamos crescendo desde 2017, se falarmos em crescer 10%, 15% ou 20% mesmo assim será um patamar muito baixo perto do que já crescemos. Ainda mais se considerar a capacidade instalada da nossa indústria que é de quase 400 mil unidades e ter um mercado de 100 mil. Mas estamos fazendo a nossa parte. As políticas econômica e industrial precisam ser aperfeiçoadas para trabalharmos num ambiente mais favorável.

Ouça o restante dessa entrevista na Rádio Agência Transporta Brasil no link a seguir:

Agência Transporta Brasil (ATB)
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