Motor V8 da Scania completa 50 anos

Motor V8 da Scania completa 50 anos

O bólido motor da Scania depois de cinco décadas ainda mexe com o imaginário coletivo de muitos fãs

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LK 140 V8 produzido em São Bernardo do Campo

Em 1969, quando a Scania lançou seu primeiro motor V8 de 350 cv, ele foi aclamado como o mais potente propulsor diesel da Europa. Contudo, a decisão de desenvolver um motor dessa magnitude – leia-se motor de oito cilindros com arquitetura em V – veio bem antes, em 1960 com Bengt Gadefelt, conhecido como o “pai do Scania V8”. Ele foi o chefe de design dos motores diesel da marca entre as décadas de 1960 e 1980.

Gadefelt antecipou a necessidade de motores fortes, para atender, especialmente, a demanda do transporte mais pesado.

No início dos anos 60, a Scania contava com seis motores nas versões de 8 e 11 litros, atingindo potência máxima de 250 cv. Contudo, a engenharia da até então Scania-Vabis percebeu que para o futuro próximo essa cavalagem não seria suficiente e seria preciso “sacudir” o mercado de motores.
Foi, então, que Gadefelt como líder no desenvolvimento de motor, deu a tarefa aos seus colegas de desenvolver um propulsor mais potente.

“Percebemos que cerca de 350 cv eram necessários para conseguir uma boa performance. Isso significava aproximadamente 100 cv a mais em relação ao que tínhamos na época”, disse Gadefelt mais tarde, ao olhar para o projeto.

Bengt Gadefelt-chefe de engenharia e design dos anos 60

Enquanto o mercado demandava por motores mais fortes, a tendência por caminhões mais compactos aumentava. Foi aí que a engenharia da marca se deparou com o desafio de encaixar um motor maior sob uma cabine mais curta.

O conceito desenvolvido por Gadefelt e seus colegas resultou em um motor V8 de 14,2 litros. Esse powertrain tinha todos os atributos que os engenheiros da Scania estavam procurando: alta potência em baixa rotação, poucas mudanças de marchas e potência extra suficiente em toda a faixa de velocidade do motor.

Esse motor foi equipado no LB140, caminhão cara-chata que rapidamente foi aclamado pela indústria. Os clientes apreciaram também a aparência do motor em V com cabeçotes individuais por cilindro, além, claro, da potência de 350 cv combinada a uma curva de torque em baixas rotações. Havia, ainda, o som do motor, aquele ruído que se tornaria uma das maiores características do V8.

É sucesso que chama

A Scania fabricou mais de 170.000 motores V8 de 14 litros no total, tornando-se, de longe, o motor mais vendido no segmento de alta produção.
Mas o futuro do motor V8 estava ameaçado durante o final dos anos 80, quando a Scania trabalhava em um de seus maiores projetos, a Série 4 lançada em 1995. O desafio de montar um V8 num bloco de motor para esse projeto não era tão simples e dividiu opiniões da engenharia da marca.

Alguns eram favoráveis a ideia de motores de 11 e de 14 litros que tirassem o máximo de proveito dentro da nova realidade da época que era a tecnologia de injeção, necessária para atender à norma de emissão de poluentes vigente na época, a Euro 3. Mas outro time enfatizou a importância do V8 como valor de imagem da marca Scania e o quanto ele contribuiu nas vendas.

Um dos protótipos com ângulo de 72º

Para resolver o desafio, os engenheiros da Scania iniciaram o desenvolvimento de uma configuração de motor completamente nova: um V8 com um ângulo de 72° mais estreito. Cerca de 12 protótipos foram construídos, dos quais dois ainda estão guardados na fábrica da matriz da Scania, em Sördërtalje, Suécia.

E nasce o V8 de 16 litros

Segundo Gadefelt, o motor de 72° teria um layout muito complexo, especialmente o virabrequim. Com outra solução de injeção escolhida, optou-se por desenvolver um motor totalmente novo de 90° e de maior capacidade, de 16 litros.

Primeiro Scania V8-3

A nova tecnologia chega em meio ao desafio de atender a legislação de emissões e os requisitos ambientais que foram se tornando mais rigorosos com a chegada dos padrões Euro 3, 4 e 5, e em meados dos anos 90 a Scania estava preparada para atender essa grande etapa tecnológica.

Com a chegada do novo milênio, a lenda original foi finalmente substituída pela versão mais moderna, o potente V8 de 16 litros, nas potências de 480 cv e 580 cv a 1.900 rpm e com torque de 2.700 Nm, mais que o dobro do V8 original de 1969. Outro passo importante que a Scania deu com o novo motor foi a modularização: muitos componentes, incluindo o cilindro, eram os mesmos utilizados para os motores em linha. O conceito modular é de enorme importância para sinergias no desenvolvimento e produção da Scania, mas também é benéfico para os clientes, pois facilita o serviço, além da reposição de peças.

Uma nova era para o V8

Após o lançamento do V8 de 16 litros, o trabalho continuou no intuito de aprimorar o bólido. Em 2005, a empresa lançou sua mais ampla linha de motores, incluindo V8 de 500 cv, 560 cv e 620 cv para motores Euro 3, Euro 4 e Euro 5 com até 3.000 Nm de torque.

Com a legislação Euro 6 se aproximando na Europa, a Scania disponibilizou recursos para as novas tecnologias dos motores como recirculação dos gases de escape, turbo geometria variável, injeção de combustível de alta pressão common rail, redução catalítica seletiva e filtragem de partículas. Acrescenta-se a isso, a própria tecnologia de gerenciamento do motor e de exaustão da Scania integrada em um único sistema.

Em seguida a fabricante começou a trabalhar no desenvolvimento do motor de 16 litros, aumentando o volume de 15,6 para 16,4 litros e introduzindo um novo bloco de cilindros mais leves e resistentes em CGI (ferro de grafite compactado). Ao mesmo tempo, a Scania apresentou o motor mais potente: um V8 de 730 cv com um torque máximo de 3.500 Nm.

Nos anos seguintes, o desenvolvimento de motores e cabines continuou intenso. Quando a Scania introduziu seus novos caminhões Streamline em 2013, a empresa também apresentou sua segunda geração da série Euro 6, incluindo motores V8 de 520 cv, 580 cv e 730 cv.

Em sintonia com as demandas ambientais, a Scania também continuou a desenvolver motores que podiam funcionar com uma variedade de combustíveis renováveis. Todo caminhão V8 produzido desde 2015 pode operar com biodiesel-HVO.

Nova geração

No 125º aniversário da empresa em 2016, a Scania introduziu uma gama de caminhões totalmente nova. O maior lançamento de produtos da história da empresa foi o resultado de 10 anos de desenvolvimento e um investimento de mais de 2 bilhões de euros. Aqui no Brasil, a geração chegou este ano.

O motor V8 para a nova geração conta com um novo bloco de cilindros reforçados para gerenciar ainda mais a pressão.

O V8 no Brasil

Scania V8-620

No Brasil, o caminhão com motor mais potente com produção nacional é o Scania V8 de 620 cv que chegou com visual renovado com a nova geração. Mas a história do motor V8 da marca do grifo com o Brasil começou em 1975 com o LK 140 de motor V8 de 350 cv. Esse modelo seguiu evoluindo e na década de 1980 já atendia por LK 141 com 375 cv. Nos anos 80 a Série 2 chegou ao Brasil, e junto com ela a evolução com o T 142, e na década posterior evoluindo para o T 143 de 450 cv.

Em 2001 foi a vez do R 164 exibir o motor V8 de 480 cv e pelo conjunto da obra, desenho e powertrain, o caminhão ganhou o status de Rei da Estrada.

Na sequência, com a chegada da gama P, G, R o V8 passou a atender a linha R de caminhões nas potências de 560 cv, 580 cv e 620 cv.

Com a chegada da nova geração o motor de 620 cv de 16 litros, além de poder ser equipado na cabine R, agora pode ser equipado na cabine S, topo de linha da marca.

Andrea Ramos, Editora-executiva da Agência Transporta Brasil
andrearamos@transportabrasil.com.br

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