Câmbio inteligente do Accelo mostra 6,5% de economia na Jamef

Câmbio inteligente do Accelo mostra 6,5% de economia na Jamef

A transportadora está trabalhando com as versões do Accelo 1016 e 1316 em suas operações urbanas, na primeira linha de caminhões leves com câmbio automatizado do Brasil

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Conforme a ATB já divulgou, em março passado, a Mercedes-Benz saiu na frente ao iniciar as vendas de sua linha de caminhões leves e médios Accelo com câmbio automatizado. Agora, a fabricante informa os bons resultados que esses caminhões estão apresentando em operação de clientes, como a Jamef, uma das gigantes no transporte de mercadorias fracionadas, que está avaliando os veículos desde outubro passado.

A Jamef, que foi a primeira a testar a versão do Accelo com caixa inteligente, destaca que os veículos trouxeram uma melhoria de consumo na ordem de 6,5%. A transportadora está utilizando o modelo leve 1016 e o 1316 trucado nas operações de entregas urbanas de encomendas urgentes e de transferência de carga entre suas unidades.

De acordo com Michael Oliveira, diretor de operações da Jamef, no dia a dia a transmissão automatizada ajudou a melhorar a maneira de dirigir dos seus condutores e, além disso, oferece mais conforto, fazendo com que no final do trabalho eles fiquem menos fadigados.

“O Mercedes-Benz Accelo, que sempre atendeu as nossas expectativas, surpreendeu na versão automatizada, com bons resultados operacionais para a empresa”, afirma Oliveira ao acrescentar que hoje 35% de sua frota é formada por caminhões da Mercedes-Benz.

Segundo o diretor da Jamef a economia de consumo é um ponto a ser destaca, mas a redução do custo com manutenção também. “Há uma melhora no consumo, trazendo economia para a nossa operação de transporte. Além disso, essa tecnologia demanda menor custo de manutenção. Já o motorista ganha em conforto de dirigibilidade, melhor performance e produtividade”.

Leves e eficientes

A família de caminhões Accelo é formada pelos modelos leves 815, 1016 e o médio 1316 6×2. Desde o início do ano, a Mercedes-Benz colocou à disposição dos seus clientes a versão dos modelos com transmissão automatizada produzida pela Eaton.

Trata-se de uma caixa de 6 marchas que para o modelo de 8 t atende pelo nome Eaton 6106ª e para o 1016 e o 1316, Eaton 6206A.

Chamam a atenção pelo escalonamento de marchas, com primeira reduzida de 6,20 e última marcha com overdrive 0,78, combinando excelente partida em rampa e altas velocidades operacionais, tornando os caminhões aptos para trafegarem no intenso tráfego urbano, assim como em rodovias.

De acordo com Marcos Andrade, gerente de produto caminhão da Mercedes-Benz do Brasil, em testes de engenharia e realizados em clientes, a redução de consumo dos veículos com transmissão automatizada frente aos tradicionais manual está em torno de 3%. O executivo ficou surpreso que os resultados na Jamef se mostraram superiores mas credita isso as tecnologias que a transmissão agrega que colaboram para o melhor desempenho por parte do motorista.

Esse câmbio conta com dois modos de condução: função Eco (para rodar no modo mais econômico) e Power (para situações de força em trechos de aclives e serras e nas ultrapassagens). A tecnologia também tem sistema que reconhece a inclinação da pista e a carga do veículo realizando a troca de marcha de forma mais correta e adequada de acordo com as condições de pista e do veículo.

Chama a atenção, ainda, o sistema de partida em rampa que auxilia o condutor a sair do semáforo, por exemplo, sem deixar o veículo descer, caso esteja em uma subida. Só com esse sistema é possível poupar combustível já que evita o motorista ficar pisando no pedal de embreagem e do acelerador na tentativa de segurar o veículo antes de sair do semáforo.

A nova transmissão trabalha com o motor Mercedes-Benz OM 924 LA de 4,8 litros, o mesmo utilizado nos semipesados Atego de 17 t. Desenvolve potência de 156 cv a 2.200 rpm e torque de 62,2 mkgf de 1.200 a 1.600 rpm. Trata-se de um motor de 4 cilindros em linha de 4,8 litros.

No quesito segurança, o Accelo conta com freio ABS (por força da lei), EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem nos eixos) e ASR (controle de tração das rodas).

Melhorias a bordo

Antes mesmo da chegada da transmissão automatizada, a Mercedes-Benz renovou toda a sua linha de caminhões, de leves a pesados, e o Accelo começou a sair mais completo desde 2018.

O Accelo ganhou versão com cabine estendida que prolonga o espaço em 180 mm na parte traseira. E permitiu a instalação de 3 porta-objetos atrás dos bancos. Além disso, o banco do motorista pneumático ganhou mais funções como controle de altura e profundidade e regulagem de encosto que foi aumentada para 25 graus, resultando em maior ergonomia. O encosto do banco do acompanhante ganhou mais 6 graus de inclinação.

Destaque para os dois bancos dos passageiros que podem ser rebatidos, sendo que o central além de contar com dois porta-copos ainda serve como mesa.

O Accelo 815 tem 8,3 t de PBT (peso bruto total), enquanto que o Accelo 1016 o PBT é de 9,6 t e o médio 1316 tem13 t de PBT.

De acordo com a engenharia da marca essa gama ainda tem as maiores plataformas de carga da categoria, com até 0,55 metro a mais que seus principais concorrentes nos modelos 815 e 1016, equivalendo a cerca de 3 m3 a mais de volume de carga. No modelo 1316 a diferença é até 1,85 metro maior que seus principais concorrentes, o que equivale a 7 m3 a mais de volume de carga.

Jamef e Mercedes

A relação da Jamef com a Mercedes é de décadas. A empresa, fundada há 56 anos, começou suas operações com um caminhão da marca. O clássico LP 321, que até hoje é utilizado pela empresa em operações próxima a um dos seus terminais na região de Barueri, SP.

E graças a essa operação, hoje 35% da frota da Jamef é formada por caminhões da marca.

Mais produtividade, mais demanda por caminhões

A Jamef está cumprindo um plano de crescimento de longo prazo e acaba de inaugurar em sua unidade de Barueri (SP) um sistema de “sorteamento” de mercadorias para aumentar a produtividade. Por ser uma transportadora de cargas fracionadas, com muitos volumes destinados a muitos lugares diferentes, o sorter é uma maneira eficiente de lidar com tantas caixas indo para tantos caminhões de distribuição ou transferência.

O sorter é um equipamento que consiste em uma linha de esteiras automatizadas que transportam as caixas e volumes e, por terem etiquetas com códigos de barra e QR, podem ser lidas pelo sistemas e direcionadas para a doca certa, sem a intervenção humana. Segundo a Jamef, a instalação do sorter demandou um investimento de R$ 10 milhões e o equipamento proporciona uma produtividade triplicada em relação ao manuseio dos volumes por funcionários.

Além de ajudar a destinar cada volume para o caminhão certo, o sorter também conta com um sistema de medição das encomendas, o que os transportadores chamam de cubagem. “O nosso cliente faz a declaração do volume e do peso de sua encomenda despachada na Jamef, mas, não por má fé, muitas vezes esta declaração não tem precisão. É necessário utilizar a tecnologia para aferir corretamente o tamanho das encomendas para que possamos utilizar e espaço e a capacidade de peso dos nossos caminhões ao máximo, e não errar na conta. No final do dia, isso acaba trazendo uma receita de até 30% mais em comparação aos processos que não fazem a cubagem e pesagem das cargas”, explica o executivo da transportadora.

Andrea Ramos e Leo Doca – Agência Transporta Brasil – ATB
redacao@transportabrasil.com.br

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