O Brasil dos 500 cv de potência

O Brasil dos 500 cv de potência

Caminhões com essa faixa de potência já respondem por boa fatia das vendas entre os pesados, segmento que promete em 2019

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Os caminhões pesados representam 49,99% das vendas totais contabilizadas nesses primeiros três meses do ano. Portanto, essa categoria é a que mais vem protagonizando as vendas entre os veículos com PBT a partir de 3,5 t. Para se ter uma ideia, em igual período de 2018 os pesados já representavam 43,57% das vendas totais.

E dentro desse segmento existem subcategorias que estão divididas entre caminhões rodoviários e fora de estrada – estes, usados no transporte madeireiro, mineração entre outros. Contudo, as maiores vendas dentro desse universo ainda são entre os rodoviários.

Necessidade de força

Nos últimos anos o transportador brasileiro tem buscado veículos com motorizações mais fortes. Isso porque a velocidade média tornou-se um diferencial nos serviços de transporte. O embarcador cobra horário de entrega de suas mercadorias e ganha quem sai na frente.

Para se ter uma ideia do quanto a potência dos caminhões evoluiu, nos últimos 40 anos ela saiu da casa dos 180 cv para os 400 cv – esta, até então a faixa de potência que mais prevalece entre os caminhões pesados dentro e fora de estrada. Desde o início deste ano os caminhões que estão mais faturando em vendas já partem dos 500 cv.

Volvo e Mercedes na frente

Pelo ranking de emplacamentos divulgado pela Fenabrave, no primeiro trimestre de 2019, o modelo mais vendido é o Volvo FH 540 com 1.31 unidades, seguido do Mercedes-Benz Actros 2651 que tem 980 unidades emplacadas no mesmo período.

Ambos os modelos, ano passado, já estavam entre os três mais vendidos. Contudo, quem encabeçava a lista era o Scania R 440. Com a saída desse modelo do grifo do mercado para dar lugar à nova geração, o Volvo e o Actros passaram a ocupar liderança e vice-liderança, respectivamente.

Na quinta posição está o DAF XF105, com 588 unidades vendidas, sendo que a versão de 510 cv é responsável por 292 unidades. O Volvo FH 500 também está entre os 10 modelos mais emplacados, com 390 unidades vendidas no trimestre.

A relação peso/potência é a razão de o Brasil ter avançado tanto no quesito motor. Anos atrás o transporte rodoviário era praticamente feito por caminhões 4×2 ou 6×2 de três eixos.

Com a chegada do bitrem, a capacidade de carga dos caminhões saltou de 40 t para 57 t. E depois chegou uma nova legislação em 2010 que obriga que o transporte superior a 57 t seja feito por caminhões 6×4 com um eixo a mais e, portanto, mais pesados em comparação aos trucados. Com isso, o PBTC também evoluiu e hoje esses caminhões podem carregar até 74 t. Para tudo isso, a relação peso/potência se faz necessária. Com a evolução da potência o torque também evoluiu. Para se ter uma ideia, o crescimento médio foi cerca de 15 Nm/ano.

Contudo, o turbo foi o elemento que mais favoreceu as engenharias das fabricantes, mas a eletrônica embarcada sem dúvida permitiu que o departamento alçasse estradas mais distantes. Outro item que também evoluiu é a capacidade cúbica desses motores, todos são de 13 litros.

Bólidos a toda prova

Iveco Hi-Way

Apesar de não ser um protagonista em vendas, o Iveco Hi-Way, dentro da casa dos 500 cv, é o que possui a maior cavalagem da categoria: são 560 cv. O caminhão da grife italiana é equipado com motor é o FPT Cursor 13 com potência de 560 cv a 1.900 rpm e torque de 255 mkgf entre 1.000 a 1.550 rpm. O modelo atua combinado a uma transmissão ZF de 16 marchas automatizada.

A bordo, o Iveco tem um acabamento de primeiro, assim como os demais. Aliás, vale ressaltar que os caminhões posicionados nessa faixa de potência são Premium em termos de acabamento e tecnologias que entregam.

O Iveco tem largura externa de 2,5 m, o habitáculo foi desenvolvido sem pára-lama afim de otimizar o espaço interno da cabine. Os bancos, assim como o revestimento das portas, possuem acabamento em couro, são pneumáticos, têm apoio de braço e cinto de segurança integrado.

O painel de instrumentos é bem curvo porque tudo no caminhão privilegia a aerodinâmica. Ar-condicionado digital, rádio com sistema USB e MP3 e o computador de bordo com diversas funções como consumo instantâneo, pressão da turbina, horímetro, diagnose de falhas etc, estão na lista dos itens de série. Todos os portas-objetos a bordo da cabine correspondem a 600 litros de capacidade de armazenagem. O Hi-Way 800S56TZ 6×4 custa R$ 453.000

Volvo FH 540

Além de ser o mais vendido, o FH 540 é o precursor no Brasil das tecnologias de segurança ativa, ainda oferecidas como itens opcionais, porém, para quem vai desembolsar para comprar um dos caminhões mais bem cotados do mercado, vale a pena o investimento.

Seu motor é produzido pela Volvo o D13C540, de 13 litros de 540 cv de potência entre 1.450 e 1.900 rpm,com torque de 265 mkgf de 1.050 a 1.450 rpm. A transmissão é a automatizada I-Shift de 12 marchas.

O Volvo está posicionado como o caminhão mais caro dessa lista dos 500 cv. Porém, tecnologia não falta ao bruto. Na sua 8ª geração, o FH que roda por aqui é o mesmo que trafega pelas ruas da Europa e com as mesmas tecnologias, como o I-See, sistema capaz de fazer a leitura do trajeto por onde trafega. Quando o veículo retornar ao mesmo local, por ter reconhecido o percurso, rodará com intuito de economizar combustível.

Outra ferramenta que trabalha com esse intuito é o Driver Coaching solução de telemetria da Volvo que permite fazer o acompanhamento da forma de condução do motorista em tempo real. Ele atua como um instrutor online que dá nota de 0 a 100 com base em frenagem, aceleração, uso das marchas etc. Ambos os itens são de série no FH.

Além disso, como opcional, oferece sensor de ponto cego, sensor de chuva, câmera de monitoramento de faixa de rolagem. Além disso, o veículo possui piloto automático inteligente, ferramenta de prevenção de efeito L, e detector de atenção, ferramenta que reconhece o padrão de condução do motorista e emite sinais de alerta, caso entenda que ele esteja cansado.

No Volvo tudo foi pensado na segurança. Para se ter uma ideia, a lacuna entre o caminhão e os retrovisores externos do lado do condutor é até 25% maior em relação ao do lado do passageiro, afim de garantir o melhor campo de visão. O FH 540 traçado custa R$ 525.418.

Scania S 540

O mais novo modelo a entrar para a categoria de pesados potentes é o Scania S 540. O modelo terá versões com cabine R, a mais popular da Scania. Contudo, como essa é uma categoria em que o transportador parte da lógica que vai investir num caminhão com o trem-de-força de primeira, ele também quer levar para a sua garagem uma cabine Premium e a S chega como a cabine topo de linha da marca do grifo. Para se ter uma ideia, o Scania S possui uma cabine 100% plana, com teto alto e acabamento de primeira. Ele também se iguala aos irmãos europeus em termos de design, tecnologia e acabamento, assim como toda a nova geração da Scania vendida no Brasil.

O motor de 540 cv é novidade, assim como a nova geração, e ele chega para substituir o motor de 510 cv. O DC13, 13 litros, produzido pela Scania desenvolve 540 cv de potência e incríveis 275,5 mkgf de torque – o maior torque entre os pesados na faixa dos 500 cv. A transmissão é a Opticruise de 14 marchas.

Essa nova geração também promete uma lista ampla de equipamentos de segurança ativa que serão vendidos como itens opcionais.

Em relação ao design toda a parte frontal foi renovada e sempre favorecendo a aerodinâmica, mas mantendo o DNA como o nome da marca destacado mais acima da grade dianteira. O boné frontal foi retirado para dar lugar às luzes de neblina.

Nessa cabine por ser topo de linha itens de série que privilegiam o conforto e requinte estão presentes como teto solar, portas-objetos e bagageiros, uma segunda cama, bancos e volante com acabamento em couro e painel com tela multimídia, além de geladeira como itens da lista. O Scania S540 custa R$ 521.526.

Mercedes-Benz Actros 2651

O Mercedes-Benz Actros é o modelo que assim como o Volvo FH entrega muitas tecnologias de segurança. Apesar de seu design estar desatualizado em relação ao Actros europeu que por lá o modelo já possui câmeras no lugar de retrovisores, por aqui, a Mercedes-Benz promete novidades na linha pesada ainda este ano. Quem sabe é para esse caminhão.

O Actros está posicionado como o segundo mais vendido, algo merecido, já que desde que aterrissou no Brasil em 2010 passou por muitas melhorias. Hoje no seu mainstream, o caminhão entrega um motor confiável e que leva fama de forte e econômico.

Trata-se do OM-460 LA, de 13 litros que desenvolve 510 cv a 1.800 rpm e torque de 244,7 mkgf de 1.100 rpm que trabalha combinado a caixa automatizada de 12 velocidades que atende por PowerShift. Essa transmissão conta com alguns modos de condução afim de dar mais dinamismo e ajudar na economia de combustível, como a ferramenta EcoRoll sistema que permite aproveitar a inércia quando possível e coloca a transmissão em neutro de forma segura e controlada), e Manobra (limita o giro do motor a até 1.000 rpm. Assim, o motorista pode utilizar todo o curso do pedal do acelerador para realizar manobras precisas e se movimentar no pátio com segurança).

Na lista de itens de segurança ativa, opcionais para esse modelo, sensor de proximidade, assistente de faixa de rolagem, sistema de partida em rampa e sensor de chuva.
A bordo o Actros entrega muito conforto como um painel de instrumentos completo, piloto automático inteligente.

O ambiente interno possui 1,92 de altura do piso (que é totalmente plano) até o teto na cabine avaliada, que é a Megaspace, topo de linha. A cabine conta com novo climatizador, menor e de melhor distribuição de ar, e um ar-condicionado de série que, para o alto padrão da cabine do Actros, poderia ser digital. O Mercedes-Benz Actros custa R$ 430.377

DAF XF105 510

O modelo avaliado da DAF em termos de design está desatualizado se comparar a gama vendida na Europa. Contudo, ele dispõe de tantos itens de conforto e um trem de força bem confiável, que vale a pena investir no brutão.

O motor é o Paccar MX-13 que está montado num bloco de 6 cilindros em linha. Sua potência é de 510 cv de 1.500 a 1.900 rpm e o torque de 255 mkgf de 1.050 a 1.410 rpm. Esse propulsor trabalha junto com a transmissão ZF As-Tronic Direct Drive de 12 velocidades e duas ré, com relação de 1:1 na última o que rende em economia de combustível.

Outro atributo do habitáculo da DAF é o acabamento. Na versão mais requintada ele remete aos automóveis de luxo. A sensação de aconchego se deve ao revestimento do painel em madeira. Os bancos e a cama que acompanha beliche – esta opcional –, e as portas mesclam as cores marrom e bege.

Os bancos são pneumáticos, opcional para o passageiro, e possuem braços laterais com regulagem de altura. A Super Space Cab é equipada com uma mesa que suporta 100 kg, cortinas roll-on com blackout e escada de alumínio dobrável com degraus extra-largos entre uma cama e outra. Ar-condicionado, tacógrafo digital e escotilha com acionamento elétrico são itens de série. O DAF XF105 custa R$ 434.131.

Andrea Ramos, Editora-executiva da Agência Transporta Brasil (ATB)
andrearamos@transportabrasil.com.br

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