Transportadoras: sobrevivência na ponta do lápis

Transportadoras: sobrevivência na ponta do lápis

Para muitos pequenos empresários do transporte de cargas, a gestão financeira ainda é entrave e empresas trabalham com margens apertadas e buscam aumentar lucros

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Em uma conta rápida, Josenildo Melo, proprietário de uma pequena transportadora situada em Guarulhos, São Paulo, mostra que as margens de lucro da sua empresa variam entre 6% a 8% do faturamento mensal. Preocupado, ele admite que o ideal seria um índice de 30% para que a saúde financeira não fosse um motivo para preocupação. Mas esta realidade está muito distante.

O pequeno empresário diz que os impostos consomem algo em torno de 15% da receita da empresa de quase R$ 10 milhões ao ano: “Os encargos com mão de obra são, também, pontos de atenção, sem contar insumos e custos com combustível e pneus que crescem cada vez mais.”

Esta dificuldade em obter um equilíbrio na saúde financeira é uma realidade de diversas pequenas empresas no Brasil.

Um estudo de dezembro do Serasa Empreendedor – braço da Serasa Experian, mostrou que 45% de micro e pequenos empresários afirmam sentir dificuldade para controlar a gestão financeira e 5% admitiram não fazer nenhum tipo de controle.

Mas, ainda assim, têm como meta de ano novo cuidar melhor das finanças.

Foco nas contas

Victor Loyola, vice-presidente de Micro, Pequenas e Médias Empresas da Serasa Experian, explica que a saúde financeira é o coração de uma empresa e, por isso, merece atenção especial. “O grande desafio é mostrar para estes empreendedores que é necessário conquistar uma boa reputação no mercado, o que possibilita mais chance de conseguir crédito e potencializar o crescimento sustentável do negócio.

Com uma frota de própria de 18 caminhões que rodam, em média, 300 mil quilômetros por mês, a transportadora do Josenildo é especializada em transporte de cargas gerais e tem as mesmas reclamações de muitas outras empresas deste ramo: frete desvalorizado, preço do diesel nas alturas e por aí vai. Mas admite que vem lançando mão de algumas medidas para mitigar o efeito do lucro apertado. Algumas delas são: analisar bem as despesas e pensar muito bem antes de investir em um novo caminhão.

“Este tipo de compra só faço mesmo se houver um bom caixa e procuro não entrar em financiamentos para não ter comprometimento a longo prazo “, desabafa o transportador.

Esta foi uma das formas que o empresário encontrou para aumentar sua expectativa de lucro e manter em ordem a saúde financeira. Contudo, nem todos pequenos empresários do transporte conseguem seguir um caminho parecido.

Transportadores unidos

Helou, presidente do SETCESP: transportador tem que se dedicar à gestão

Na visão de Tayguara Helou, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região – o SETCESP, o grande desafio destes empreendedores é o tempo escasso e poucos “braços”para cuidar das finanças.

“Precisam se dedicar ao dia a dia e não conseguem fazer gestão”. Atualmente, a entidade possui 2.700 transportadoras em seu quadro de associadas, sendo 75% deste volume pequenas e médias empresas. “Deste percentual, a maioria é pequena”, diz Helou.

Preço x custos x legislação

A famosa planilha de custos do transporte é bastante conhecida no setor, contudo, segundo Helou, uma das principais falhas de quem gerencia o negócio é não conhecer a fundo os custos da operação. “No fim das contas, a consequência é precificar errado e isso compromete a rentabilidade.”

Outro fator que sempre acaba impactando é falta de conhecimento de legislação que pode ocasionar em multas e processos no Ministério do Trabalho. Para Tayguara Helou, o empresário que está por dentro das legislações evita multas e processos do Ministério do Trabalho.

“A lei 11.442, por exemplo, regulamenta a atividade do transporte e a 13.103 diz respeito a jornada”, relembra. Quem se atualiza sabe quanto tempo o motorista deve trabalhar e qual a pausa necessária para descanso e, dificilmente, comete alguma infração.

De olho nestas lacunas de gestão dos pequenos transportadores, o presidente do SETCESP diz que o Sindicato vem aumentando o leque de serviços para os associados com perfil de pequena empresa. O objetivo é justamente ajudar a essas empresas a manter ou conquistar saúde financeira apropriada para a sustentabilidade do negócio. A entidade oferece, por exemplo, auxilio para ajudar na construção de uma precificação do frete.

O peso dos impostos

Para Ciro Cesar da Costa Lopes, presidente da ABRATRANS – Associação Brasileira Dos Transportadores de Cargas, que representa 30 empresas, sendo 25 de pequeno porte, um dos maiores obstáculos são as cargas tributárias altíssimas que compromete uma boa parte do faturamento. Mesmo assim, é possível se organizar para obter uma boa saúde financeira.

“Uma transportadora que trabalha certo, com um bom time e bons pacotes de serviço tende a fidelizar seus clientes e conquistar espaço em empresas grandes e sérias”, diz. Isto traz previsibilidade em receita e permite uma melhor gestão do negócio.

Exclusiva da Agência Transporta Brasil – colaborou Aline Feltrin

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