Um presidente estradeiro

Um presidente estradeiro

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O que se espera de um governante? Que ele viva a realidade de seu povo e conheça as dificuldades de quem governa seria uma resposta aceitável. E a notícia é boa, mas vem do outro lado do oceano: o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, resolveu conhecer de perto a realidade dos caminhoneiros portugueses.

Nesta segunda, em uma manhã fria, ele realizou uma viagem de 6 horas entre a capital Lisboa e a cidade do Porto, e passeou a bordo de três caminhões diferentes, a convite da Associação “Motoristas do Asfalto”, que representa os motoristas portugueses.

Caminhões premium para o presidente

E o presidente teve sorte: viajou em três caminhões considerados premium pelo mercado: um MAN TGX, um DAF XF e um Renault Truck da Gama T. Todos muito confortáveis e com tecnologias que priorizam o motorista e sua segurança.

Só muda o endereço

Mas não foi para elogiar os caminhões que o presidente embarcou nesta viagem. Ao ouvir os motoristas, o presidente Sousa ficou sabendo das principais reclamações da categoria. Entre elas, o destaque está para a aposentadoria dos caminhoneiros portugueses: eles pedem que a idade mínima para se aposentar baixe para 60 anos e também estão preocupados com a falta de renovação dos profissionais do volante: são necessárias políticas de incentivo para o caminhoneiro mais jovem ingressar na profissão.

Outro problema sério dos caminhoneiros de Portugal, em comum com os colegas brasileiros, é a defasagem do frete e a alta do preço do diesel. Durante a greve no Brasil, os portugueses aproveitaram a oportunidade para também parar e protestar por melhores condições de trabalho e de sobrevivência.

“Não há nada como conhecer. É isso que eu vou tentar fazer hoje. Se há uma lógica que é privilegiar as estradas nacionais para pesados ou criar condições de tal forma nas autoestradas que os convidem a isso, então tem que se olhar para o piso das rodovias nacionais”, afirmou o chefe de Estado.

O presidente português partiu de caminhão do Terminal de Carga Aérea do Aeroporto de Lisboa. Os caminhões usados pertencem à empresa TMP. No primeiro trecho, Sousa foi conduzido, a bordo de um DAF XF, pelo motorista Fernando Frazão, que é presidente da associação “Motoristas do Asfalto”.

Depois de uma parada para o almoço em Coimbra, o presidente Sousa seguiu a segunda metade do percurso com a motorista Alexandrina Santos, de Renault. Ela é caminhoneira há 20 anos e faz viagens entre Portugal, Holanda, Bélgica, Inglaterra e Alemanha. Ao presidente, Alexandrina contou sua realidade: ela está entre as 50 caminhoneiras portuguesas que dirigem sozinhas pelas rodovias e encontra condições difíceis nas estradas, com estruturas voltadas apenas para os homens. “Não existem locais de chuveiro para as mulheres nas estradas. Além disso, não é raro passar por sustos nas viagens, com tentativas de roubo de combustível nas paradas, falta de segurança e de apoio dos colegas homens”, disse ela ao presidente.

As condições ruins do asfalto nas estradas nacionais portuguesas também foram pauta do encontro com o presidente. Ele anotou os principais pedidos e reclamações dos caminhoneiros e prometeu tomar providências urgentemente.

Fica o bom exemplo para um certo país rodoviário tão carente de boas condições para os caminhoneiros e que trata tão mal os transportadores rodoviários que servem sua economia. Sabem qual é, não?

Leonardo Andrade – Agência Transporta Brasil
leodoca@transportabrasil.com.br

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Agência Transporta Brasil – ATB

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