Ministério Público diz que Lei dos Motoristas triplicou o uso de drogas entre caminhoneiros

Para o órgão, o resultado reflete a precarização das condições de trabalho de motoristas com a nova legislação

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O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) realizou, com apoio da Polícia Rodoviária Federal, submeteu caminhoneiros a exames toxicológicos em operações na Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa-MS) e no posto da PRF da BR-163 que apontaram que 33% dos caminhoneiros  usaram algum tipo de droga, com prevalência para a cocaína.

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Quanto aos testados na Ceasa, constou-se 56% de positividade. Os testes ocorreram nos dias 6 e 7 de outubro e foram realizados em parceria com Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) da Secretaria de Segurança Pública do estado e do laboratório americano Labet.

Em comparação com dados obtidos antes da sanção da nova Lei do Descanso (Lei 13.103/15), houve aumento de resultados positivos para uso de drogas, o que reflete a precarização das condições de trabalho de motoristas com a nova legislação, segundo o órgão.

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Os testes de queratina, realizados a partir da coleta de cabelo e pelos, constataram ainda que mais de 80% dos caminhoneiros usuários de cocaína possuem perfil de dependentes químicos. O procurador do Trabalho Paulo Douglas de Almeida Moraes ressaltou a grave conclusão apontada no exame. “Os testes demonstram que a nova legislação legitimou a negação da dignidade dos motoristas, na medida em que uma expressiva parcela destes trabalhadores precisa usar drogas para suportar a desumana carga de trabalho dela exigida. Os motoristas representam uma categoria reduzida à condição análoga a de escravo, em especial daqueles motoristas que transportam carga viva e perecíveis”.

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Segundo Moraes, a realização de testes toxicológicos  associados à exigência de sobrejornada é uma perigosa contradição. “As alterações na legislação promovidas através dessa da Lei 13.103/15 representaram retrocesso sem precedentes para os direitos trabalhistas. A nova legislação, em termos práticos, autoriza a jornada de até 12 horas diárias e, em diversas hipóteses, não há qualquer limite de jornada”.

Ele finaliza esclarecendo que as novas regras desvirtuaram a Lei 12.619/2012, que ficou conhecida como “Lei do Descanso”, que assegurava aos motoristas tempo maior de repouso, vedação do pagamento por comissão e efetiva limitação de jornada.

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