Superintendente da Aeropress comenta sobre o transporte Rodoaéreo no Brasil

Em uma conversa exclusiva com o Portal Transporta Brasil, Jacinto Junior fala sobre as perspectivas do nicho, sobretudo do segmento de serviços aéreos da Braspress

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jacinto-entrevista-aeropresCom vasta bagagem na área de transporte e logística no Brasil, há 30 anos trabalhando no setor e com 49 anos de idade, Jacinto Junior é hoje um dos alicerces da Aeropress, um dos expoentes no segmento de transporte rodoaéreo.

O executivo, que também já atuou em variados cargos na Ramos Transportes e na Total Express, conta para o Portal Transporta Brasil o que este nicho já conquistou e como pode oferecer aos potenciais usuários uma operação de transporte estritamente ágil.

Como está o segmento rodoaéreo no Brasil atualmente?

Jacinto Junior: A Braspress tem um reconhecimento por parte dos clientes já no modal rodoviário. Aliados a isso, agora passa a ter o modal aéreo para dialogar. Eu sempre enfatizo que o avião não para na porta da casa de ninguém, então o serviço aéreo será sempre complementar nesse tipo de operação. Acredito que a gente pode fazer essa ponte muito bem, tendo em vista a expertise que a Braspress já carrega. Através de sua capilaridade podemos atender o País inteiro. E onde não há mais a possibilidade de aplicar o aéreo, nós complementamos com o transporte rodoviário. Falando do segmento como um todo, a maioria das empresas aplicam essa sinergia entre os modais por meio de parcerias ou buscando agências de destino, cada um buscando uma segunda “perna”, ou seja, o rodoviário. Hoje, o modal rodoaéreo proporciona ao cliente uma certeza de urgência muito diferente da urgência que o rodoviário propõe por si só. É claro que o transporte terrestre tem sua eficiência e importância, mas o rodoaéreo tem uma abordagem diferente para as cargas de valor agregado maior, para aquelas mais urgentes.

Quais tipos de cargas são as mais movimentadas?

Jacinto Junior: A gente trabalha mais precisamente com cargas de alto valor agregado, como confecção de grife, eletroeletrônicos, itens hospitalares, equipamentos de tecnologia, além de qualquer carga expressa que o cliente precise tê-la à disposição rapidamente.

Quais são as rotas mais acionadas?

Jacinto Junior: São Paulo/Manaus é a principal. Depois temos as rotas que atendem as capitais nordestinas, como Salvador e Recife; rotas do Rio Grande do Sul para todo o Brasil, por ser um estado que está muito longe das demais capitais do Brasil. Enfim, a gente tem uma distribuição muito forte do Sul para o Nordeste e do Norte para o Sudeste.

O que ainda precisa ser explorado no rodoaéreo?

Jacinto Junior: Há um consumidor de logística que ainda não se atentou aos serviços e as possibilidades desse tipo de operação. Hoje, o transporte aéreo representa cerca de 1% de tudo que é transportado no Brasil. Há ainda uma demanda na nossa visão, dentro dos nossos próprios clientes, para que eles tenham uma percepção de que é evidentemente possível aumentar a participação de seu transporte dentro do modal aéreo. Para isso é preciso que haja confiança da parte deles em relação à nossa qualidade de trabalho. É importante mostrar para os clientes que utilizam apenas o rodoviário como opção que é necessário diminuir as distâncias do ciclo de vendas, pois cada vez que você coloca mais rapidamente a mercadoria no seu cliente consumidor com certeza isso faz com que o ciclo da venda seja mais rápido. Se a mercadoria demorar dez dias para chegar, serão dez dias de espera para que ela esteja disponível para ser vendida. Se você passa a contar com o produto em 48 ou 72 horas, você começa a perceber que o ciclo de vendas vai aumentar. Então a ideia é essa, mostrar para o cliente que enxerga possibilidades somente no rodoviário que o modal aéreo pode ser mais útil, e não só uma opção para ser acionada em emergências ou esporadicamente.

Você faz alguma projeção para 2015?

Jacinto Junior: Falando em nome da Aeropress, ainda não estamos divulgando números, porém no mercado como um todo eu posso afirmar que haverá neste ano um crescimento muito além do percentual de crescimento do Brasil. A gente tem notado uma tendência nas companhias aéreas de buscar aprimoramento na infraestrutura. As principais empresas, como Gol, Avianca e TAM, têm procurado aumentar sua infraestrutura, ampliando os TECAs, por exemplo. Além disso, elas têm cada vez mais disponibilizado espaço em porão para as cargas aéreas de maneira mais efetiva, ou seja, justamente para transmitir confiabilidade, mostrar aos clientes que a carga aérea de fato voa, que ela não fica parada e que tem grande importância. Eu tenho me reunido com todos os presidentes de companhias, diretores de operação, mostrando nossa visão e recebendo em contrapartida informações de investimento, e não é pouco. E isso mostra o potencial de crescimento do segmento.

Comente sobre a estrutura da Aeropress. Como essa questão tem facilitado no desenvolvimento dos serviços orferecidos?

Jacinto Junior: Em termos exclusivos de Aeropress, temos quatro filiais, sendo duas em São Paulo, uma em Manaus (AM) e outra em Campinas (SP). Temos também dois TAs, um no Rio de Janeiro e mais um em São Paulo, totalizando cinco estruturas para movimentar somente carga aérea. São 150 funcionários exclusivos trabalhando na operação do modal aéreo. A empresa conta com 35 veículos dedicados e logicamente toda a infraestrutura da frota Braspress, que é composta hoje por 1.850 veículos próprios, dois mil veículos agregados, além das 104 filiais espalhadas por todo o Brasil. Para acrescentar os números, o faturamento da Aeropress em 2014 foi de R$ 45 milhões.

O que é necessário para que o rodoaéreo deslanche de uma vez por todas no Brasil?

Jacinto Junior: O que é necessário que o cliente saiba é o quanto este setor trabalha para obter um crescimento significativo. A Aeropress terá uma nova cara e certamente terá uma participação fundamental, buscando liderança no setor e surfando nessa onda de crescimento que estamos vendo acontecer. Quando você vai hoje no aeroporto, é possível notar todo um processo bastante tecnológico e detalhado em relação ao embarque e desembarque de passageiros, mas isso nunca aconteceu com a carga. O serviço aéreo de carga sempre ficou um pouco deixado de lado, mas agora é o momento de mostrar que isso mudou. As empresas estão realizando fortes investimentos. O rodoaéreo é um grande diferencial, e nós não queremos deixar isso passar.

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