Primeira entrevista com Roberto Leoncini na Mercedes-Benz

O Portal Transporta Brasil viajou a Rondonópolis, no Mato Grosso, a convite da Mercedes-Benz, para entrevistar o novo vice-presidente de Marketing e Vendas da empresa, Roberto Leoncini, executivo com grande experiência no mercado de caminhões e passagem marcante pela Scania. Leia a íntegra da entrevista:

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Portal Transporta Brasil: O que muda na Mercedes-Benz com sua entrada? Qual é a sua missão?

Roberto Leoncini: Minha missão na Mercedes é vender mais caminhões, mais ônibus e mais serviços, entendendo um pouco mais sobre o que o cliente espera dos nossos serviços. Eu tenho várias coisas que a presidência da Mercedes-Benz me pediu quando me contratou. Pela primeira vez, a Mercedes foi buscar alguém fora para ocupar essa posição e este é um recado claro de que a empresa busca um sangue novo para fazer coisas novas, questionar sobre novos temas, fazer perguntas novas. Eu trago uma bagagem de 26 anos no mercado de transporte de cargas e tenho como característica pessoal não ficar dentro de casa. Gosto de ir para fora, visitar os concessionários, visitar os clientes, entender o que está acontecendo. Este é um passo que a marca está dando: sair mais para ouvir o mercado, escutar mais. O grande recado que estamos dando ao mercado é: se alguém achava que estávamos longe, ou que era difícil falar com a Mercedes, isso acabou. Em todos os níveis. A Mercedes é acessível, quer mudar e está disposta a quebrar paradigmas. Os caminhões extrapesados com freios a tambor são um grande exemplo disso. A Mercedes tem uma imensidão de dados do mercado, dos clientes, e vamos começar a usar isso para mudar as coisas. Uma vez por mês estou com um ou dois clientes, ouço o que aconteceu de errado com o caminhão e sinto como realmente está nossa posição no transportador. Estaremos cada vez mais perto do mercado. É evidente que eu também tenho a missão pessoal de aprender sobre os outros segmentos, como os leves e os médios.

Portal Transporta Brasil: O que faltava no relacionamento do cliente com a Mercedes?

Roberto Leoncini: Eu ouvia muita coisa quando estava em outra empresa e, com base no que eu escutava, estou agindo de forma diferente, e eu escutava que a Mercedes era difícil e que era necessário gastar muita energia para dialogar com a marca. Isso acabou. A missão das regionais, que estão sob meu comando, é mudar esta postura, estar totalmente acessível para o cliente. Essa impressão de que a Mercedes é difícil é um estigma que aconteceu em algum momento, e parte do meu trabalho é tirar esta distorção da imagem da empresa.

Portal Transporta Brasil: Por que a opção pelos caminhões extrapesados com freios a tambor?

Roberto Leoncini: Nós escutamos os transportadores e agora estamos dando o retorno para eles, principalmente em relação a freios e conforto de cabines dos caminhões. Ao andar nos novos caminhões, percebem-se as diferenças, os produtos Mercedes para o mercado de extrapesados estão significativamente diferentes em relação ao conforto dos motoristas. Tem alguns paradigmas que estamos quebrando agora, como por exemplo os freios a tambor. Os freios a disco ainda vão acontecer no Brasil, são uma tendência mundial, e a persistência da Mercedes nos freios a disco foi maior do que a capacidade do governo brasileiro em implementar uma infraestrutura adequada para o transporte rodoviário. A Mercedes, agora, dá um passo atrás com o freio a tambor para atender ao mercado, principalmente nas aplicações de uso misto, como é o agronegócio, em que se roda muito em estradas de terra e também em asfalto. Mostramos que temos a tecnologia, e agora estamos vindo com o freio a tambor, preparados para voltar com o freio a disco quando precisarmos. Não adianta sermos os precursores da tecnologia se ela não se aplica às operações do cliente. É evidente que os freios a disco trazem uma performance melhor, mas a tambor, também temos um padrão de segurança alto.

Portal Transporta Brasil: A Mercedes já foi líder no Centro-Oeste, entre os clientes do agronegócio. O que vocês estão fazendo para retomar esta posição?

Roberto Leoncini: Já fomos líderes de mercado aqui em Rondonópolis, no Mato Grosso, e eu fui um grande vilão para tomar essa liderança da marca, quando eu estava na outra empresa. Agora, tenho que tomar esta liderança de volta. E como se faz isso? Baixando a cabeça, vindo para cá, escutando os motoristas e os clientes para trabalhar essa resistência que eles criaram com o antigo Axor. Agora, com o Axor Econfort, temos um produto completo que está sendo demonstrado para os transportadores. Este caminhão está muito bem de consumo, mesmo em relação às duas marcas que dominam este mercado, e agora estamos prontos para entregar o produto certo. O Actros, por exemplo, que é um super caminhão, está sendo adaptado para enfrentar as aplicações no Brasil. É isso que estamos fazendo. O caminhão gasta muito se não estiver bem especificado e a nossa estratégia é fazer esses ajustes e encontrar o que o empresário quer e precisa. Queremos ser uma oportunidade para os empresários do transporte para o agronegócio. Tem muita gente aqui na região que começou com frota Mercedes, operava com 100% de caminhões da nossa marca e, em algum momento, se desgarrou, por um erro da fábrica. Nós erramos e agora temos que reconquistar este público, que é o grande demandador de caminhões extrapesados.

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