Trânsito brasileiro mata mais que guerra entre Palestina e Israel

Trânsito brasileiro mata mais que guerra entre Palestina e Israel

Em um mês, o trânsito brasileiro mata cerca de 4,1 mil pessoas e causa a invalidez permanente de outras 43,2 mil; crescimento de incidentes envolvendo motocicletas preocupa

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Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), em um mês, o trânsito brasileiro mata, em média, 4,1 mil pessoas e causa a invalidez permanente de outras 43,2 mil. Os números consolidados são mais expressivos que os registrados pela guerra entre palestinos e israelenses, que em julho deixou mais de 1,3 mil mortos e seis mil feridos.

Os casos de invalidez também incluem os acidentes com pedestres, que correspondem 22% de todas as mortes no trânsito no mundo e, em alguns países, alcançam dois terços do total. Os dados são da OMS (organização mundial da Saúde).

Se prosseguir como estão as estatísticas atuais, a entidade estima que 1,9 milhão de pessoas deverão morrer no trânsito em 2020 e 2,4 milhões, em 2030. Nesse período, entre 20 milhões e 50 milhões de pessoas sobreviverão aos acidentes a cada ano com traumatismos e ferimentos.

De acordo com a Seguradora Líder-DPVAT, dos 340 mil benefícios pagos no primeiro semestre do ano, 76% foram por invalidez permanente. O número é 21% maior do que o registrado no mesmo período de 2013. A faixa etária mais atingida foi de 18 a 34 anos, representando 52% do total das indenizações pagas, a maioria em acidentes com motocicleta.

Em um curto período, o que mais chamou atenção nas estatísticas foi o salto de acidente envolvendo o veículo de duas rodas.

Nas estatísticas do Seguro DPVAT, os acidentes envolvendo motos representaram 75% de todas as indenizações pagas no semestre (256.38), embora as motocicletas representem apenas 27% do total da frota nacional de veículos.

Com apenas 3,3% da frota de motocicletas de todo o país, o Maranhão é o Estado com mais acidentes fatais envolvendo o veículo, sendo responsável por 9,7% dos registros. Pernambuco figura em segundo lugar, com 9,4% dos casos de colisões, e a Bahia está na terceira posição do ranking, com 8,8%. Os três estados também estão nos três primeiros lugares do ranking nacional.

O crescimento da frota do veículo pode ser um dos motivos para o aumento exacerbado de incidências. Dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) apontam que da frota nacional de 82,8 milhões de veículos, 21,9 milhões são motos. Regiões mais pobres do Brasil têm atualmente mais motocicletas do que carros circulando nas ruas.

No Nordeste, o número de motos e motonetas superou a marca de cinco milhões, contra 4,9 milhões de carros nas ruas. No Norte há 1,6 milhão de motos e 1,2 milhão de carros.

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