Fábrica de pneus da Sumitomo no Paraná valoriza as estruturas logísticas

Confira a íntegra da entrevista exclusiva do Portal Transporta Brasil com o gerente Sênior de Logística da Sumitomo Rubber do Brasil, Marco Dilélio, que nos conta sobre a opção pelo Paraná para a nova fábrica da empresa e os desafios logísticos enfrentados pelo grupo no Brasil:

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Nova fábrica de pneus no Paraná movimenta logística da região

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Confira a íntegra da entrevista exclusiva do Portal Transporta Brasil com o gerente Sênior de Logística da Sumitomo Rubber do Brasil, Marco Dilélio, que nos conta sobre a opção pelo Paraná para a nova fábrica da empresa e os desafios logísticos enfrentados pelo grupo no Brasil:

PORTAL TRANSPORTA BRASIL: POR QUE O PARANÁ FOI ESCOLHIDO PARA SER INSTALADA A PLANTA? A LOGÍSTICA PESOU PARA ESSA DECISÃO?

Marco Dilélio: A decisão do grupo está relacionada prioritariamente às vantagens geográficas que a região oferece, e também pela concessão dos incentivos que o governo apresentou. É óbvio que os aspectos logísticos contaram também. Nesse aspecto, posso destacar a proximidade dos terminais portuários, bem como dos entroncamentos de algumas rodovias muito importantes, como a BR-101.

PORTAL TRANSPORTA BRASIL: QUAIS SÃO AS EMPRESAS QUE FORNECEM SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS E OPERAÇÕES LOGÍSTICAS PARA ESTA PLANTA? QUAIS FORAM AS EXIGÊNCIAS DA EMPRESA NA HORA DE SELECIONAR ESSAS OPERADORAS?

Marco Dilélio: Nós trabalhamos tanto com operador logístico quanto com transportadores. Contamos com eles como parceiros, e os temos conosco desde o início do projeto. Vale dizer que nós não temos uma operação terceirizada. A própria direção logística é responsável pela gestão e operação da logística interna da fábrica. Para operação externa, como transporte, armazenagem, operações ligadas aos portos, aí sim nós temos parceiros. Dentre os nossos parceiros, temos o Decade, que é operador logístico de armazenamento e de transporte; transportadora de matérias primas e de pneus temos a Transguaçu, a Quick, a Dalçóquio e a JSL. Já como operador portuário, nós temos o terminal de contêineres de Paranaguá, Itajaí e Navegantes. A gente exige que todos os nossos fornecedores apresentem como eles gerenciam os procedimentos, ou seja, como eles vão suportar nossa demanda. A gente sempre avalia também a capacidade investimento do fornecedor, pois nós somos uma empresa em expansão. Então precisamos de parceiros para caminhar junto com o nosso crescimento.

PORTAL TRANSPORTA BRASIL: QUAL É O VOLUME DE INSUMOS QUE A EMPRESA OPERA DIARIAMENTE?

Marco Dilélio: Nós estamos em um processo aumento de produção na fábrica. Hoje, nós começamos a fazer dois mil pneus/dia, então nós não temos muito caminhões de matéria prima. Hoje, em média, utilizamos duas carretas diárias de matéria prima. Mas quando nós atingimos os 15 mil dessa primeira fase, 15 mil pneus diários, nós devemos ter em torno de 20 caminhões relativos à matéria prima e 15 de produto acabado sendo expedidos out bound. Nós já operamos com externamente com os pneus que já vendemos e distribuímos em toda região do Brasil. Hoje estamos com volume médio de 20 carretas diárias de expedição.

PORTAL TRANSPORTA BRASIL: QUE INVESTIMENTOS FORAM OU SERÃO FEITOS EM LOGÍSTICA PARA ATENDER AS OPERAÇÕES DA FÁBRICA?

Marco Dilélio: Na logística in bound, nós fizemos investimentos em armazéns, em sistemas de armazenamento e movimentação, mas também fizemos um desenvolvimento de WMS totalmente adaptado para o nosso negócio. O nosso WMS foi desenvolvido por nós, para que atendesse ao gerenciamento de matéria prima e as especificidades para a nossa indústria. E também esse WMS opera para o produto acabado e faz gestão de carga e descarga de todos os materiais dentro da planta. Em questão de logística out bound, a gente vem construindo os armazéns e desenvolvemos um sistema de movimentação interna e de armazenamento que não existe em outra fábrica do grupo. Foi uma adaptação, uma criação local que a gente já está operando, e que trouxe fácil manuseio, fácil controle e menor custo. Se a gente falar em valor, podemos falar que investimos cerca de R$ 25 milhões dentro da nossa fábrica, fora a estrutura externa. Temos estrutura de armazenagem para 35 mil posições/pallet, o que é bastante grande.

PORTAL TRANSPORTA BRASIL: QUAIS SÃO AS ESTRUTURAS ESPECIALMENTE PREPARADAS PARA FACILITAR A LOGÍSTICA DOS MATERIAIS DENTRO E FORA DA FÁBRICA?

Marco Dilélio: No projeto inicial da fábrica nós fizemos algumas adaptações para, por exemplo, operação de caminhões rodotrem. Isso é uma operação bastante ampla no Brasil, e que a maioria das fábricas tem dificuldade com esse tipo de operação por ser um veículo muito longo. Os acessos viários, estacionamentos, enfim, tudo foi feito para poder receber o rodotrem, e isso gera redução de custo e maior produtividade. Outra questão de estrutura que facilita a logística interna foi a definição de docas específicas para a descarga de contêineres. Isso faz com que a gente tenha uma abertura de descarga ou carga bastante rápida, reduzindo tempo e custo. Outro aspecto que pode ser destacado é que nós preparamos toda a parte de empilhadeiras, adaptando todos os equipamentos a cada tipo de operação, considerando torre, dimensão, capacidade etc. Tudo foi pensado para extrair o máximo possível dos aparelhos em operações específicas dentro da fábrica.

PORTAL TRANSPORTA BRASIL: COMO O PROJETO LOGÍSTICO DA FÁBRICA FOI CONCEBIDO? ELE VEM JUNTO COM O PROJETO DA PLANTA, QUE É INSPIRADO NO PROJETO DA TAILÂNDIA E TAMBÉM DO JAPÃO?

Marco Dilélio: Nós recebemos, no início da concepção do projeto brasileiro, o projeto básico da estrutura logística dessas fábricas. Só que aqui no Brasil nós revisamos completamente, e adicionamos novos conceitos dentro desse projeto, tanto de armazenamento quanto de gerenciamento de matéria prima e produtos acabados dentro da fábrica. A gente criou um projeto único. Dentro desse conceito, nós introduzimos uma forte precisão, extremo controle, procurando zero de perdas e velocidade na operação com segurança.

PORTAL TRANSPORTA BRASIL: A EMPRESA ENCONTROU ALGUMA DIFICULDADE PARA ELEGER O OPERADOR LOGÍSTICO DESSA OPERAÇÃO? COMO FOI A OFERTA NO MOMENTO DA CONTRATAÇÃO?

Marco Dilélio: A gente não teve dificuldade de encontrar parceiros. A região oferece muitos operadores, e com um nível mundial de prestação de serviços. Esse foi um dos pontos que nos levou a escolher a fábrica nessa região. Tivemos experiências interessantes na escolha desses parceiros, e dentro dos nossos pré-requisitos nós escolhemos os melhores.

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